Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Convento do Santíssimo Coração de Jesus

Código
LxConv024

Outras designações
Convento do Coração de Jesus da Estrela de Lisboa

Morada actual
Praça da Estrela

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem dos Carmelitas Descalços

Género
Feminino

Data de fundação
1781-01-13

Data de extinção
1885-04-29

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa\Monástico-conventual

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Convento
Claustro: 2
Pátio
Igreja
Cerca de recreio e produção

Caracterização actual
Situação
Convento - Existente
Igreja - Existente
Cerca - Parcialmente urbanizada
Cerca - Existente / parcialmente construída

Disposições legais
Monumento Nacional; Decreto; 16-06-1910 publicado a 23-06-1910

Descrição
Inventário de extinção
ANTT, Ministério das Finanças, Convento do Coração de Jesus da Estrela de Lisboa, Cx. 1941 a 1946, http://digitarq.arquivos.pt/details?id=4224400

Com mais de 6500 fólios digitalizados, o processo de extinção do Convento do Santíssimo Coração de Jesus ("da Estrela") é o segundo maior de entre os das extintas casas religiosas de Lisboa e encontra-se dividido em 6 pastas. Por haver fólios com o mesmo número em pastas diferentes, nesta descrição o número dos fólios será acompanhado pelo da pasta.

Deste inventário constam os mapas dos bens e rendimentos do convento em 1856 (num total de 337 prazos com uma avaliação total de 1:786$215 - f. 4207/5), de 25 propriedades (com uma avaliação total de 1:633$200 - f. 4209/5), de capitais mutuados (f. 4210-4213/5) e de despesa -3:952$330 (f. 4230-4239/5). Sem data, mas sendo provavelmente da mesma altura, há também um mapa de pessoal do convento (professas e seculares), num total de 9 religiosas conventuais (com idades compreendidas entre os 48 e os 79 anos), 7 seculares (entre os 21 e os 55 anos) e 14 "empregados d'ambos os sexos no serviço interno e externo da communidade" (f. 4768/5).

Entre 22 de Novembro de 1858 e 29 de Janeiro de 1859, na presença de Quintiliano Augusto Xavier (empregado da Repartição da Fazenda do Distrito de Lisboa), Anna Micaela do Coração de Jesus (madre prioresa do convento) e António Joaquim de Ferreira (procurador do convento), procede-se à elaboração do inventário e avaliação dos prazos referentes ao convento, dividido em 9 cadernos, num total de 337 itens com uma avaliação total de 35:198$000 (f. 5494-5716/6).

A 31 de Janeiro de 1859, Francisco Antonio Lopes Nogueira da Silva (juiz conselheiro), Quintiliano Augusto Xavier (empregado da Fazenda), o capelão Theodoro Dias Leonardo, Anna Micaela do Coração de Jesus (madre prioresa, que se encontrava do lado de dentro das grades do convento), António Maria Tavares, Antonio José da Motta e Manuel Rodrigues (não sendo o documento claro se estes três últimos se encontraram presentes como louvados ou testemunhas), reuniram-se para inventariar e avaliar as "alfayas, paramentos, paineis e mais objectos destinados para o serviço do Culto Divino" (f. 4272-4293/5). Este inventário divide-se em objectos não categorizados [23 itens (3 dos quais surgem como desaparecidos aquando da elaboração do 2º inventário), avaliados em 6:182$000 - f. 4276-4280/5], objectos de latão (3 itens, avaliados em 508$000 - f. 4281/5), paramentos (45 itens, avaliados em 4:632$000 - f. 4282-4291/5) e painéis (dividindo-se em "quadros da igreja" e "quadros do convento", com uma avaliação total de 5:490$000 - f. 4291-4292/5).

Não existe (ou não consta desta documentação) qualquer descrição e avaliação do edifício do convento e da sua cerca.

Maria José do Coração de Jesus, última freira do convento, morre a 29 de Abril de 1885, pelo que, pouco depois, são iniciados os normais procedimentos de tomada de posse e inventariação/avaliação dos bens do convento, nos termos das instruções de 31 de Maio de 1862 (f. 4608-4618/5).

A elaboração do inventário acabar-se-ia por atrasar devido à tardia constituição do grupo de inventariantes (f. 4594-4607/5): depois de ter recebido a solicitação por parte do Director Geral dos Negócios Eclesiásticos para que indique o nome de um religioso para acompanhar a elaboração do inventário dos bens do convento, o Cardeal Patriarca alega uma temporária impossibilidade devido à "falta de sacerdotes para assistirem ao inventario, por que sendo este serviço gratuito e demorando muito tempo com algumas interrupções por parte dos empregados da fazenda ficam os mesmo sacerdotes inhibidos de procurarem meios de sustentação." Assim, "propõe que seja dada uma gratificação ao sacerdote, como se dá ao escrivão do inventário (f. 4594-4595/5). O problema seria posteriormente solucionado com a nomeação de Francisco Herculano Cordeiro, que seria elogiado pelo seu desempenho por Diogo Gomes de Moura, encarregado da elaboração do inventário (f. 4625/5).

A 09 de Julho de 1885 é elaborado o inventário dos "titulos de dívida publica, pratas, imagens, quadros, paramentos, alfaias, livros, louças, mobília e outros differentes objectos" na presença de José Gomes Arouca (administrador do Bairro Ocidental de Lisboa), de Francisco Herculano Cordeiro (Reverendo Presbítero nomeado pelo Cardeal Patriarca para assistir ao inventário) e de Diogo Gomes de Moura (encarregado da elaboração do inventário dos bens do convento).

Assim, este inventário é composto pelos títulos da dívida pública do convento (31 itens no total de 172:792$300 - f. 0918-0928/1); prata (descrição e avaliação feita a 20 de Julho seguinte, tendo como louvados Carlos Augusto dos Santos, "avaliador e contraste com loja na rua Aurea": 49 itens, no total de 4:712$860, sendo a mais cara das quais uma custódia, cuja avaliação corresponde a cerca de 70% do valor da avaliação total dos objectos de prata - f. 0929-0951/1); "imagens, paramentos, alfaias e outros objectos" [elaborado entre 17 de Agosto de 1885 e 8 de Janeiro de 1886, tendo como louvados Antonio dos Passos ("avaliador, com bazar na praça dos Restauradores") e Manuel Vitor Rodrigues ("architecto e pintor historico") - 660 tens, com uma avaliação total de 51:425$250, destacando-se pelo seu valor o "grande orgão - (no coro de cima) - autor Antonio Xavier Machado e Cerveira", avaliado em 6:000$000 e o "grande presepio com todas as figuras completas, escultura de Machado de Castro", avaliado em 3:600$000 - f. 0917-1097/1].

A 4 de Agosto de 1885 é assinado o termo de abertura do inventario das propriedades do convento situadas em Lisboa, na presença dos mesmos três intervenientes, tendo tido como louvados Raphael da Silva Castro (arquitecto) e Victor Rodrigues (proprietário, arquitecto e pintor histórico).

