Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Convento de São Pedro de Alcântara

Código
LxConv018

Outras designações
Convento de São Pedro de Alcântara de Lisboa; Convento dos Arrábidos

Morada actual
Travessa de São Pedro, 8

Sumário
Tendo como primeiro padroeiro o 1º Marquês de Marialva, António Luís de Menezes, o Convento de São Pedro de Alcântara foi fundado em 1672 numas casas próximas da jesuíta Casa de São Roque, deixadas para o efeito por Marcos Rodrigues Tinoco, secretário da Mesa da Consciência e Ordens. Nos anos subsequentes, a compra das diversas casas em torno desta permitiu aos religiosos terem a posse de todo um quarteirão, onde construíram um convento inicialmente com cerca de vinte celas. A igreja foi aberta ao culto em 1685, mantendo-se as principais dependências do edifício em construção ao longo das décadas seguintes (aumento da igreja com construção da capela-mor, sala do capítulo, refeitório e dormitórios).

Arruinado com o Terramoto de 1755, o convento sofre profundas obras de restauro e reedificação ao longo do restante século XVIII.

Extinto por Decreto de 31 de dezembro de 1833, o edifício é cedido à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (que aí instala um recolhimento), sua proprietária desde então.

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem dos Frades Menores. Província de Santa Maria da Arrábida

Género
Masculino

Data de fundação
1672

Data de extinção
1833-12-31

Autoria
João Antunes - Arquitecto, Atribuição, Capela dos Lencastres

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa\Monástico-conventual

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Convento
Claustro\galeria simples
Pátio: 2
Igreja

Tipologia de uso
Inicial - Religioso\Mosteiro ou Convento
Intermédia - Civil\Equipamento\Social
Atual - Civil\Serviços

Caracterização actual
Situação
Convento - Existente
Igreja - Existente

Ocupação
Convento - Ocupado(a) - Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Descrição
Enquadramento histórico
A oferta que, em data desconhecida, D. Pedro Coutinho faz, deixando em testamento umas nobilissimas casas para nellas fundar [...] Convento (MARIA, 1737, p. 544) não se viria a concretizar uma vez que o grupo de estreita observância não as aceitou [pelo que] os frades acabaram por dar em troca a D. Pedro a capela de São José de Ribamar para sua sepultura (NOÉ, 2006, p. 53). Porém, alguns anos depois, os frades arrábidos aceitariam a oferta de António Luís de Menezes, 1º Marquês de Marialva (1596-1675) que, devoto de São Pedro de Alcântara, lhe haveria prometido a fundação de um convento em Lisboa caso saísse vitorioso da batalha de Montes Claros (1665). Em 1672 os religiosos instalam-se provisoriamente numas casas próximos do palácio do seu padroeiro, à Rua das Flores, onde celebraram as Endoenças com a magnificiencia possivel, e assistencia da primeira Nobreza da Corte, e Padres mais graves da Provincia (MARIA, 1737, p. 546). Passada a Semana Santa, transferiram-se para huma nobre morada de casas [próximas da jesuíta Casa de São Roque] que tinham sido de Marcos Rodrigues Tinoco, secretario que foy da Mesa da Consciencia e Ords, o qual, por sua muyta piedade pera fundarem o ditto convento lhe deyxou as suas casas. (História dos Mosteiros..., II, 1972, pp. 162-16/3). De modo a melhorarem os aposentos, compraram outras aos Condes de Avintes, a expensas de Manoel Delgado de Matos, cuja ermida inicialmente aproveitaram para suas primeiras celebrações (COSTA, III, 1712, pp. 475-476).

Nos anos seguintes, as restantes casas do quarteirão foram compradas e sucessivamente demolidas (COSTA, III, 1712, p. 476), aí se tendo um convento com a invocação a São Pedro de Alcântara, com vinte cellas com todas as mais officinas necessarias para o commodo de huma vida Regular, e no meyo huma Igreja com tres altares, sufficiente para se celebrarem os Divinos Officios. [...] A devoção deste Santo, e perfeição, com que se celebrava o Culto Divino, fazia que o Convento fosse muito frequentado não só do povo, mas de toda a Nobreza da Corte, especialamente daquelles, que mais empenhados se mostrarão na sua fundação. (MARIA, 1737, p. 546). De jaspe branco e contendo esculpidas as insignias de S. Pedro de Alcântara, as armas do Papa Clemente X e as do reino, a primeira pedra da igreja terá sido colocada em 1680 ou 1681 (a data varia conforme as fontes), tendo sido benzida pelo provincial Frei João de São Joseph. Foi colocada no lugar, onde estão as columnas do alpendre da parte do Evangelho, e sobre ella deitou o Marquez vinte moedas de ouro. [...] Consignou o Marquez D. Pedro Luiz de Menezes Padroeiro hum conto de reis para se fazer a Capella môr; a mais fabrica do Convento correo por conta da Providencia Divina, sendo os principais bemfeitores o [anteriormente mencionado] Desembargador Manoel Delgado de Matos [...] [e] o Senhor Cardeal D. Verissimo [que deu] por huma vez quatro centos mil reis para se fazer o Claustro. Crescerão estas obras tanto pela diligencia de Fr. Antonio da Purificação, e com as esmolas, que os seus devotos lhe offerecião [...] que em quarta feira da Semana Santa de mil e seiscentos e oitenta e cinco [...] se abrio a porta da Igreja nova para nella se celebrarem os Divinos Officios (Idem, pp. 548-549), tendo o claustro ficado pronto cerca de uma década depois. As obras arrastaram-se durante grande parte da primeira metade do século XVIII, numa primeira fase a expensas de D. António Pedro de Menezes, 2º Marquês de Marialva (e filho do fundador), que custeou o aumento da igreja e construção da capela-mor, já depois de o Senado de Lisboa ter cedido uma travessa para o efeito (ver Evolução Urbana); neste período foi igualmente construída a sala do capítulo (a partir de projeto de Manuel da Maia), o refeitório e os dormitórios (Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 1, 2006, p. 236).

