Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Mosteiro de Santa Brígida

Código
LxConv026

Outras designações
Convento de Santa Brígida; Convento de São Salvador de Sion de Lisboa; Mosteiro de Santa Brígida de Lisboa; Convento das Inglesinhas; Convento das Inglesinhas do Mocambo; Convento do Quelhas

Morada actual
Rua do Quelhas, 6; Rua das Francesinhas, 10; Travessa de Miguel Lupi; Rua Miguel Lupi

Sumário
Fugindo às perseguições religiosas em Inglaterra, em 1539 as freiras do Convento de São Salvador de Sion partem para a Flandres onde, não encontrando paz, se mudam sucessivamente, chegando a Lisboa em Maio de 1594. Depois de um período de cerca de meia década no Convento da Esperança, instalam-se no início de seiscentos em parte de uma casa particular que lhes havia sido cedida, a partir da qual começam a construir o seu cenóbio. O edifício é reconstruído duas vezes (após o incêndio de 1651 e do Terramoto de 1755) até à saída das religiosas em 1861, ano em que regressam a Inglaterra. Mantendo-se em posse religiosa e estrangeira, o edifício é dividido, tornando-se na sede da Companhia de Jesus em Lisboa e no Colégio "Jesus Maria José "de irmãs doroteias, convivendo com períodos de forte agitação social anti-clerical que o transformaram num dos mais ferozes focos do conflito no 5 de utubro de 1910, altura em que os seus ocupantes são expulsos do edifícios e do país. Pela primeira vez em propriedade portuguesa, acolheu desde então três pequenos museus, as instalações da Emissora Nacional (de novo ponto nevrálgico de outra revolução, a 25 de Abril de 1974) e mais de um século de ensino superior de comércio/economia e gestão.

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem do Santíssimo Salvador

Género
Feminino
Masculino

Data de fundação
c. 1600

Data de reconstrução
1651-10-02

Data de extinção
1869-03-03

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa\Monástico-conventual

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Convento
Claustro
Igreja
Cerca de recreio

Tipologia de uso
Atual - Civil\Equipamento
Inicial - Religioso\Mosteiro ou Convento

Caracterização actual
Situação
Convento - Existente
Igreja - Existente
Cerca - Existente / construída

Propriedade
Estado

Ocupação
Convento - Ocupado(a) - ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão
Igreja - Ocupado(a) - ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão

Acesso
ISEG - Público\Livre

Descrição
Enquadramento histórico
A 22 de Fevereiro de 1415, em Isleworth (arredores de Londres), Henrique V funda dois conventos, um dos quais professando a regra de Santa Brígida, da Ordem do mesmo nome fundada na Suécia cerca de meio século antes. Tendo como oragos São Salvador, a Virgem Maria e Santa Brígida, o cenóbio brigitino de Syon (à semelhança dos demais da ordem) era misto, sendo governado por um confessor geral e por uma abadessa, numa comunidade que contava com 60 religiosas e 25 religiosos, de entre os quais quatro professas, três noviças e dois padres vindos do sueco Mosteiro de Vadstena, casa-mãe da ordem.

Em virtude das perseguições religiosas a católicos empreendidas por Henrique VIII a cobro da reforma protestante, em 1539 a comunidade vê-se obrigada a abandonar Inglaterra, partindo inicialmente em direção a Dendemonde, na Flandres, onde a Ordem de Santa Brígida tinha um convento. No entanto, não encontram aí a paz que desejavam, sendo continuamente perseguidas durante mais de meio século por territórios flamengos e franceses: "Estabeleceram-se, ora em um lugar, ora em outro, achando todos os lugares pouco satisfatórios: a Zelândia por ser insalubre e exposta aos piratas, Mishagen por estar exposta aos calvinistas e luteranos, Mechlin às guerras religiosas, Antuérpia às represálias protestantes das atrocidades espanholas, Ruão a Henrique de Navarra" (MACAULAY, 1950, p. 233).