Neste documento a igreja é descrita como possuindo uma fachada composta "de duas ordens sobrepostas (compositas) assente sobre o adro e escadaria, tem cinco portaes, tres fasem parte do corpo centro e dois latraes, servem de embasamento as torres que extremão a fachada da igreja. O corpo central é ornado com quatro columnas da ordem corinthia, encimadas com as estatuas da Fé, Adoração, Liberalidade e Gratidão - entre o corpo central e a das torres, tem quatro nichos, com as estatuas de Santa Thereza, Santo Elias, Santa Maria Magdalena de Piza e São Jozão da Cruz. - Na ordem superior há em alto relevo representando os anjos em adoração ao Coração de Jesus, escultura de Machado de Castro, auctor da estatua de D. José, as mais estatuas são d'este esculptor e dos seus descipulos. O coroamento do corpo central acaba em frontão encimado por um pedestal de cantaria e cruz de bronze sobre os [...] corpos lateraes da fachada, assentam duas torres com [...] onze cinos - O relogio collocado na torre do lado o Este é um dos melhores que existem em Lisboa. A igreja é coroada pelo magnificio zimborio; a parte interna como a externa é decorada com pilastras da ordem composita e a lanterna decorada com columnas da mesma ordem de parte interna de todo o zimborio bem como o da igreja é dourada com tabellas de marmore de diversas côres. A frontaria da igreja é toda de cantaria - Toda a igreja é construida de cantaria lioz da milhor qualidade - Os cinco portaes dão entrada ao vestibulo onde estão duas estatuas de São José e Nossa Senhora, correspondente aos trez portaes da igreja, construidos de páu santo com ornamentos de metal dourado. Na parte central encontra-se um bello guarda vento de carvalho com bem trabalhados ornamentos de espinheiro. A forma da igreja é cruciforme, e a sua decoração é da ordem composita - O pavimento é de mozaico de pedras de côres, encarnado, azul e branco, de excellente desenho. No corpo da igreja, antes do cruzeiro, há seis capellas, trez por lado com quadros a oleo, com columnas de marmore de côr; do lado da Epistola, primeiro altar, representando São Thomé e Jesus Christo - Segundo altar, institução do convento - terceiro, Padre Eterno destribuindo sete trombetas - Lado do Evangelho, quarto altar, Santo Antonio adorando o Menino Jesus - quinto, sonho de São José; todos estes são escola romana; avaliados em dois contos e quinhentos mil reis - E o sexto, representando o Coração de Jesus, pintado pela [...] Princeza do Brazil D. Maria Benedicta, não tem valor artistico. Ao centro do cruzeiro fica o grande zimborio. A capella mór é ornada de duas columnas de marmore de côr que forma o retabolo, tendo este um quadro alegorico ao Coração de Jesus, pintado em Roma em mil sete centos setenta e quatro por Batoni, avaliado em seis contos de reis. Sobre as columnas, que são compositas, estão dois serafins de madeira. No lado da Epistola o mausoleo da Rainha D. Maria Primeira, construido de marmore preto com ornamentos de metal dourado e encimado por dois anjos, segurando em baixo relevo, com o retrato da Rainha. Aos lados do retablo estão os quatro Evangelistas, pintados por Pedro Alexandrino; avaliados em um conto e duzentos mil reis. Tambem na capella mór, como na do Santissimo, há dois ricos lampadarios de bronze dourados. Na capella do Santissimo está o quadro representando a Cea do Senhor, escola romana, avaliado em quatro contos de reis - O retabolo d'esta capella é igual ao da capella mór. - O sacrario é igual ao da capella mór. - O sacrario de madeira dourada, avaliado em quatro centos e cincoenta mil reis - Aos lados do retabolo dois quadros a oleo representando Benção dos Paes(?) - a aparição do Anjo a Nossa Senhora; avaliados em quatro centos mil reis. Dois nichos, tendo collocados, uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, avaliado em quinhentos mil reis, e o outro a imagem de Santa Thereza, avaliada em trezentos mil reis, escultura em madeira, de Machado de Castro. No cruzeiro do lado do Evangelho - duas estatuas de madeira em nichos, Santo Elias, avaliado em quatro centos mil reis; São João da Cruz, avaliado em trezentos mil reis - Na parte superior aos nichos estam dois quadros a oleo, representando, um a Virgem da Cadeira, e o outro a Sacra Familia; avaliados em quatro centos mil reis- Um rico commungatorio para as religiosas, de madeira dourada e excellente desenho e escultura, avaliado em quatro centos e cincoenta mil reis. Existem tambem no cruzeiro dois magnificos confessionarios moveis, de páu santo com ornamento de espinheiro e grades de metal dourado; avaliados em um conto e duzentos mil reis. Na sachristia do lado da epistola, está o tumulo do confessor de D. Maria Primeira não inferior ao da Rainha; em frente um altar com um quadro a oleo, representando o Calvario, de Pedro Alexandrino; avaliado em dusentos setenta e cinco mil reis. - As arcases são de carvalho com ornamentos de metal dourado e o tecto com uns quadros de Pedro Alexandrino. Um rico lavatorio de pedra e dois cabides moveis de carvalho e espinheiro, estes avaliados em quarenta e cinco mil reis. A sachristia do lado do Evangelho, os arcases e tudo igual á outra sachristia, tendo as paredes espelhos; altar ao fundo com quadro a oleo, representando Nossa Senhora da Conceição, avaliado em dusentos mil reis; aos lados d'este altar, dois quadros representando, um São João Baptista, avaliado em dusentos mil reis, o outro São Sebastião, avaliado em dusentos mil reis, ambos de Pedro Alexandrino. Sobre os arcases, dois quadros do mesmo autos, representando um libertação de São Pedro, e o outro conversão do (?); avaliados em dusentos e setenta mil reis. Dois ricos genuflexorios, embotidos com madeira de diversas côres e bom desenho, avaliados em seis centos mil reis. Lavatorio de pedra na parede e dois cabides moveis de carvalho e espinho, avaliados em quarenta e cinco mil reis. Pela parte detraz da capella mór ficam as arrecadações, onde está o Thesouro desarmado, de talha dourada, para a exposição do Santissimo, e balquino; avaliado em um conto e quinhentos mil reis. Existe um coreto desarmado, de madeira ordinaria, avaliado em cem mil reis; e quatro ricos bandos de páu santos com pequenos ornatos, avaliados em quatro centos mil reis - duas escadas de páu santo, sendo uma de sete degraus e outra de cinco, avaliadas em cincoenta mil reis. Existem tambem tres armarios e dois (?) de páu santo e carvalho, no valor de trezentos mil reis. Avaliaram a Igreja e suas depedencias em seil mil contos de reis" (f. 1652-1658/1).

Nº 2 - "Convento do Santissimo Coração de Jesus - Este edificio compoe-se de dois pavimentos em todo o perimetro, exceptuando nos ?, que olhão para o poente, onde há dois torreoes, que se acham a cima da linha geral dos telhados. Neste lado, como a cerca de baixo fica muito inferior ao primeiro pavimento do convento ahi ha uma escada de cantaria ao centro desta fachada que deita para a cerca; ao lado d'esta escada ficam algumas casas subterraneas que serviam de arrecadação do convento. A entrada para o convento, é pela portal do embarcamento(?) do lado d oeste. Entrando este portal, á direita, fica a entrada para a sala da ?, em seguida o parlatorio, onde há um quadro a oleo representando Santa Theresa, de Pedro Alexandrino; em seguida fica uma vasta sala, onde as freiras vinham fallar á grade; esta sala tambem tem um quadro a oleo do mesmo auctor. A esta sala segue-se a escada principal de cantaria para o pavimento superior; no vão desta escada, está uma casa, onde estão tres grande pias de cantaria, que serviam de deposito para aziete. Segue-se o vastissimo refeitorio, tendo ao fundo um quadro de grandes dimensões, representando a cea do Senhor e Apostolos, pintado por Pedro Alexandrino; a um lado fica um pulpito de cantaria com a escada mettida na [...] grossura da parede - Ao centro do refeitorio existem tres ? mezas, com pés de cantaria e taboleiros de carvalho - os bancos junto ás paredes são de igual construcção e material. Junto segue-se a copa; esta casa forma um dos angulos do edificio, tendo janellas para a rua de Santo Antoinio e para a cerca grande (lado occidental). Á copa segue-se as arrecadações, cosinha com uma bella meza de pedra ao centro - segue-se casa com pias de pedra para agua com torneiras de bronze, para lavagens - seguem-se mais casas n'este prolongamento até ao angulo do sul. O coro de baixo no mesmo pavimento é um grande paralelogramo, tendo no topo um riquissimo altar; o retabolo tem columnas de mosaico de pedra branca, preta e amarella, fronteiro a este altar fica a grade que deita para o Cruzeiro da igreja onde está o commungatório das freiras - nas paredes lateraes e fronteira ao altar existem quadros de valor, alguns são da escola italiana, um representa o Calvario, o outro a Rainha abrindo(?) o Coração de Jesus. Todos os quadros deste coro são fixos nas paredes e estão metidos em ricas molduras com obra de talha de bello dezenho e execução; o tecto é [...] ornado com quadros grandes pintados por Pedro Alexandrino - Junto ás paredes latraes há duas ordens de bancos fixos - junto á grade que deita para o cruzeiro há um orgão de caixa, movel - Em seguida a este côro fica uma grande capella com altar ao fundo com retablo de talha dourada, tendo as parede foradas com quadros a oleo. Tanto esta capella como o coro contiguo occupam toda a altura dos dois pavimentos do edificio, occupam, digo, edificio, recebendo luz dos dois claustros que lhes ficam aos lados. Para o lado do Sul ficam as casas de banhos com tinas de cantaria, latrinas e arrecadações - todas as mais casas que contornam os dois claustros e os que correm paralellas á igreja, são differentes depositos de cera, roupa e paramentos, esta casa dos paramentos tem dous arcazes de carvalho e metal, e o tecto tem um bello quadro pintado por Pedro Alexandrino. Este pavimento tem alem da escada principal mais duas, no patamar d'uma dellas, n'um nicho está em escala menor abaixo relevo que se vê na fachada da igreja executado por Machado de Castro em barro e colorido - obra prima - Todas estas casas são de abobada e os pavimentos de cantaria. No pavimento superior está o Coro de cima, que deita para a Capella Mór da igreja; tem um requissimo retabulo e altar de talha dourada, duas bellas esculturas de madeira com oitenta centimetro d'alto, representando São José e Nossa Senhora - um riquissimo orgão com excellente ornamentação de talha dourada, duas bellas esculturas, digo, dourada, tecto e sanca de estuque com pinturas a oleo e dourados tendo entrelaçadas alguns quadros a oleo de Pedro Alexandrino - Dá entrada para este coro um pequena escada com balaustrada de madeira, e o tecto no mesmo estylo do coro, tendo na sanca(?) umas tabellas com anjos bem desenhados e pintados por Pedro Alexandrino. Proximo no ante coro há duas capellas, uma com altar e camarim, com duas imagens de madeira de tamanho natural, e a outra com altar e pinturas a fresco em estulo Raphaelino. Toda a parte deste pavimento que olha para o Sul e parte de poente é occupada pelas cellas. Nos torreões extremos da fachada que olha para a Cerca de baixo ficam duas grandes salas e superiormente a estas tem outras duas salas; o que formão externamente os dois pontos elevados d'esta fachada. No fim do corredor do lado norte tem uma bella fonte de cantaria e ornamentada, com torneiras de bronze e bacia de pedra. Todas as casas que contornão os dois claustros são arrecadações, rouparias e mais dependencias do convento, com dois armarios e gavetas fixas, de carvalho. Neste pavimento há uma grande sala que se torna notavel por ser onde existe um riquissimo presépio, obra de insigne esculptura de Machado de Castro - O chão é de bom parquet e as vidraças que fecham o presepio tem bôa talha dourada. Em todo o convento todas as portas são de carvalho bem como o pavimento. Todo o edificio está no mais bello estado de conservação, e esta parte que forma só o convento, avaliaram em duzentos contos de reis; exceptuando o presepio, imagens e quadros (f. 1658-1664/1).