Segundo o Joseph de Jesus Maria, cronista da ordem, o convento excedia a dimensão dos demais da Provincia, contando, em 1737, com cincoenta religiosos (MARIA, 1737, p.549).

Padeceo grande ruina em o dia do terremoto [de 01 de novembro de 1755]; porque tudo que se diz Convento da fundação, principiando do frontispicio da Igreja, dormitorios, portaria, Sacristia, casa de Capitulo, menos o claustro, refeitorio, de profundis, e cozinha, tudo se prostou, e destruio com todos os livros, e cousas pertencentes ao Coro, e com a perda de bastantes pessoas (CASTRO, III, 1763, p. 265). No início da década seguinte, os religiosos encontravam-se instalados em celas e edificações construídas já depois do terramoto, localizando-se então a Igreja no sitio onde era a portaria do carro debaixo de huma grande abobeda, accrescentando-se huma barraca em hum pateo, que faz Capella, Coro, e Sacristia [onde temporariamente se fizeram] [...] os actos da Communidade, e funções Ecclesiasticas, em quanto se não conclue a reedificação fundamental (Idem). Ao longo das duas décadas seguintes, o convento foi integralmente reparado e reconstruído, resultando numa profunda modificação da sua configuração original.

O Decreto de 31 de dezembro 1833 determinou que o Convento de São Pedro de Alcântara fosse imediatamente secularizado (ANTT, Inventário de extinção do Convento de São Pedro de Alcântara, , f. 0021-0022). Nele a Junta do Exame do Estado Actual e Melhoramento Temporal das Ordens Regulares, encarregada da Reforma Eclesiástica, foi encarregada de distribuir os religiosos com os seus móveis do seu uso particular, pelos conventos de São José de Ribamar (7 sacerdotes e 1 leigo), de Santa Catarina, de Nossa Senhora da Boa Viagem (4 sacerdotes e 2 leigos), de Nossa Senhora do Monte da Caparica (2 sacerdotes e 3 leigos), de Palhais (1 sacerdote e 1 leigo), de Alferrara (3 sacerdotes e 1 leigo) e da Arrábida (1 sacerdote) do mesmo Instituto, para que unidos aos demais religiosos que neles viviam formassem comunidades canónicas (ANTT, Idem, f. 0057-0058). Dizia ainda o decreto que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) deveria tomar posse do convento (com todas as oficinas e mobília comum), da igreja e da sacristia (incluindo alfaias, vasos sagrados, ornamentos e mais objetos do culto). As meninas, órfãs da SCML, seriam desde logo transferidas para o edifício, com suas regentes, e todas as demais mulheres empregadas.

Entre 1878 e 1883 o edifício sofre uma importante campanha de obras de remodelação do espaço e de renovação estética promovidas pelo então Provedor D. António José Luís de Saldanha Oliveira Jusarte Figueira e Sousa, 4º Conde e 1º Marquês de Rio Maior, de entre as quais: a pintura do tecto da igreja por Pierre Bordes; douramento de peças da igreja por António da Cruz Xavier Leiria; restauro de quadros da igreja e dos quadros dos arcazes da sacristia por Joaquim Prieto; substituição do altar-mor por um outro em mármore branco, nacional; lavagem de cantarias, pinturas de paredes exteriores, arranjo de telhados, pavimentos e canalizações (Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 1, 2006, p. 236).

Evolução urbana
Segundo a História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, o sitio do convento [...] inclu[ia-se] dentro da cidade, e por todos os seos quatro lados viviam moradores em suas casas, todas se foram comprando, com que veyo a ficar o convento em ilha que formam quatro ruas dentro das quaes tem os Padres igreja, sancristia, portaria, claustro, refeytorio, capitulo, dormitorios, com todas as mays oficinas que requere hum convento que consta ao menos de quarenta religiosos (História dos Mosteiros..., II, 1972, p.166).

Assim, em 1672 dá entrada no Senado uma petição do Marquês de Marialva, instituidor do convento, solicitando a cedência de uma travessa [a traveça que vai das cazas de Marcos Roiz Tinoco para a Rua dos Mouros, a qual era de tão pouco utilidade ao povo q até goza (?) cõ immundicia de altura de meia lança q quazi ninguem se servia por ella, e hoje está cõ cancelas(AML, Livro 2º de consultas e decretos de D. Pedro II, f. 57- 58) junto do convento, de modo a poder construir aumentar a ermida original, nomeadamente a construção de uma capela-mor.

Não obstante a oposição de um dos seus membros, Matheus Mouzinho [que considerava o sítio onde os padres arrábidos se encontravam instalado m.to capas pª fazerem Igrª, comessando esta da portaria, e patio q esta descuberto, e entende[ndo] que numca convirá chegar a obra ás cazas da outra Rua por ser m.to verossimel q as quererão meter no Convento, e alargallo deformando a Cidade, e contra o instetuto da Relligião, sendo o sittio q agora logrão mto capas para o Convento de q se trata sem mais acressentamento(Idem)], a 26 de fevereiro desse ano, o Senado de Lisboa anui na cedência da dita travessa aos religiosos, devido à piedade da cauza, devoção do Marques, merecim.to de sua pessoa e não regular prejuizo ao publico (Idem). Segundo as medições então feitas, este pedasso de traveça q o Marques pedia pª a obra referida tem vinte e quatro varas de comprido desde o canto da Rua dos Mouros até o canto da Rua do Teixeira, e de largo quatro varas e meyo, e q esta traveça não he de serventia nenhuã ao povo, por quanto tem a Rua do Teixeira, q he huã Rua direita q vai pella porta do mesmo convento sair á Rua do Moinho do Vento, e a Rua dos Mouros q vai sair pella traveça á Rua da Roza das partilhas, e assi não ficava tomando serventia alguã, e q a passagem desta traveça estivera até o prez.te impedida por cauza das grandes immundicias que nesta estavão (Idem).

Confrontando esta descrição com a diversa cartografia executada em período posterior, percebe-se que a travessa em questão seria a continuação da Rua dos Mouros até à Travessa da Estrela. Assim, esta cedência permitiu aos religiosos a união de dois quarteirões e assim o aumento do seu convento - à semelhança do que, pouco antes, as religiosas bernardas haviam conseguido fazer no seu Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa (LxConv065). Não é, no entanto claro, se os religiosos possuíam já casas dos dois lados da travessa, mas tudo parece apontar nesse sentido.

Após a primitiva construção do convento, iniciada pouco depois, não mais se alterou a dimensão do terreno onde o cenóbio se implantou, compreendido pelo quarteirão formado pela Rua de São Pedro de Alcântara, Rua da Estrela (atual Rua Luísa Todi), Rua da Rosa das Partilhas (atual Rua da Rosa) e Travessa de São Pedro.

Defronte da Igreja deste Convento, e no grande terrapleno, que alli se ampliou, se erigio hum publico Chafariz de cantaria com cinco bicas de excellente agua, conduzida por canos desde o Chafariz de Campolide, e começou a correr no dia 8 de Setembro de 1754 (CASTRO, III, 1763, p. 265).

Na década de 1880 procedeu-se ao alargamento e regularização do traçado da Rua D. Pedro V, num processo que se arrastou durante vários anos e que se concretizou na apresentação de sucessivas versões do projeto a implementar, algumas dos quais prevendo expropriações de porções de terreno do convento. Neste contexto deu-se uma importante reconfiguração de um dos quarteirões contíguos ao convento [formado pelo referido arruamento, pela Travessa da Estrela (atual Rua Luísa Todi) e Rua da Rosa das Partilhas (atual Rua da Rosa)], tendo daí resultado a demolição de um importante conjunto de edifícios.

Na sessão camarária de 26 de novembro de 1887, no contexto da conclusão da corcordancia da rua de D. Pedro V com a de S. Pedro d'Alcantara [...] [, considerou-se] indispensável [...] fazer no adro e casas pertencentes ao recolhimento d'este nome, um córte e modificações, cujo projecto desenvolvido se diz já ter sido elaborado pela mesma repartição [...], importanto o respectivo orçamento em 7:444$800 (Actas das Sessões... 1887, p. 197). Cerca de meio ano depois, na sessão de 4 de maio de 1888, apresentou-se uma nova versão do projeto, a qual se procurava regularisa[r] o traçado da dita rua, e fica[r] com a largura necessaria e proporcionada ao grande movimento, cada vez mais crescente de peões e vehiculos, que por ella teem de transitar, e que é uma das arterias mais importantes da parte alta da cidade.

[...] A vossa commissão é tambem de parecer que se deve expropriar o terraço ao Norte da rua de D. Pedro V, e pelo preço ajustado com os proprietarios, a fim de garantir este pequeno logradouro e o bello panorama, que se goza, aos nossos municipes.

Quanto ao córte no adro do recolhimento de S. Pedro d'Alcantara, só mais tarde é que se há de conseguir, visto as resistencias que hoje se oppõem á sua expropriação.

Entretanto o facto de se proceder desde já, ao alargamento projectado, mostrará ao publico a sua necessidade e contribuirá poderosamente para vencer as difficuldades, que hoje existem para a sua expropriação (Actas das Sessões... 1888, p. 58).

Esta expropriação acabaria por não se concretizar, o que explica o perfil avançado do adro do edifício do antigo convento relativamente ao final da Rua D. Pedro V e o consequente estreitamento da via na confluência desta com a Rua de São Pedro de Alcântara.

Caracterização arquitectónica
A construção do edifício terá seguido as indicações constantes dos Estatutos da Província da Arrábida que, entre outras determinações, impunha que a traça para qualquer convento mandará o Irmão Ministro fazer pelo modello da casa da Província mais reformada, & ajustadas ao nossso [sic] modo, a qual não se dará à execução, sendão depois de vista, & approvada pelos Mestres, & Architectos assim como de dentro como de fora da Província, que melhor o entenderem (cit. NOÉ, 2006, p. 54), o que mostra revestir-se de algum rigor, determinando inclusivamente as dimensões das principais dependências dos edifícios (nomeadamente igreja, sacristia, sala do capítulo, refeitório e dormitórios). Estas definições construtivas dos Estatutos acabaram por criar uma tipologia arquitectónica entre os vários conventos da Província da Arrábida [...], os quais não diferiam muito relativamente aos outros franciscanos Capuchos (Idem), derivando as diferenças da casa de Lisboa das demais da necessidade de adaptação destas determinações ao terreno em questão.