Consta também deste inventário uma "propriedade, que era Hospicio da Rainha D. Maria Primeira, situada nos trazes(?) da igreja do Convento, que se compõe de pavimento terreo e primeiro andar, - é de boa construcção, como o convento - tem uma bella escada de cantaria e grandes salas; actualmente serve de deposito de medicamentos do hospital militar da Estrella, a cargo do Ministerio da Guerra. Este edificio mede aproximadamente sete centos e setenta metros quadrados - confina do norte com a igreja do convento, sul com a cerca de cima do convento, nascente com largo da Estrella, e poente com o convento; avaliaram em [...] cincoenta contos de reis" (f. 1664/1).

Também uma "propriedade de casas, situadas na Praça do Convento do Coração de Jesus, com os numeros um, dois e tres" (f. 1665-1667/1) e as duas cercas: "cerca de baixo e cerca de cima [...] - A cerca de baixo limitada pelos muros indicados com as letras a, b, c, d, e, f, g e l. A cerca de cima é limitada pelos muros indicados com as letras g, h, i, j, h e l. A superficie da cerca de baixo é de dezenove mil e quinhento metros quadrados, aproximadamente, e a cerca de cima mede a sua superficie dois mil quinhentos e dezoito metros quadrados. Na cerca de baixo existe uma casa para guarda de objectos de lavoura celleiro A - com primeiro andar - tem nove capellas [...] [letra] B e uma pequena casa de regalo, letra C - Tem tres grandes tanques para agua, com grandes torneiras de bronze - letra D, um poço e competente nora, e dois lagos que em tempo foram cercados de jardins. Na entrada da cerca, tambem há uma casa, que serve para venda de hortaliças e frutas. A cerca de cima, tem um grande tanque com torneira de bronze, marcada na planta com a letra F = as ligações entre estas duas cercas é pela escada marcada na planta com a letra G. A Camara Municipal de Lisboa tem em projecto abrir uma Rua desde o largo da Estrella atravessando esta cerca indo sair ao sitio de Buenos Ayres, pela forma indicada na planta com as letras H L -; parecendo por isso conveniente fazer tambem a avaliação das cercas na hypotese de se abrir a referida rua Municipal. A superficie das duas cercas no estado actual é de vinte e dois mil e vinte metros quadrados, a trezentos reis cada metro quadrado, importa em seis contos seis centos e seis mil reis, quantia em que avaliaram as cercas [...] não contando com as capellas, arvores, e os grandes muros de alvenaria e encanamentos. [...] Valor total das capellas sete contos e oitenta mil reis" (f. 1667-1669/1).

A acompanhar este inventário (e servindo como legenda à descrição das cercas) existe uma planta da implantação do convento e respectivas cercas, importante documento para perceber o espaço conventual exterior (f. 1671/1).

A 17 de Outubro de 1885 é elaborado o auto de avaliação de "um boi e uma carroça existentes na cerca" do convento (f. 1269-1275/1). A 18 de Dezembro seguinte é concluída a descrição e avaliação da mobília, louças e outros objectos, num total de 509 itens avaliados em 3:973$450 (f. 1169-1267/1). A 30 de Agosto de 1886 é concluída a descrição e avaliação de 206 quadros com avaliação total de 8:010$790 (f. 1129-1167/1). Sem data e tendo como louvado Luiz Carlos Rebello Trindade (conservador da Biblioteca Nacional), é igualmente feita a "descripção e avaliação de todos os livros" contempla um total de 118 itens, com uma avaliação total de 201$300 (f. 1099-1127/1). A 27 de Janeiro de 1887 é elaborado o "Inventario parcial extrahido do inventario geral, dos vasos sagrados, imagens e mais objectos do culto e do serviço do templo", num total de 704 itens (todos tendo a correspondência ao respectivo número do inventário geral), com uma avaliação total de 61:063$310 (f. 1289-1465/1). O termo de entrega por depósito ao prior da freguesia da Lapa, dos vasos sagrados, alfaias e mais objectos do culto é assinado a 7 de Fevereiro seguinte (f. 1465-1468/1).

O auto de abertura do inventário dos prazos foreiros do convento ocorre a 15 de Setembro de 1887, na presença de Manuel Joaquim Carrilho Garcia (administrador do 4º Bairro de Lisboa) e Diogo Gomes de Moura (encarregado do inventário dos bens do convento). Tendo como louvados João Ignácio Leal e Joaquim Antonio Figueira (ambos empregados da Câmara Municipal de Lisboa), é composto por 337 itens, dos quais 5 no concelho da Golegã (f. 0465-0467/1 e f. 0821-0825/1), 1 no concelho de Armamar (f. 0468/1), 1 no concelho de Santarém (f. 0468-0469/1), 2 no concelho de Tavira (f. 0469-0471/1) e 328 no concelho de Torres Novas (f. 0471-0821/1). A 30 de Dezembro de 1887 foi elaborado o auto de inventário dos capitais mutuados: 23 itens, num total de 14:824$500 (f. 4733-4753/5). Entre 30 de Dezembro de 1887 e 21 de Abril de 1888 foi elaborado o inventário das propriedades no concelho de Torres Novas, constando de um total de 9 propriedades, entre terras, nascentes de água e uma ermida (f. 0077-0089/1).

A 26 de Julho de 1888 é elaborado um documento "addicional ao inventário dos bens" (f. 4757-4760/5).

A 5 de Novembro de 1885 é elaborada uma relação dos objectos do convento, escolhidos para o Museu Nacional de Belas Artes. Em virtude de não terem sido incluidos a totalidade dos bens pretendidos ("por não terem sido vistos"- f. 5724/6), a 17 de Setembro de 1887 é elaborada uma nova relação, actualizando e substituindo a anterior (f. 5730/6-5731/6, sendo a questão tratada até ao fólio 5764/5).

A 14 de Agosto de 1886 é assinado o "termo de entrega da Igreja do Convento da Estrella", na presença de Manuel Joaquim Carrilho Garcia (administrador do quarto bairro de Lisboa), de Diogo Gomes de Moura (encarregado da elaboração do inventário dos bens do convento) do Padre Francisco Herculando Cordeiro e de Dionysio Curado(?) d'Oliveira (coadjutor da freguesia da Lapa) - f. 1553-1561/1.

No decorrer de 1887 são encontrados no Convento de São Dionísio, em Odivelas, uma mesa baixa de ébano e 27 tabuleiros e bandejas pertencentes ao Convento da Estrela, que são inventariados, avaliados e entregues (f. 5160-5172/6).

Em 7 de Janeiro de 1887 é debatida a localização ideal onde deveriam "ser construidos os pavilhões [hospitalares] projectados na cêrca", com planta anexa (f. 5374-5376/6). Devido à "urgentissima necessidade de desaccumular desde já os doentes do hospital militar permanente de Lisboa, para se proceder ás obras no mesmo edificio [...] [, a 18 de Fevereiro de 1887, o Ministério da Guerra solicita a cedência provisória da] "cêrca e uma fieira de tres salas expostas a oeste e voltadas para a cêrca maior; uma sala, antiga casa de banho, virada ao sul, para o lado da cêrca pequena; cinco quartos escuros com vista para o claustro de baixo; e uma cosinha com suas dependencias e latrinas." Como resposta, a 2ª Repartição da Direcção Geral dos Próprios Nacionais considera "que nenhuma inconveniente há na cedencia provisoria das referidas casas, que se acham desocupadas. Com relação, porém, á cêrca consta estar arrendada e só por meio de mutuo accordo se poderá rescindir o respectivo contrato" (f. 4263-4271/5).