Das diversas descrições do conjunto conventual antes do Terramoto de 1755 (ver COSTA, 1712, pp. 475-477 e MARIA, 1737, pp. 549-552), que destruiu fortemente o edifício (Dos conventos e mosteiros..., f. 245), uma das mais completas é a que consta na História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa:

Na estrada que vay da Casa de Sam Roque, da Companhia de Jesus, pera o sitio do Noviciado da mesma Companhia, fica o convento intitulado Sam Pedro de Alcantera, pera cuja igreja se sobem da rua dous degraos, e sobre o segundo assentam humas grades de ferro que os Religiosos fecham à noyte, e entrando pellas dittas grades a cada lado do taboleyro de que se faz transito pera o portico, que consta de duas columnas que sustentam a abobeda sobre a qual assenta a parede que faz a frontaria da igreja, em que se vem duas janelas de que se communica muyta luz e claridade ao coro, e alem das dittas duas janelas nam se ve no frontispicio mays que hum nicho, e nelle a imagem do ezemplar da penitencia, o insigne Sam Pedro de Alcantera.

Entrando na igreja se vem no corpo della, de cada parte, tres confessionarios guarnecidos de padraria pella parte em que tem lugar o penitente ficando da outra parte o confessor, interposto entre o lugar em que elle está e o penitente hum ralo de folha de Flandres. Nas paredes que formam os lados do corpo da igreja, em lugar das tres capellas que podia ter nas paredes que formam o lado do corpo da igreja, há de cada parte duas janelas pellas quaes he illustrada a igreja, cujo corpo se termina com humas grades altas de pao sancto retrocidas; e destas grades pera dentro se segue o cruzeyro, no qual tem lugar duas fermosas capellas oppostas huma à outra com seos retabolos de talha dourada, de duas columnas por banda, e os lizos que a talha faz sam de tinta encarnada, cuja cor faz a obra mays vistosa. Há mays no cruzeyro duas capellas colateraes com seos retabolos de talha dourada, de duas colunas de cada parte, com huma imagem no meyo, de hum sancto da Ordem Seráfica.

O arco da capella-mor he de pedraria bem guarnecida de pintura. E sobre o ditto arco se ve hum nicho com a imagem do Senhor Crucificado. Do arco da capella mor pera dentro há nos lados della quatro portas, duas de cada parte em correspondencia, e por cima das portas se deyxam ver duas janelas. O retabolo da capella mor he de feytio moderno, de talha dourada com os mesmos lizos d'encarnado [...] [d]as capellas do cruzeyro, de duas columnas por banda, e entre ellas há de cada parte dous nichos com imagens de Sanctos. Tem o retabolo sua tribuna muyto bem dourada, cuja boca cobre huma pintura, que representa a Sam Pedro de Alcantera abraçandose com a cruz. Tem esta capella seo sacrario de talha dourada, obra muyto linda. O tecto da capella mor tem a sua abobeda de que consta ornada de pintura, o que nam tem ainda, nem a abobeda do cruzeyro, nem a do coro. Tem a capella mor muyto bom ornato de cortinados, porque assim o arco della como as suas portas e duas janelas que se vem em cada hum dos dous lados tem cortinados de damasco carmezim.

[...] [Na sacristia] se vem huns almarios que constam das gavetas dos amitos, e por cima dellas se assentam os calices. E a obra destas gavetas e almarios he guarnecida toda d'embotidos de pao de larangeyra, que nam deyxa de fazer huma apparencia muy vistosa e agradavel aos olhos. Correspondente a este lugar fica à mam esquerda de quem entra pella porta hum arco de pedra, e dentro delle hum lavatorio de pedra pera os sacerdotes lavarem as mãos antes de dizer missa.

Nos dous lados da sancristia ficam de cada parte os cayxões que sam de madeyra do Brazil, guarnecidos de embotidos do mesmo pao de larangeyra, com nove gavetas de cada banda guarnecidas com argolas e escudos de metal dourado. Os cayxões tem seos respaldos em que há quatro payneis de cada banda fronteyros huns aos outros, e por cima dos mesmos payneis corre huma simalha do mesmo pao sancto de que sam as molduras e os cayxões, correspondendo a cada paynel remate vazado da mesma madeyra, fazendo divisão entre paunel e paynel humas quartelas em que assentam humas piramides da mesma madeyra, e toda esta obra he embotida de ramos e lizonjas que fazem muy vistosa e galante a obra da sancristia.

Fronteyra à porta della tem lugar huma capella com seo retabolo de duas colunas por banda e no nicho que tem no meyo se venera hum Crucifixo de marfim em huma cruz de ebano com seo resplandor dourado por detraz. A banqueta e o retabolo he todo de talha bem dourado. Por bayxo do altar tem lugar huma imagem do Senhor morto. Aos lados desta capella se vem mays dous nichos de huma coluna por banda, e dentro dous ovados, que cada hum recolhe a imagem de huma sancta com sua reliquia no peyto. O tecto desta sancristia he de abobeda, e no meyo tem huma pintura que reprezenta ao Serafico Patriarca recebendo as Sacratissimas Chagas do Senhor. Tem finalmente a sancristia muyta luz e claridade que se lhe communica de duas janelas que tem lugar no lado esquerdo da sancristia.

[...] Entrando pella portaria commua, cuja porta fica debayxo do alpendre que diante tem a igreja, a qual dá entrada a hua casa quazi quoadrada cujo tecto he de abobeda, e por bayxo he muy bem lageada, e fronteyro à porta, dentro de hum arco que finge ser de pedraria embotida, se representa em figuras de barro o transito do Grande Patriarca Sam Francisco acompanhado de doze Religiosos, dos quaes huns lhe estam rezando o afficio d'agonia, outro offerecendolhe a imagem de hum Christo Crucificado, outro querendolhe meter a vela na mam. Sam as imagens todas na proporçam natural de hum homem, e posto que a materia é barro sam as imagens lavradas com tal perfeyçam que todas parecem estar vivas, e o Sancto estar morrendo.