A 11 de Março, "a Camara Municipal de Lisboa solicit[ou] por intermedio do Governador Civil a quem dirigiu o officio constante da copia junta [...], auctorisação para abrir um portal de 6 a 8 metros de largura no muro da cêrca [...], na parte comprehendida pela projectada rua, afim de poder remober d'ali sem as deteriorar as duas palmerias, que lhe foram concedidas obrigando-se a construir depois n'aquelle logar para vedação hum muro de 2,m50 a 3m de altura", tendo-lhe sido concedidad a autorização solicitada (f. 4524-4533/5, encontrando-se uma planta no fólio 4530/5).

A 30 de Março de 1887 é assinado o Auto de Posse do edifício pelo Ministério da Guerra, na presença de Manuel Joaquim Carrilho Garcia (administração do quarto bairro de Lisboa), Antonio Maria Daniel (secretário da administração do referido bairro), "bem como [d]a comissão nomeada por Portaria de dezeseis de desembro de mil oito centos e sitenta e seis, composta do cirurgião mor subchefe da sexta Repartição do Ministerio da Guerra Guilherme José Ennes, doutor João Vicente Barros da Fonseca, cirurgião mor de cavallaria dois e Antonio Esmael Gandara Curty, tenente de engenharia, por parte do Ministério da Guerra" (f. 0013/1). Através deste documento é feita a "entrega provisoria ao Ministerio da Guerra a quem foi concedida [...] a parte do edificio do supprimido convento do Santissimo Coração de Jesus (á Estrella) que comprehende uma fieira de tres sallas expostas a oeste e voltadas para a cerca maior uma outra sala antiga casa de banho, virada para o sul, para o lado da cerca pequena, cinco quartos escuros com vista para o claustro de baixo, uma cosinha, suas dependencias e latrinas." É igualmente cedida, nas mesmas condições e ao mesmo ministério a entrega da cerca, "com a clausula do mesmo Ministerio se entender com o seu arrendatario e sem prejuizo dos terrenos necessarios para a abertura de uma rua ali projectada pela Camara Municipal d'esta cidade" (f. 0014/1).

A 15 de Junho foi assinado o termo de entrega "por depósito a Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos do Reino, dos armarios e mais objectos" (f. 1510-1514/1). A 13 de Julho seguinte é assinado o termo de entrega ao Ministério das Obras Publicas de uma sineta "com a clausula de o mesmo Ministerio remetter para a casa da moeda qualquer sineta que exista no sitio onde vai ser collocada a dita sineta" (f. 1515-1517/1). A 30 de Julho é assinado o termo de entrega, ao pároco da freguesia da Lapa, de toda a cera e "de todos os objectos do mesmo convento constantes da relação que acompanhou o [...] officio" (f. 1523-1546/1). A 11 de Janeiro de 1888 é assinado o termo de entrega que coloca "á desposição do Inspector da Academia de Bellas Artes, para serem provisoriamente arrecadadas no Museo Nacional de Bellas Artes" um conjunto de objectos do extinto convento (f. 1597-1606/1), a que se segue um outro, datado de 8 de Março seguinte, nos mesmos termos (f. 1613-1617/1). A 28 de Maio foi assinado o "Termo de entrega á Inspecção Geral das Bibliothecas e Archivos Publicos [...] que foram mandados entregar [...] para serem incorporados nas bibliotechas publicas" (f. 1577-1578/1). Dois dias depois, é assinado outro termo de entrega de livro à "Auctoridade Ecclesiastica" (f. 1581-1582/1). A 27 de Agosto é assinado o termo de entrega de um conjunto de objectos de culto ao pároco da freguesia da Lapa (f. 1587-1591/1). A 17 de Fevereiro de 1889 é assinado o termo de entrega por depósito dos "quadros que representam assumptos religiosos", num total de 175 itens, com uma avaliação total de 2:366$170 (f. 1469-1509/1). A 19 de Janeiro de 1888 é assinado o termo de entrega de "uma casa de pavimento inferior [...], a qual servia de locutorio das religiosas" ao "Tenente Coronel do Estado maior de cavallaria, Antonio Maria Bivar de Souza, chefe da circunscripção do recenseamento dos animais e vehiculos na primeira divisão Militar" (f. 1573-1574/1).

A 21 de Março de 1888, com a relação das suas despesas, Diogo Gomes de Moura traça um muito interessante retrato das dificuldades que teve no decorrer da elaboração do inventário, nomeadamente provocadas pela falta de apoio humano para a realização dessa tarefa. As principais informações a retirar deste documento são o facto de "os primeiros trabalhos [terem sido] [...] dirigidos, por pouco tempo, pelo administrador Arouca", de ter tido "ordem de dar paramentos, alfaias e tudo mais que houvesse no convento e podesse convir para as exequias de sua Magestade El Rei D. Fernando" e de que "há mais de um anno, estava o inventario quase concluido, [quando] começaram as obras no convento destinado para diversas Repartições publicas" (f. 4621-4626/5).

Em Outubro de 1889 é dada conta que o pároco da freguesia havia escolhido "umas cazas para residencia parochial e que n'esta conformidade foram mandadas arranjar pelo Ministerio das Obras Publicas" (f. 4483/5).

A 4 de Outubro de 1889, a Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos solicita a cedência de

"sete mesas formadas por pilares de marmores fixos ao lagedo do solo, e sobre estes pilares assentam tabuas de madeira do Brasil tambem fixas por meio de cavilhas de ferro chumbadas aos mesmos pilares." Esta mesas encontravam-se originalmente no refeitório do convento, dependência que fazia parte da área do edifício que havia sido cedido ao mencionado organismo, que as pretendem visto "presta[re]m se pela sua muita solidez e estabilidade a sobre ellas serem collocadas e convenientemente dispostas os [...] instrumentos, alguns muito pesados e de bastante valor." De referir que, à época, o refeitório servia de "arrecadação ou deposito dos differentes instrumentos que a mesma direcção possue" (f. 4449-4455/5). A 9 de Dezembro de 1889, o mesmo organismo solicita a cedência de "algumas pias de pedra lioz de grande dimensão que vão brevemente ser postas em praça [...] para o serviço de estampagem" (f. 4445-4446/5) - o termo de entrega desta pia é assinado a 14 de Março de 1890 (f. 4637-4638/5). A 19 de Dezembro seguinte, o Comandante do corpo do Estado-Maior solicita a cedência de "dois grandes moveis de mogno, que ainda não foram vendidos, uma commoda com 24 gavetas e um armario grande com commodas ao centro, os quaes muito conviriam para o archivo da secretaria d'aquella commando" (f. 4434-4442/5).

Outros pedidos de cedências de bens provenientes do convento encontram-se entre os fólios 4457-4468/5 e 4485-4521/5 (de entre os quais um completo processo que traça a história das diversas cedências das dependências do edifício e respectivos bens móveis (f. 4496-4507/5 e 4534-4592/5), de entre os quais, solicitações do pároco da Lapa para que lhe sejam entregues as chaves da igreja de modo a poder aí retomar as celebrações litúrgicas (f. 4556-4558/5); bem como um outro ofício, de 25 de Janeiro de 1886, no qual é referido que "os objectos de prata [do convento] [...] não vão andar por andar por mãos de pessoa alguma, vão simplesmente ser depositados na caixa geral dos depositos para ali permanecerem em quanto se não conclue o inventario, como garantia de segurança, muito conveniente e util para salvaguardar as responsabilidades de todos", recusando-se assim o depósito dessas peças, ao reverendo eclesiástico que havia sido nomeado para assistir ao inventário (f. 4566/5); e sobre o pedido de autorização que, em 1885, é feito de modo a que as pupilas do extinto convento que pretendem dele sair, possam levar consigo os seus objectos (f. 4590/5 e 4639-4641/5).

Em resposta ao ofício expedido pela Presidência da Relação de Lisboa, a 17 de Outubro de 1889 a Repartição de Fazenda do Distrito de Lisboa informa que o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria autoriza "a mudança do archivo do Tribunal d'esta Relação para um dos corredores do andar nobre do edifício do extincto convento do Santissimo Coração de Jesus. É este poir o titulo em virtude do qual esta Presidencia mandou occupar a parte d'aquelle edificio, onde actualmente se acha installado o seu archivo" (f. 4477-4481/5).

Por sugestão do escrivão, em Novembro de 1889, a repartição de Fazenda do 4º Bairro solicita que lhe sejam concedidos alguns dos móveis do convento devido à "muita carencia de mezas e estantes ou armarios para trabalho e arrumação de papeis" (f. 5382-5384/6). A 28 de Novembro de 1889 são assinados dois termos de entrega de um conjunto de móveis à Repartição de Fazenda do Distrito de Lisboa (f. 4428-4429/5) e das mesas do refeitório à Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos (f. 4430-4431/5).

A 30 de Novembro de 1889 são iniciados os procedimentos para a venda de objectos pertencentes ao espólio do convento (f. 4296/5). "Copia das verbas do inventario do espolio do supprimido convento do Santissimo Coração de Jesus, á Estrella, a cuja venda se deve proceder em hasta publica a quem mais der" (f. 4298-4362/5). Entre 1 de Dezembro de 1889 e 2 de Março de 1890 foram elaborados 9 autos de praça e 4 de arrematação (f. 4364-4401/5).