Da portaria se passa para o claustro que he quadrado, e o formam humas colunas de pedra, redondas, sobre que se fundam huns arcos em que se levanta a abobeda, por cima da qual correm quatro lanços de varanda descuberta que correspondem aos quatros lanços que o claustro tem por bayxo, e entrando no lanço que fica à mam esquerda de quem sahe da portaria pera o claustro tem lugar o capitulo, em que há hum retabolo de tres columnas por banda, pintado de muytas cores alegres que faz hum prospecto agradavel aos olhos com sua tribuna ornada da mesma pintura em que tem lugar huma imagem da Senhora da Piedade com o Bendictissimo Filho nos braços, e ao pé da peanha se bem as imagens do Discipulo Amado e da amante Magdalena. Acompanham esta capella dous nichos, hum de cada banda, todos guarnecidos da mesma pintura com que toda a frontaria da casa cobre o retabolo até o tecto. Fronteyro a este retabolo se ve hum grande paynel ornado com molduras de raiz de oliveyra com a imagem do Senhor Crucificado. Tem a casa à roda seos assentos que reprezentam ser da mesma raiz de oliveyra. He o tecto de abobeda, e no meyo se ve hum ovado dentro do qual aparece pintado hum coraçam atravessado com huma espada, com huma letra que diz.

SUAM IPSIUS ANIMAM DOLORIS GLADIUS PERTRANSIUT

Os dormitorios sam quaes costumam ser os dos Padres Arrabidos, mas com cellas sufficientes pera dar habitaçam a mays de quarenta religiosos que costumam ser moradores da Casa, aos quaes a charidade dos naturaes de Lisboa e a devoçam que tem aos Padres Arrabidos costuma nam faltar com as esmolas necessarias, assim pera seo sustento com pera a fabrica e asseyo de sua igreja. As mays officinas do convento sam proporicionadas à grandesa delle (História dos Mosteiros..., II, 1972, pp. 163-167).

A mesma fonte refere a sepultura de Dom Veríssimo de Lencastre, que se ve debayxo do alpendre [...] [sobre cujo] marmore [...] se le hum elogio grave e elegante, digno de tam grande sogeyto. (Idem, p. 168). Esta informação corrobora a vontade por este deixada expressa no seu testamento de ser amortalhado pelos Religiozos da Provincia dos Algarues na forma que dispoem o Pontifiçe com dessencia que respeite a degnidade Sem nenhuma Vaidade (cit. COUTINHO, 2006, p.14). Maria João Pereira Coutinho refere que somos levados a acreditar que, ainda em vida, terá mencionado essa vontade, ou que a obrigação de quatro missas quotidians terá levado os seus testamenteiros à necessidade de construírem um espaço para esse fim. (Idem, p.16). Segundo António Carvalho Costa, a construção desta capela deveu-se ao irmão de D. Veríssimo, D. José de Lencastre, Bispo Inquisidor Geral e testamenteiro do anterior (COSTA, III, 1712, pp. 476-477).

A reconstrução e reedificação do edifício nas décadas subsequentes ao terramoto de 1755 [destacando-se a substituição da cobertura da abóbda da igreja, a construção de um corpo maior, de dois piso, [...] integra[ndo] a capela e a sacristia dos Lencastres e se prolonga[ndo] para Nordeste e, do lado oposto, um outro similar, de modo a criar então os torreões actualmente existentes (NOÉ, 2006, p. 58) e a criação do espaço para a construção de uma capela dedicada ao Senhor dos Passos] bem como as alterações levadas a cabo na segunda metade do século XIX, já como recolhimento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, alteraram profundamente o edifício.

Segundo plantas existentes na Torre do Tombo, provavelmente datadas de pouco depois da extinção do convento (ver Fontes e Bibliografia, Material gráfico), é possível compreender que este apresentava uma planta retangular na qual as dependências conventuais se implantavam maioritariamente nas zonas lateral e posterior da igreja, onde se situava o claustro. Do lado norte da igreja localizava-se a portaria (com entrada pelo exterior), casa dos bispos e sacristia (com acesso direto à capela-mor). Ainda no piso térreo, a cozinha localizava-se numa dependência contígua ao refeitório, instalado na ala localizada entre o claustro e o pátio, embora que só tivesse ligação direta com o segundo.

Uma das principais características arquitetónicas do edifício é o pequeno adro localizado junto da igreja, no qual existe uma escadaria que permite superar o desnível do terreno entre a Rua de São Pedro de Alcântara e o templo.

Inserido num terreno corresponde a um quarteirão do Bairro Alto, todo o complexo se encontrava murado. O edifício ocupava a quase totalidade do espaço, existindo igualmente uma pequena cerca de produção aproveitando uma pequena porção de terreno, em formato triangular, que existia entre o muro da cerca e a igreja - esse espaço subsitiu até à atualidade, tendo entretanto sido transformado num jardim.

No capítulo A Casa Professa de São Roque e o Convento de São Pedro de Alcântara. Dois modelos arquitectónicos constante do primeiro volume da obra Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paula Noé faz uma aprofundada descrição das características arquitetónicas e espaciais de edifício bem como das principais alterações empreendidas pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ao longo do século XIX (NOÉ, 2006, pp. 54-65). Na mesma obra, outros textos incidem e descrevem diversos outros aspetos do edifício, nomeadamente a talha (FERREIRA, Sílvia, Da Igreja de São Roque à de São Pedro de Alcântara. Três séculos de arte da talha, pp. 98-117) e a azulejaria (PAIS, Alexandre, O espólio azulejar nos palácios e conventos da Misericórdia de Lisboa, pp. 136-161). Por seu turno, a história da Capela dos Lencastres encontra-se desenvolvida na obra Convento de São Pedro de Alcântara - A Capela dos Lencastres (COUTINHO, 2006).