No início de 1891 a Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos solicita a remoção de um presépio de uma das salas do convento, pelo que o Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria ordena que o mesmo transite para a Academia de Belas Artes (f. 5132-5136/6).

Neste processo de extinção é igualmente tratada a questão do pedido de abonamento de "Pedro Jose da Silva, porteiro do zimborio e encarregado do relogio da torre da Real Basilica do Coração de Jesus (Estrella)", que depois do falecimento da última freira pôde manter o recebimento dos 12$000 mensais que recebia desde 1868 (f. 5086-5130/6). No entanto, tendo deixado de ter direito a esse recebimento a partir de 31 de Janeiro de 1892, solicitou a manutenção do pagamento em virtude de "o suppilicante não te[r] outros meios, nem pode[r] deixar de prestar o serviço de que se ácha encarregado" (fl 5090/6).

É também mencionada a questão levantada em 1894 sobre "uma porção ou Prebenda na Insigne e Real Collegiada de Santa Maria da Oliveira na Villa de Guimarães, Arcebispado de Braga. Pertence por Bulla Apostolica dada em 30 de Junho de 1790. Sentença pelo qual foi julgada datada de 27 de Janeiro de 1791, em virtude da qual se tomou posse aos 12 de Julho de 1791" (f. 5064-5077/6 e 5140-5155/6).

A 9 de Abril de 1894 é assinado o termo de abertura do Inventário dos livros, títulos e escrituras de prazos e mais documentos pertencentes ao arquivo do cartório, na presença de Francisco Paula de Mendonça Pessanha (administrador do quarto bairro de Lisboa) e de José Maria de Lima (encarregado da organização e elaboração do inventário do arquivo e bens foreiros). Encontra-se dividido em "livros manuscritos" (387 itens). O termo de encerramento é lavrado a 5 de Maio seguinte (f. 0338-0416/1). Este inventário teve a sua continuação (assinalada como "2ª parte") a partir do dia 2 de Junho, na presença dos mesmos intervenientes, sendo inventariados outros 62 itens (f. 0418-0454/1).

Dividindo-se em treze partes, o inventário dos bens foreiros do convento ocupa mais de metade dos fólios do processo de extinção (f. 1806/2-4012/4), decorrendo durante cerca de um ano (entre 9 de Abril de 1894 e 3 de Abril de 1895). Os 328 itens são descritos e avaliados, procedendo-se posteriormente à transcrição da escritura original dos foros. É elaborado por Francisco de Paula de Mendonça Pessanha (administrador do quarto bairro de Lisboa), José Maria de Lima (encarregado da organização e elaboração dos inventários do arquivo e bens foreiros do convento).

A primeira parte (referente aos concelhos de Armamar, Santarém, Torres Novas, Tavira e "4º bairro" de Lisboa) decorre entre 9 de Abril e 30 de Maio de 1894, num total de 6 itens (f. 1806-1923/2). A segunda parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 23 de Julho e 8 de Agosto de 1894, num total de 51 itens (f. 1926-2289/2). A terceira parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 13 de Agosto e 6 de Setembro de 1894, contemplando um total de 92 itens (f. 2295-2982/2). A quarta parte (concelho de Torres Novas), decorre entre 8 de Setembro e 13 de Outubro de 1894 e contempla 63 itens (f. 2214-2743/3). A quinta parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 17 de Outubro e 5 de Novembro de 1894, num total de 17 itens (f. 2744-2924/3). A sexta parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 29 de Novembro e 29 de Dezembro de 1894, num total de 25 itens (f. 2930-3245/3). A sétima parte (concelho de Torres Novas) decorre entre os dias 4 de Janeiro e 19 de Fevereiro de 1895, num total de 42 itens (f. 3248-3652/4). A oitava parte (concelho da Golegã) decorre entre 16 e 18 de Fevereiro, num total de 3 itens (f. 3656-3689/4). A nona parte (concelho de Tomar) decorre entre 21 de Fevereiro e 18 de Março, num total de 4 itens (f. 3692/4 e 3772/4). A décima parte (concelho de Santarém) decorre a 23 de Fevereiro de 1895 (f. 3774-3801/4). Referente a um único item, a décima primeira parte (concelho da Golegã) decorre a 23 de Março de 1895 (f. 3804-3819/4). A décima segunda parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 26 e 30 de Março de 1895, num total de 14 itens (f. 3822-3958/4). A décima terceira e última parte (concelho de Torres Novas) decorre entre 1 e 3 de Abril de 1895, num total de 9 itens (f. 3960/4 e 4012/4).

Ao longo do processo de extinção são frequentes os documentos sobre foros, prazos e domínios directos: em Torres Novas (f. 0050-0076/1, 0119-0139/1, 0238-0313/1, 0317-0336/1, 840-897/1, 1677/1-1779/2, 4039-4100/5, 4214-4228/5, 4241-4261/5, 4785-4846/5, 5180-5370/6 e 5416/5492/6), Lisboa, freguesia da Lapa (f. 0314-0316/1), Armamar (f. 1799-1805/2 e 1838-1859/2), Sintra (f. 4101-4168/5), Tavira (f. 4873-4881/5) e de diversas localizações (f. 0077-0113/1, 0182-0228/1, 4645-4723/5, 4909/5-5059/6; 5156-5159/6 e 5386-5394/6).

No início de 1895, a "Associação protectora de Asylos e Officinas para creanças pobres do sexo masculino" envia uma missiva ao rei, pedindo-lhe a concessão de uma parte da cerca do convento de modo a aí poder instalar o "Instituto, suas officinas [(oficinas de São José)] e dependencias". O pedido não é atendido por se considerar que a cerca, entregue ao Ministério da Guerra a 25 de Fevereiro de 1887, se havia já tornado "indispensavel ao serviço de saude do exercito, desde que ali se construiram duas enfermarias [...] onde podem installar-se oitenta doentes, sendo certo que, para o caso de uma epidemia, nenhumas outras possue este ministerio em condições de substituirem aquellas" (f. 4403-4410/5 e 4420-4421/5).

No decorrer do mesmo ano 1895 é elaborado um projecto de instalação de um bairro operário na cerca, consistindo "na divisão por ruas, paralellas umas e perpendiculares outras á avenida projectada [...] pela Camara Municipal de Lisboa, deixando de permeio diversos talhões de terreno, destinados ás habitações operarias" (f. 4414/5)

Entre 7 de Maio de 1895 e 6 de Maio do ano seguinte é elaborado por José Maria de Lima, o "Mappa de todos os bens, foros, censos, pensões e mais rendimentos" do convento (f. 1780-1791/2).

Em Abril e Julho de 1897, respectivamente, são cedidos ao Ministério da Guerra, um altar ("cedido [...] para o serviço religioso do [...] hospital, em quanto se não concluem as obras da respectiva egreja") e duas imagens (Nossa Senhora da Conceição e São José) (f. 4847-4865/5).

Num documento sem data, mas provavelmente dos primeiros anos do século XX, o convento é descrito como composto "de dois amplos pavimentos, achando-se instalado em quasi todo o primeiro n'uma pequena parte do segundo, o Deposito de Material pharmaceutico e Cirurgico, moveis e utensilos do Hospital da Estrela. No restante, na parte mais vasta portanto, está a "Direcção Geral dos trabalhos Geodesicos", e esteve tambem instalada a "Carta Agricola", hoje Instincta ficando sem aplicação os aposentos que lhe eram destinados, embora conservem ainda o mobiliario de repartição. Em uma dependecia foi collocado o archivo do tribunal da Relação de Lisboa.

Da cedência feita ao Ministério da Guerra apura-se o seguinte: Em 18 de Fevereiro de 1887, pedia o referido Ministério a concessão «provisoria[»], da cerca do extincto conventos, para n'ele construir 2 barracas-hospitaes destinados ao tratamento de officiaes e officiaes inferiores e de convalescentes e observandos; de 3 salas expostas a oeste e voltadas para a cerca maior, um outra sala, e a antiga casa de banho. Virados ao sul, para o lado e a cerca pequena; 5 quartos escuros com vista para o claustro de baixo, I cosinha com as suas dependencias e retretes. Por despacho de 25 de Fevereiro de 1887 foi dada a «concessão provisoria» de que se lavrou auto de entrega em 30 de Maio de 1887. Relativamente á Direcção Geral dos trabalhos Geodesicos, nem auto de entrega, nem despacho por esta Direcção Geral existem que legalisem a cedencia. Datado de 31 d'Outubro do mesmo ano há um officio do então Director Geral, Carlos Ernesto d'Arbués Moreira, em resposta a um outro que lhe fôra dirigido, communicando que a Direcção dos trabalhos Geodesicos se instalára n'aquella parte do edificio, por determinação do Ministro das Obras Publicas, sendo para esse fim pelo menos ordenado que se fizessem as obras necessarias. Acrescenta mais ser aquele «o único titulo» pelo qual a dita direcção Geral ficou de posse do edificio. Já em 1888 o facto dera logar a reparos, e assim foi que em 18 de Maio o chefe da Repartição dos Proprios Nacionaes officiava ao seu Director Geral participando-lhe ser desconhecida a ordem que auctorizava a cedencia do aludido edificio aos «Trabalhos Geodésicos», bem assim residencia nêle ao reverendo Prior da Lapa, a qual não lhe tinha sido communicada, sabendo apenas que ali se tinham instalado e continuavam no gozo do que se apossaram. O Director da Repartição de Fazenda de Lisboa, no officio que acompanhou o Inventario e mais documentos referentes ao extinto convento, consigna, que da parte do edificio mais importante estava de posse a Direcção dos Trabalhos Geodésicos, sem que tivesse conhecimento da autorização que tal permittia, em virtude do que o Director Geral despachou se pedisse conhecimento das determinações que motivaram a entrega.

Sobre o assumpto nada mais se esclarece ficando apurado ter sido ilegal a posse dada pelo Ministerio das Obras Publicas. Com a instalação do archivo a situação é analoga a um officio da secretaria do Ministerio das Obras Publicas, datado de 19 d'Outubro de 1889 e derigido ao Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, communica-lhe em nome do Ministro, que por portaria datada do mesmo dia, fora ordenado as obras necessarias em um dos corredores do andar nobre do extincto convento, para alli se fazer a instalação do archivo do Tribunal da Relação de Lisboa. Como referi, o Ministerio da Guerra instalou no extincto convento o deposito do material medico, e mobiliario cirurgico do exercito. Alem das duas "barracas-hospitaes" fez edificar na cerca pequena, outro grande barracão que serve de deposito ás viaturas do hospital da Estrela, e na mesma cerca, prejudicando a estetica do edificio, fez-se um muro que divide parte do terreno e que se dizia destinado á revelação de chapas photograficas dos trabalhos geodésicos, mas que afinal está cultivado de verdejante horta.

Da cedencia deste terreno tambem nada consta n'este Ministerio, sendo porem certo que alem de entaipar a propriedade, prejudica o serviço de transporte e o curso natural das chuvas, as quaes não tendo facil saida vão inundar por vezes o primeiro pavimento" (f. 0007-0008/1)

A igreja é descrita como "uma imitação reduzida de S. Pedro de Roma. Foi o elegantissimo edificio começado em 1779 e terminado por D: Maria I. Encerra quadros de Pompeo Batoni, datado um de 1781. O assumpto deste é alegorico: Quatro mulheres representando as quatro partes do mundo, contemplam o «Coração de Jesus» envolvido em anjos, apresentando pelo Papa. No mesmo plano a «Caridade» assentada junto a um altar onde se vê o «Calice» e a «Hostia». Por cima d'outra proxima está uma «ceia» do mesmo autor, e mais cinco parecendo tambem de Batoni ornamentam cinco capela lateraes da Nave, vendo-se na sexta um original da princeza «Benedicta» ou «a Princeza Viuva» (?) de D. João VI. Pedro Alexandrino também lá tem um original representando «Sant'Anna», e «Virgem e Jesus».

Para o Iº pavimento foi removido do convento, a pedido da Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos um grande presepio, de Machado de Castro, do qual algumas figuras são excellentes. Não me parece indispensavel para o culto, estando talvez melhor no Museu Nacional" (f. 0010/1-0011/1).

A Cerca encontrava-se "dividida em «Cerca de Baixo" e "Cerca de Cima". A superficie da primeira é de 19,503m2 e a da segunda de 2,519m2

Continha a "Cerca de Baixo"

9 capelas

1 casa com 1.º andar servindo de celeiro

3 tanques

1 casa de Regalo

Projectava a Camara Municipal abrir uma rua que atravessasse a Cerca desde o Largo da Estrella até á Rua de Buenos Ayres. Esse trabalho nunca se fez, existindo sim uma pequena rua que irá até a um terço aproximadamente do dito terreno.

Das 9 capelas resta uma. O celeiro foi-se, e de 3 tanques há dois muito mal cuidados. A casa de Regalo parece que foi transformada em sentina o Micotorio. Como disse já, o Ministerio da Guerra pedia auctorisação para construir lá 2 «barracões-hospitaes», mas edificou tres. Não é exagero calcular em 6,000m2 a aria em completo abandono, que atravessa de norte a sul toda a superficie, e a qual poderia ser vendida em talhões apezar do terreno estar um tanto desvalorisado pela visinhança dos edificios do hospital.

A Cerca de Cima está egualmente o Ministerio da Guerra de Posse, onde levantou, como já referi, um grande edificio destinado a viatura" (f. 0007-0012/1)

Num ofício sobre os trabalhos desenvolvidos na Estrela, enviado pela Direcção Geral da Fazenda Pública a 21 de Dezembro de 1912 é feito um ponto da situação, dando a conhecer que "na parte do Sul, que dá para a Cêrca denominada de "Cima" instalou-se uma dependencia do Ministerio da Guerra, com o deposito de material medico e cirurgico do hospital militar, havendo-se feito construir na referida Cêrca um enorme barracão destinado a viaturas pertencentes ao mesmo serviço. Esta concessão foi provisoriamente auctorizada, e existe d'ela auto de posse na qual é incluida tambem a cerca de "baixo", consideravelmente maior, sendo permittido ao Ministerio da Guerra ali edificar duas "barracas-hospitaes", destinados á convalescença de oficiaes superiores e menores. Em vez porem de dois barracões fizeram tres, sendo destruidas não sei se por esse motivo oito capelas e escapando uma, que lá está transformada em palheiro [...]. Porção grande de terreno em manifesto abandono, n'uma grande facha que atravessa de Norte a Sul, e que não é exagero calcular em 6.000m2, está sem aplicação, podendo talvez, a não se lhe encontrar melhor destino, ser vendido em talhões, que embora um tanto desvalorisados pela visinhança dos annexos do hospital, produziria por calculos minimos 7:200.000 reis. A estetica do extincto convento está um tanto prejudicada pelo lado Sul, com um muro levantado na cerca de "cima", destinado a dividir o terreno, parte do qual seria, segundo se dizia, aplicado á revelação de chapas photograficas dos Trabalhos Geodesicos, sendo porem certo, que só lá encontrei uma horta plantada. O referido muro, alem do prejuizo indicado, traz embaraços á entrada e sahida dos carros do hospital, e desvia o curso natural das chuvas, que pelas informações colhidas, innundam por vezes as casas terreas do edificio. A parte principal, comsentrada pela rua de Santo Antonio á Estrella, está ocupada pela Direcção Geral dos Trabalhos Geodesicos. O Ministerio das Finanças foi completamente alheio a esta cedencia, não existindo nem despacho do respectivo Ministro que a auctorizasse, nem auto de entrega. Já em 1888 o facto trouxe varios reparos por parte do Director Geral dos Proprios Nacionaes, alludindo-se em oficios trocados, que tanto aquella repartição como o reverendo Pior da Lapa, continuavam no gozo de dependencias do edificio de "que se apossaram". Instado para explicações o então Director Geral Arbués Moreira, respondeu em 1887 que a instalação fôra ali feita por determinação do Snr. Ministro das Obras Publicas, que para esse fim ordenára as obras necessarias, sendo aquelle o "único titulo" que sobre o assunto podia apresentar. Ligeiramente me referirei á magnifica Egreja da Estrella, uma linda redução de S. Pedro de Roma, onde está o conhecido presepio de Machado de Castro removido do extincto convento para o primeiro pavimento do templo. [...] me parece aquelle conjuncto de figuras de barro, algumas explendidas, perfeitamente dispensavel para o culto, estando talvez mais acessivel aos visitantes no Museu Nacional. Varios moveis e objectos foram entregues a diferentes colectividades de cujas entregas existem os respectivos autos. Como deposito, recebeu o reverendo prior da Lapa verbas descriptas no Inventario no valôr aproximado de 63:000.000, e o Snr. Patriarcha, verbas avaliadas em 2:336.170 reis, entregas que foram feitas sob a invocação do artigo 10º do decreto de 31 de Março de 1862.

Á Direcção Geral dos trabalhos Geodésicos, como "deposito", foram tambem cedidos varios moveis, incluindo um magnifico relogio com caixas de xarão avaliado em 130.000 reis, o qual julgo de merecimento. Relativamente a fóros, há mais de 300 em Torres Novas, ignorando se a cobrança é regular, por nada constar a tal respeito na Inspecção de Finanças do destricto de Lisboa" (f. 0002-0005/1).