Inventário de extinção
ANTT, Ministério das Finanças, Convento de São Pedro de Alcântara, Cx. 2225,

http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4695231

O inventário de extinção do Convento de São Pedro de Alcântara contém a documentação relativa às autuações do Decreto de 31 de Dezembro de 1933 e demais diligências relacionadas com a supressão desta casa religiosa e o inventário dos seus bens (64 fólios digitalizados).

O Decreto de 31 de Dezembro 1833 (f. 0021-0022) determinou que o Convento de São Pedro de Alcântara fosse imediatamente secularizado; e que a Junta do Exame do Estado actual e Melhoramento Temporal das Ordens Regulares encarregada da Reforma Eclesiástica fizesse distribuir os religiosos, com os seus móveis do seu uso particular, pelos seguintes conventos Província da Arrábida: São José de Ribamar, Santa Catarina, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora do Monte da Caparica, Palhais e Alferrara, para que unidos aos demais religiosos que neles viviam formassem comunidades canónicas.

Dizia ainda o decreto que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) deveria tomar posse do convento (com todas as oficinas e mobília comum), da igreja e da sacristia (incluindo as alfaias, os vasos sagrados, os ornamentos e mais objectos do culto). As meninas órfãs da SCML seriam desde logo transferidas para o edifício, com suas regentes, e todas as demais mulheres empregadas; e o edifício onde residiam as órfãs passaria a ser unido ao dos expostos.

A 18 de Janeiro de 1834, Sua Majestade determinou que a Junta mandasse expedir as ordens necessárias para que se fizesse o inventário da livraria do extinto convento, e que esta fosse depois remetida para a Biblioteca Pública com a estante portátil que existe na mesma Livraria (f. 0023).

Os inventários (f. 0035-0053) realizaram-se no dia 24 de Janeiro de 1834 na presença de 3 representantes da SCML - padre Custodio Maria da Costa Moraes (tesoureiro da igreja), padre Manoel Joaquim Torres (regente do coro) e padre Manoel Luis de Furtado (capelão da igreja) - e de frei Antonio da Soledad, guardião do convento.

Foi feito o inventário dos objetos de prata (f. 0037), dos paramentos (f. 0037-0039), de outros utensílios da sacristia e da igreja (f. 0040-0042), da igreja (f. 0043-0045), da casa do capítulo (f. 0045), da casa de arrecadação junto à capela-mor (f. 0046), da cozinha e do refeitório (f. 0046-0047), das casas de arrecadação (f. 0048-0049), da capela do Senhor dos Passos e respetiva sacristia (f. 0050-0051), e do catálogo das estantes da livraria e dos volumes que contém (25 estantes indicando apenas o nº de livros de cada uma, no total de 6021 obras (f. 0051-0052).

A 28 de Janeiro de 1834 o Juiz de Direito do 4º Distrito, Francisco Rodrigues Cardeira, informou que o Provedor da SCML, que já estava na posse das chaves do convento, lhe dissera que tinha feito uma lista de seis mil e tantos volumes da livraria, e que não se podia fazer melhor porque algumas obras estavam trancadas. E pediu orientações de como proceder ao transporte destes livros para a Livraria Pública (f. 0025-0026).

Os inventários foram remetidos à Junta pelo marquês de Torres Novas, Provedor da SCML, por ofício de 5 de Fevereiro de 1834 (f. 0031).

A 14 de Maio de 1834 a Junta mandou autuar o Decreto de 31 de Dezembro (f. 0019) e em 22 de Maio remeteu o inventário à Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda na forma que determina a Portaria de 2 de Maio e informou faltar apenas lançar a sentença de supressão e secularização do convento. O ofício inclui o relatório das diligências efetuadas (f. 0054-0055), e tem dois documentos anexos:

- os papéis que declaram os nomes dos religiosos e os locais para onde foram mandados. Assim, 7 sacerdotes e 1 leigo foram para o Convento de São José de Ribamar; 4 sacerdotes e 2 leigos foram para o Convento de Nossa Senhora da Boa Viagem; 2 sacerdotes e 3 leigos foram para o Convento da Caparica; 1 sacerdote e 1 leigo foram para o Convento de Palhais; 3 sacerdotes e 1 leigo foram para o Convento de Alferrara, em Setúbal; e 1 sacerdote foi para a Convento da Arrábida (f. 0057-0058);

- Um Addicionamento. Papéis pertencentes ao Cartorio deste Convento que existem na Thesouraria da Junta do Melhoramento, que inclui lista vários títulos, privilégios, esmolas e de 4 livros, nomeadamente um livro de contas correntes, um livro de inventário do convento e um livro de memórias (f. 0059-0062).

Os autos de posse e de avaliação (f. 0009-0012) tiveram início a 7 de Julho de 1834 e foram realizados pela Provedoria do 4ºDistrito - Provedor Joze da Fonseca e Castro, sendo escrivão Francisco Jose de Salles de Almeida Silva.

A tomada de posse para a Fazenda Nacional do convento e seus pertences ocorreu a 17 de Julho, dando cumprimento à Portaria de 9 de Junho de 1834. Do auto de posse consta a descrição e avaliação do edifício: faz frente para o Nascente, ao Norte pela travessa da Estrella, e do Sul parte pela travessa do Sacramento, e pela parte do Poente pela Rua da Roza com seu Portão d´entrada e compõe-se de alguns quartos e salas, e Claustros, e sellas armazéns e outras acomodações tudo em pavimento Baixo, e Alto, e que estavão compondo o ditto convento, e sendo ali prezentes os Avaliadores dos prédios urbanos da Camara desta cidade, Cypriano Joze Nunes, mestre Pedreiro e Antonio Joze Duarte, mestre Carpinteiro, por elles foi bem visto e examinado o ditto Convento e por elles foi ditto que não davão valor de renda por serem cazas capazes de se poderem ali acomodarem famílias, e que ao Casco da propriedade lhe davão o valor de oitocentos mil reis, excluindo a Igreja, e Sacristia (f. 0011-0012).