A 8 de Janeiro de 1913 é posta em causa a avaliação do inventário elaborado em 1885, uma vez que "pelas investigações até agora realisadas [...] [deu-se] pela falta de verbas avaliadas no total de 10:036$100 réis". Assim afirma-se a necessidade de "rever uma a uma e confrontal-as [as avaliações] com as do arrolamento judicial realisado [...]. Não é facil esse trabalho, porquanto a descripção dos lotes feita por quem pouco ou nada percebia de objectos d'arte, é muito desigual, e a mais recente muito laconica" (f. 0035-0037/1) - esta referência à descrição dos lotes "mais recente" reportar-se-á ao "inventário judicial levado a effeito em 26 de Outubro de 1910" referido no fólio 0022/1. Acompanhando este relatório, existe a relação dos objectos de "prata, moveis, paramentos e imagens extraviados do extincto Convento do Coração de Jesus á Estrella segundo o inventario feito em 1885" (f. 0026-0034/1) num total de 79 itens com uma avaliação total de 4:193$330 (paramentos: 24 itens avaliados em 2:344$000; imagens: 19 itens avaliados em 956$500, móveis: 17 itens avaliados em 794$000; pratas: 19 itens avaliados em 98$830) e uma outra referente aos "tecidos, louças, quadros e mais objectos extraviados" (f. 0038-0048/1), num total de 144 itens avaliados em 8:605$100 (reposteiros e mais tecidos de ornamentação: 62 itens avaliados em 5:786$600; casquinhas: 3 itens avaliados em 23$200; almofadas de damasco e diversos tecidos de seda: 34 itens avaliados em 198$000; porcelanas, faianças da China e outras: 26 itens avaliados em 1:069$000; bronzes e outros metais: 10 itens avaliados em 303$300; quadros (pintura sobre tela): 9 itens avaliados em 1:225$000).

No mesmo sentido, a 3 de Fevereiro seguinte é feita uma relação dos "objectos que figuraram na Exposição de Arte Ornamental de 1882, como pertencentes ao Convento do "Coração de Jesus" á Estrella [...] [e] que faltam" (f. 0019/1), aos quais se parecem somar "seis panos designados por "Arráz" [...],que não foram descriptos no Inventario começado em 1885, que só faz menção d'um entregue ao Museu Nacional, não sendo o seu desenho, indicado no dito arrolamento, em nada semelhante aos cinco" aludidos (f. 0020/1). Assim, assume-se que "se não foram removidos para qualquer Paço ou estabelecimento do Estado - o que rapidamente se averigua pelo assumpto dos seus desenhos - evidentemente foram criminosamente desviados no periodo que decorreu da Exposição ao Inventario a que se procedeu por ordem d'este Ministerio" (f. 0020/1).

Cronologia
1781-01-13 Carta de doação de D. Maria I mandando fundar no sítio do Casal da Estrela, em Lisboa, um convento de religiosas Carmelitas Descalças.
1823-09-12 Anunciado na Gazeta de Lisboa que quem quiser arrendar os dízimos das quatro igrejas matrizes da vila de Torres Novas, e suas filiais e anexas, pertencentes ao Convento do Santíssimo Coração de Jesus, deve falar com o seu procurador no Convento do Corpus Christi, na Rua dos Fanqueiros.
1827-07-31 Publicada na Gazeta de Lisboa a medição, na nascente, da água cedida ao Aqueduto Geral das Águas Livres, entre 1 de maio e 17 Julho 1827, pelo Convento do Coração de Jesus.
1829-06-26 D. Miguel e as infantas assistem na igreja do convento à celebração da festividade do Santíssimo Coração de Jesus.
1834-05-30 É decretada a extinção de todas as casas religiosas masculinas das Ordens regulares e a nacionalização dos seus bens. As comunidades femininas mantêm-se mas ficam impedidas de emitir votos.
1837-06-20 Portaria da Secretaria de Estado dos Negócios solicitando à Câmara que informe sobre o requerimento da prioresa do Convento da Estrela, que pede a restituição da água que recebem do aqueduto, que lhes fôra concedida por mercê de D. Maria I e que lhes foi retirada para servir o Hospital da Estrelinha.
1837-08-02 Ofício de resposta à portaria de 20 de Junho, no qual a Câmara informa que a parte da água do convento que vai para o Hospital da Estrelinha resulta de um encanamento mandado fazer pela Repartição das Obras Militares, pelo que só Sua Majestade poderá tomar as providências exigidas pelas religiosas.
1856 Um mapa de pessoal do convento (professas e seculares) identifica 9 religiosas conventuais (com idades compreendidas entre os 48 e os 79 anos), 7 seculares (entre os 21 e os 55 anos) e 14 empregados de ambos os sexos no serviço interno e externo da comunidade.
1859-01-31 Autos de inventário e avaliação das alfaias, paramentos, painéis e outors objectos destinados ao serviço do Culto Divino.
1859-11-22 | 1860-01-31 Realiza-se o pimeiro inventário de bens do Convento de Nossa Senhora da Estrela.
1861-04-04 Lei sancionando o decreto das cortes gerais de 28 de Março de 1861, que estabelece os termos em que deve proceder-se à desamortização dos bens eclesiásticos. O artº 11º refere que "Todos os bens que, no termo d´esta lei, constituírem propriedade ou dotação de algum convento que for supprimido na conformidade dos canones, serão exclusivamente aplicados á manutenção de outros estabelecimentos de piedade ou instrucção e á sustentação do culto e clero". E que uma lei especial regulará esta aplicação.
1862-05-31 Decreto que regula a execução do artigo 11º da Lei de 4 de Abril de 1861. Inclui as instruções "sobre a administração e rendimento dos conventos de religiosas suprimidos".
1885-04-29 Morre Maria José do Coração de Jesus, última religiosa professa, e o Convento de Nossa Senhora da Estrela é suprimido.
1885-07-09 Inventário dos títulos da dívida pública do convento (total de 172:792$300).
1885-07-20 Inventário e avaliação dos objectos de prata (total de 4:712$860).
1885-08-17 | 1886-01-08 Inventário e avaliação das imagens, paramentos, alfaias e outros objectos (total de 51:425$250). O presépio da autoria de Machado de Castor é avaliado em 3:600$000.
1886-07-22 Decreto determinando a transferência da sede da freguesia de Nossa Senhora da Lapa para a Igreja do extinto convento.
1886-08-14 Termo de entrega da igreja ao prior da freguesia de Nossa Senhora da Lapa.
1887-01-07 É debatida a localização dos pavilhões hospitalares projectados para a cerca.
1887-02-07 Termo de entrega por depósito ao prior da freguesia de Nossa Senhora da Lapa, dos vasos sagrados, alfaias e mais objectos do culto.
1887-02-18 O Ministério da Guerra solicita a cedência provisória da cerca e de várias dependências do antigo convento para se instalarem os doentes do Hospital Militar Permanente. A 2ª Repartição da Direcção Geral dos Próprios Nacionais considera não haver inconveniente na cedência provisoria das referidas casas, que estão desocupadas. Quanto à cerca, informa que terá de se rescindir o contrato de arrendamento.
1887-03-30 Auto de posse do edifício pelo Ministério da Guerra. É também cedida a entrega da cerca, com a cláusula do ministério se entender com o seu arrendatário e sem prejuízo dos terrenos necessários para a abertura de uma rua ali projetada pela Camara Municipal.
1887-04-28 É aprovado em sessão de câmara o parecer da Comissão de Obras sobre a abertura de uma rua a ligar o Largo do Convento Novo do Coração de Jesus com as ruas do Patrocínio e Saraiva de Carvalho. Considera a Comissão que "a abertura d´esta rua é de grande conveniencia para ligar o novo bairro de Campo d´Ourique com o importante bairro de Buenos-Ayres, e com a parte baixa da cidade por intermedio da calçada da Estrella".
1887-07-10 É aprovado em sessão de câmara o projecto e orçamento para a abertura de uma rua a ligar o Largo do Convento Novo do Coração de Jesus com as ruas do Patrocínio e Saraiva de Carvalho. A obra é orçamentada em 50:510$000.
1887-07-15 Autos de inventário dos prazos foreiros do convento.
1887-07-17 Relação dos objectos do convento escolhidos para o Museu Nacional de Belas Artes (actualiza e substitui uma outra datada de 5 Novembro 1885).
1887-10-31 Um ofício do Director da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos comunica que aquele organismo se vai instalar em parte do antigo convento por determinação do Ministro das Obras Publicas.
1887-12-30 Auto de inventário dos capitais mutuados (total de 14:824$500).
1888-05-18 O Chefe da Repartição dos Próprios Nacionais informa desconhecer a ordem que autorizava a cedência do aludido edifício aos "Trabalhos Geodésicos". Mais tarde fica apurado ter sido ilegal a posse dada pelo Ministério das Obras Publicas.
1888-05-28 Termo de entrega dos livros da biblioteca do convento à Inspecção Geral das Bibliotecas e Arquivos Públicos, para serem incorporados nas bibliotecas públicas.
1889-04-09 | 1889-05-03 1ª parte do inventário dos livros, títulos e escrituras de prazos e mais documentos pertencentes ao arquivo do cartório.
1889-06-02 Início da 2ª parte do inventário dos livros, títulos e escrituras de prazos e mais documentos pertencentes ao arquivo do cartório.
1889-11-30 Início dos procedimentos para a venda de objectos pertencentes ao espólio do convento. Entre 1 de Dezembro de 1889 e 2 de Março de 1890 são foram elaborados 9 autos de praça e 4 de arrematação.
1894-04-09 | 1895-04-03 Inventário dos bens foreiros do convento.
1895 Projecto de instalação de um bairro operário na cerca, junto à avenida projectada pela CML.
1895-01 A "Associação protectora de Asylos e Officinas para creanças pobres do sexo masculino" pede a sua majestade a concessão de uma parte da cerca do convento para aí instalar o "Instituto, suas officinas [(oficinas de São José)] e dependencias". O pedido é recusado por se considerar que as duas enfermarias já construídas na cerca, com capacidade para 80 doentes, são indispensáveis ao serviço de saúde do exército.
1895-05-07 "Mappa de todos os bens, foros, censos, pensões e mais rendimentos" do convento .
1895-08-04 Termo de abertura do inventário e avaliação das propriedades do convento situadas em Lisboa. A igreja (e suas dependências) é avaliada em 6:000000$000 (seis mil contos de réis); o edifício conventual é avaliado em 200:000$000; o Hospício da rainha D. Maria é avaliado em 50:000$000; e as duas cercas são avaliadas em 6:606$000.
1910-06-16 Decreto de classificação da Basílica da Estrela como Monumento Nacional (publicado a 23 de Junho).
1910-06-26 Inventário judicial relativo ao extravio de pratas, paramentos, mobília e imagens identificados no inventário de 1885.
1913-01-08 É posta em causa a avaliação do inventário elaborado em 1885, uma vez que as investigações realizadas em 1910 indicam que faltam verbas avaliadas em 10:03164000.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