Cronologia
12-08-1680 ou 19-04-1681 Colocação da primeira pedra da nova igreja.
1690 ou 1700 - década D. José de Lencastre manda construir a chamada Capela dos Lencastres.
1672 Fundação do convento.
1672-02 O Senado da cidade autoriza a cedência ao convento de uma travessa junto a este, por via a acrescentar a capela mor da igreja. (
1675-08-16 Morre António Luís de Menezes, 1º Marquês de Marialva e fundador do convento.
1685-04-19 A igreja encontrava-se concluída, abrindo-se as suas portas ao culto.
1692-12-12 Morre D. Veríssimo de Lencastre, sendo sepultado no alpendre da igreja.
1695 As obras de construção do claustro encontrar-se-iam concluídas.
1737 O convento contava com cerca de cinquenta religiosos.
1755-11-01 O terramoto provoca a ruína do frontispício da igreja, dos dormitórios, da portaria e da sacristia.
1823-07-04 No dia de aniversário da infanta D. Isabel Maria, na igreja do Convento de São Pedro de Alcântara houve missa cantada e "Te Deum" em homenagem a D. João VI. Foi orador o padre mestre frei Pedro de Alcântara, pregador régio e religioso do convento.
1824-08-26 O corpo do 6º marquês de Marialva, D. Pedro José de Menezes Coutinho, que morrera a 22 de Novembro de 1823 em Paris, é depositado no Mosteiro dos Jerónimos até ser trasladado para o seu jazigo no Convento de São Pedro de Alcântara.
1824-11-21 O corpo do 6º marquês de Marialva é trasladado com honras fúnebres do Mosteiro dos Jerónimos para Igreja do Convento de São Pedro de Alcântara, onde é sepultado num «sumptuoso» mausoléu.
1827-07-11 Lourenço António de Araújo, Comendador da Ordem de Cristo, Oficial maior da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e do Ultramar, Secretário da Junta da Administração do Tabaco e Sub-Inspector do Correio Geral do Reino, é sepultado na igreja do Convento de São Pedro de Alcântara.
1829-04-26 Celebrada uma missa cantada na igreja do convento, pelo restabelecimento da saúde do rei, à qual assistiram muitos convidados eclesiásticos e militares.
1830-10-19 O rei e as infantas assistem à festividade celebrada na igreja do convento, tendo sido recebido pela comunidade religiosa «com todas as demonstrações do mais profundo respeito».
1833-12-31 É decretada a extinção do convento de São Pedro de Alcântara e a entrega do edifício, igreja, mobiliário e objectos do culto à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Os 18 religiosos e 8 leigos são transferidos para outros conventos da Província de Nossa Senhora da Arrábida.
1834-01-24 Inventário de bens móveis e imóveis do convento.
1834-05-22 Os autos de inventário são remetidos à Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda.
1834-05-30 Decreto de extinção de todas as casas religiosas masculinas das ordens regulares e incorporação dos seus bens nos Próprios da Fazenda Nacional.
1834-07-07 Início dos autos de posse e avaliação.
1834-07-17 O edifício (excluindo a igreja e a sacristia) é avaliado em oitocentos mil réis (800$000).
1834-07-17 O Provedor do 4º Distrito, José da Fonseca e Castro, toma posse do convento e mais pertences para a Fazenda Nacional.
1862-01-27 O Provedor da Santa Casa pede autorização à Câmara para mandar abrir uma porta no muro sobre a Travessa da Estrela, a fim de dar serventia á cozinha e oficinas do recolhimento.
1878 | 1883 O edifício sofre uma importante campanha de obras de remodelação do espaço e de renovação estética.
1887 | 1888 No contexto do alargamento e regularização do traçado da Rua D. Pedro V, existe o plano de expropriação de parte do adro da igreja (nunca concretizado).
1943 O recolhimento passa a ser administrado, em acordo de cooperação, pelas Irmãs da Província Portuguesa da Congregação da Apresentação de Maria.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

GAMEIRO, Alfredo - Igreja e Recolhimento de S. Pedro de Alcântara. Museu de Lisboa [1903].

PEREIRA, Luís Gonzaga - Montanha de São Pedro de Alcântara. Museu de Lisboa [1809].

Recolhimento de São Pedro de Alcântara [Corte). Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Recolhimento de São Pedro de Alcântara [Planta de alterações]. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Recolhimento de São Pedro de Alcântara: planta do 1.º andar. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Recolhimento de São Pedro de Alcântara: planta térrea. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Cartografia

CARVALHO, José Monteiro de; - [Livro das plantas das freguesias de Lisboa]. Códices e documentos de proveniência desconhecida, nº 153, Planta da freguezia de N. Sº da Encarnacao, f. 31 (imagem 0076).

[Enquadramento urbano | Convento de São Pedro de Alcântara de Lisboa, 1834].

[Enquadramento urbano | Convento de São Pedro de Alcântara de Lisboa, 2015].

FOLQUE, Filipe; - [Carta Topográfica de Lisboa e seus arredores, 1856/1858]. 1:1000. 65 plantas; 92 X 62,5cm, Planta 35 (Novembro 1857).

GOULLARD, Francisco; - [Levantamento topográfico de Francisco Goullard, nº 309]. PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/05/02/307.

PINTO, Júlio António Vieira da Silva; - [Levantamento da planta de Lisboa, 1904/1911]. 1: 1000. 249 plantas; 80 X 50cm, Planta 10G (Março 1911).