Desenho relativo à Igreja do Santíssimo Coração de Jesus da Estrela. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Enfermaria de cabos e soldados na cerca do extincto Convento da Estrella. [1899].

Parte da planta da cerca do Real Mosteiro do Santíssimo Coração de Jesus no sítio da Estrela, donde se mostra de banho vermelho o que está feito, e de amarelo o que está para fazer. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Planta geral do Hospital Militar da Estrela [em Lisboa] : corpo principal, cerca.

Planta topográfica do Largo da Estrela e suas imediações: na qual se mostra o terreno que foi cerca do extinto Colégio da Estrela da Ordem de São Bento. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Projecto do novo alinhamento que deve ter a praça do Convento do Coração de Jesus. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

Cartografia

[Enquadramento urbano | Convento do Santíssimo Coração de Jesus da Estrela, 1834].

[Enquadramento urbano | Convento do Santíssimo Coração de Jesus da Estrela, 2015].

FOLQUE, Filipe; - [Carta Topográfica de Lisboa e seus arredores, 1856/1858]. 1:1000. 65 plantas; 92 X 62,5cm, Plantas 40 e 41 (Agosto 1856).

Manuscrito

[Consultas da Comissão Eclesiástica da Reforma]. [Manuscrito]1822-1823. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 268, n.º 4, Caixa 214.

Inventário de Extinção do Convento do Coração de Jesus da Estrela de Lisboa. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ANTT, Ministério das Finanças, Convento do Coração de Jesus da Estrela de Lisboa, Cx. 1941 a 1946.

Monografia

Actas das Sessões da Câmara Municipal de Lisboa no anno de 1887. Lisboa: Imprensa Democrática, 1887.

Synopse dos principaes actos administrativos da Câmara Municipal de Lisboa em 1837. 2º Edição. Lisboa: Imprensa de Candido Antonio da Silva Carvalho, 1838, pp. 71-72.

Periódico

Carta de doação de 13 de Janeiro de 1781. Supplemento à Collecção da Legislação Portugueza [...]. Anno de 1763 a 1790. Lisboa: Na Typ. de Luiz Correa da Cunha. 1844, pp. 501-502.

Decreto de 22 de Julho de 1886. Collecção Official de Legislação Portugueza, Anno de 1886. Lisboa: Imprensa Nacional. 1887, p. 420.

Decreto de 31 de Maio de 1862. Collecção Completa de Legislação Ecclesiastico-civil desde 1832 até ao presente, 1º volume. Porto: Typographia Gutenberg. 1896.

Gazeta de Lisboa, nº 150. Lisboa: Na Impressão Régia, [27 de Junho de 1829], p. 622.

Gazeta de Lisboa, nº 171. Lisboa: Na Impressão Régia, [21 de Julho de 1828], p. 933.

Gazeta de Lisboa, nº 179. Lisboa: Na Impressão Regia, [31 de Julho de 1827], p. 1026.

Gazeta de Lisboa, nº 216. Lisboa: Na Impressão Régia, [12 de Setembro de 1823], p. 1484.

Lei de 4 de Abril de 1861. Collecção Official de Legislação Portugueza [...]. Anno de 1861. Lisboa: Imprensa Nacional. 1862, pp. 155-157.

RODRIGUES, Fernando de Matos - Visita do Grupo "Amigos de Lisboa" ao antigo Convento de Brancanes (Batalhão do Serviço de Saúde),. Olisipo, nºs 150-151-152. Lisboa: Ramos, Afonso & Moita, Lda.. 1987-1988-1989, pp. 43-58.

Material Fotográfico
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Fachada sul. DPC_20140416_205.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira. DPC_20141028_004.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira | Relógio. DPC_20141028_005.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira | Pormenor. DPC_20141028_009.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira | Fogaréu. DPC_20141028_010.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira. DPC_20141028_012.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Tubos de queda. DPC_20141028_018.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Tubos de queda | Pormenor. DPC_20141028_013.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira | Pormenor. DPC_20141028_023.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Cobertura da Igreja. DPC_20141028_054.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Torre sineira | Sino. DPC_20141028_027.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Zimbório | Pormenor. DPC_20141028_032.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Zimbório | Pormenor. DPC_20141028_038.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Claustro norte. DPC_20141028_058.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Claustro sul. DPC_20141028_059.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Igreja. DPC_20141028_099.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Igreja. DPC_20141028_105.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Portaria. DPC_20141028_114.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Corredor lateral de acessso ao claustro. DPC_20141028_118.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Galeria. DPC_20141028_122.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Galeria. DPC_20141028_125.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Galeria | Piso superior. DPC_20141028_171.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul. DPC_20141028_173.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Bancos piso superior da galeria. DPC_20141028_179.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Guarda. DPC_20141028_181.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Cozinha. DPC_20141028_135.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20141028_147.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Corpo intermédio. DPC_20141028_153.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_129.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete | Pátio. DPC_20140416_131.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_139.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_140.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_140.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete | Azulejo. DPC_20140416_143.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_145.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete. DPC_20140416_153E.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete | Azulejo. DPC_20140416_156.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Palacete | Azulejo. DPC_20140416_146.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_159.
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Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_188.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_174.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_164E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_171.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul | Cozinha. DPC_20140416_181.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona sul. DPC_20140416_173.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro norte. DPC_20140714_084E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro norte | Galeria. DPC_20140714_080.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro norte | Galeria. DPC_20140714_082.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Escadaria. DPC_20140714_077.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso. DPC_20140714_024.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona Norte | 2º Piso | Claustro norte | Galeria. DPC_20140714_052.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso | Claustro norte | Galeria. DPC_20140714_054.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso | Casa da Rainha. DPC_20140714_014E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso | Casa da Rainha. DPC_20140714_017.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso. DPC_20140714_028.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Torreão. DPC_20140714_036E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso. DPC_20140714_032E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Refeitório. DPC_20140714_075E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 2º Piso | Lavatório. DPC_20140714_049.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | 1º Piso. DPC_20140714_068E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Refeitório. DPC_20140714_071E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Refeitório. DPC_20140714_062E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona norte | Lavatório. DPC_20140714_130.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul. DPC_20140714_108E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Galeria. DPC_20140714_112.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Claustro sul | Fontanário | Bica. DPC_20140714_124.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Interior | Zona central | Escadaria. DPC_20140714_127E.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Real Convento do Santìssimo Coração de Jesus | Exterior | Pedra de fundação do Convento.
Hospital Miltitar Principal. Perspectiva Historica, pag.37.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Hospital Militar Principal | Cerca. A59513.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Cerca | Av. Infante Santo. A69489.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Cerca | Av. Infante Santo. A69490.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Cerca | Abertura da Av. Infante Santo. JBN004381.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Hospital Militar Principal | Cerca. B093115.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Hospital Militar Principal | Cerca. A63850.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Convento do Santíssimo Coração de Jesus | Exterior | Cerca | Abertura da Av. Infante Santo. JBN004380.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Real Convento do Santìssimo Coração de Jesus | Exterior | Fachada Norte. ACU000551.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Real Convento do Santìssimo Coração de Jesus | Exterior | Perspetiva geral. N26498.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Inventariantes
Tiago Borges Lourenço
Rita Mégre
Última atualização - 2019-07-31

Imagens: 104