Manuscrito

[Consulta sobre a petição do marquês de Marialva]. [Manuscrito]Arquivo Municipal de Lisboa. Livro 2º de consultas e decretos de D. Pedro II, f. 57 a 58 v.

[Consultas da Comissão Eclesiástica da Reforma]. [Manuscrito]1822-1823. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 268, n.º 4, Caixa 214, Doc. 13.

[Junta do Exame do Estado actual e Melhoramento temporal das Ordens Regulares]. [Manuscrito]1790-1830. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 270, nº1, Cx. 216, Doc. 26.

Dos Conventos, e Mosteiros de Lisboa 1757, com a notícia verdadeira da ruína que padeceram em o fatal Terramoto, e Incêndio no 1.º de Novembro de 1755. [Manuscrito]Biblioteca Pública de Évora, f. 245.

Inventário de extinção do Convento de São Pedro de Alcântara. [Manuscrito]54 f. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério das Finanças, Convento de São Pedro de Alcântara, Cx. 2225.

Monografia

Actas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa no anno de 1887. Lisboa: Imprensa Democrática, 1887, pp. 196-197.

Actas das Sessões da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Lisboa.1888. [Lisboa], pp. 58-59.

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CASTRO, João Bautista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Tomo Terceiro, Parte V. Lisboa: Oficina Patriarcal de Francisco Luis Ameno, 1763.

CONCEYÇÃO, Fr. Apollinario da - Claustro Franciscano, Erecto no Dominio da Coroa Portuguesa e estabelecido sobre dezeseis venerabilissimas columnas. Expoem-se sua origem, e estado presente. Lisboa Occidental: Na Offic. de Antonio Isidoro da Fonseca, 1740, p. 64.

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COUTINHO, Maria João Pereira - Convento de São Pedro de Alcântara - A Capela dos Lencastres. Lisboa: Livros Horizonte, 2006.

FERREIRA, Sílvia - Da Igreja de São Roque à de São Pedro de Alcântara. Três séculos de arte da talha. Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 1. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2006, pp. 98-117.

História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Tomo II. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1972, pp. 161-168.

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NOÉ, Paula - A Casa Professa de São Roque e o Convento de São Pedro de Alcântara. Dois modelos arquitectónicos. Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 1. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2006, pp. 36-65.

PAIS, Alexandre - O espólio azulejar nos palácios e conventos da Misericórdia de Lisboa. Património Arquitectónico, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - 1. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2006, pp. 136-161.

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Periódico

Decreto de 31 de Dezembro de 1833. Collecção de Decretos e Regulamentos mandados publicar por Sua Magestade [...] desde a sua entrada em Lisboa em 28 de Julho de 1833 até á instalação das Camaras Legislativas, Terceira Serie. Lisboa: Na Imprensa Nacional. 1840, p. 70.

Gazeta de Lisboa, nº 143. Lisboa: Na Impressão Régia, [19 de Junho de 1829], p. 596.

Gazeta de Lisboa, nº 157. Lisboa: Na Impressão Régia, [7 de Julho de 1826], p. 629.

Gazeta de Lisboa, nº 162. Lisboa: Na Impressão Régia, [10 de Julho de 1828], p. 921.

Gazeta de Lisboa, nº 169. Lisboa: Na Impressão Regia, [19 de Julho de 1827], p. 993.

Gazeta de Lisboa, nº 177. Lisboa: Na Impressão Régia, [29 de Julho de 1823].

Gazeta de Lisboa, nº 248. Lisboa: Na Impressão Régia, [20 de Outubro de 1830], p. 1006.

Gazeta de Lisboa, nº 290. Lisboa: Na Impressão Regia, [8 de Dezembro de 1824], p. 1363.

Transcrições

[Consulta sobre a petição do marquês de Marialva].

Material Fotográfico
Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada nascente. ECML_20150512_001.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada nascente. ECML_20150512_002.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada Sul | Trav. de S. Pedro. DPC_20150212_138.
© José Vicente | DPC | CML 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada Sul | Trav. de S. Pedro | Cunhal. DPC_20150212_139.
© José Vicente | DPC | CML 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada Sul | Trav. de S. Pedro |. DPC_20150212_144.
© José Vicente | DPC | CML 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada Sul | Trav. de S. Pedro |. DPC_20150212_142.
© José Vicente | DPC | CML 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada norte | Rua Luísa Todi. DPC_20150212_147.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Entrada da parte conventual. DPC_20150212_145.
© José Vicente | DPC | CML 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Portaria. DPC_20150212_148.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Entrada exterior. DPC_20150212_150.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Painel. DPC_20150212_164.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Portaria. DPC_20150212_149.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Capela dos Lencastres. DPC_20150212_153.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Capela dos Lencastres. DPC_20150212_155.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Capela dos Lencastres. DPC_20150212_156.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Igreja. DPC_20150212_157.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Igreja | Capela-mor. DPC_20150212_159.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Igreja. DPC_20150212_160.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Igreja | Coro alto. DPC_20150212_161.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Interior | Igreja | Lápide. DPC_20150212_163.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada nascente. ART031914.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada nascente. A50852.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento de São Pedro de Alcântara | Exterior | Fachada nascente. A73226.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento de São Pedro de Alcântara | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor. DPC_20121112_276.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Convento de São Pedro de Alcântara | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor. DPC_20121112_277.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Convento de São Pedro de Alcântara | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor. DPC_20121112_279.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Convento de São Pedro de Alcântara | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor. DPC_20121112_281.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Inventariantes
Rita Mégre - 2015-03-19
Tiago Borges Lourenço - 2016-03-10
Última atualização - 2019-07-30

Imagens: 27