A vinda para Portugal, que terá ocorrido como último recurso perante a escalada de contínuas perseguições, não terá sido precedida de qualquer preparação visto que parece não ter havido qualquer contacto preparatório que lhes pudesse garantir alojamento ou proteção à chegada. Partindo de França a 8 de Abril de 1594 (Sexta-feira Santa), após uma viagem não isenta de percalços, a 20 de Maio desembarcaram em Lisboa vinte e duas freiras, sete padres, dois irmãos leigos e uma criada francesa, "cansados, doentes, apreensivos quanto ao seu futuro e ignorantes da língua portuguesa mas dando graças por ter chegado" (Idem, p. 233). À chegada são (bem) recebidas pelo arcebispo da cidade que se prontificou para suportar o seu sustento até o rei começar a pagar a pensão devida (dois mil réis diários). No entanto, pouco depois o arcebispado procura deixar de as ter sob sua alçada, altura em que passam a responder diretamente ao Vaticano.

Recolhem imediatamente ao Convento de Nossa Senhora da Piedade da Esperança, da Ordem de Santa Clara, aí ficando durante cerca de meia década. Em 1596, por Breve de Clemente VIII, é autorizada a criação do novo convento sob jurisdição do Núncio Apostólico, o que só ocorre de facto no início do século seguinte. Em 1599/1600, Isabel de Azevedo, uma nobre portuguesa, ofereceu-lhes alojamento em parte da sua própria habitação, cujo edifício lhes deixa em testamento. No entanto, as religiosas tiveram até Março de 1603 pela autorização do Papa Clemente VIII para o funcionamento do cenóbio na parte da casa que lhes havia sido oferecida, ainda que seja de admitir que a comunidade já aí vivesse desde pouco depois da cedência, conforme parece indicar o texto sobre a entrada no convento da Madre Brígida de Santo António, onde perpassa a ideia de que as religiosas já não estariam na Esperança (SANTA MARIA, 1701, pp. 32-47).

Apesar de a comunidade se pretender marcar orgulhosa e exclusivamente inglesa, desde a sua fundação permitiu a entrada pontual a religiosas de outras nacionalidades, existindo menção a 2 holandesas e 3 portuguesas no relato que faz Thomas Robinson em 1622 (ROBINSON). Uma destas, Leonor de Mendanha, torna-se das primeiras noviças da casa lisboeta (em 1601), professando no ano seguinte, escolhendo para si o nome de Brígida de Santo António. No decorrer da segunda metade da década de 1640, torna-se na única portuguesa eleita abadessa em toda a história do cenóbio inglês, cargo que ocupa durante pouco menos de uma década, até à sua morte em 29 de Junho de 1655.

A excepcionalidade do caso de Brígida de Santo António é tanto mais significativa se for levado em conta que no decorrer dos mais de dois séculos e meio que a comunidade esteve em Lisboa, sempre procurou um regime de quase exclusividade relativa à nacionalidade inglesa das suas religiosas, a ponto de terem fundado um segundo cenóbio (Convento de Nossa Senhora da Conceição de Marvila, cuja escritura foi assinada em 1655) para religiosas portuguesas (sendo a sua primeira abadessa Soror Inês de São Sebastião).

Nesse sentido, logo a partir do início de seiscentos e assim que instalada num espaço próprio, a comunidade encetou contínuos e intensos contactos com o país natal de modo a convencer conterrâneos a enveredar pela vida religiosa em Lisboa. Esta captação à distância é especialmente interessante se lida como uma espécie de contra-poder a uma Inglaterra que se mantinha profundamente anti-católica, ao se constituírem como uma verdadeira alternativa religiosa para os compatriotas, fora do raio de acção da coroa inglesa.

Logo a partir da primeira década do século estas iniciativas apresentaram resultados muito positivos, revelados através da multiplicação de relatos do desembarque de inglesas, algumas bastante jovens, que mal pisavam terra firme eram imediatamente levadas para o convento inglês onde davam entrada. No entanto, a iniciativa não teve sucesso junto do universo masculino, mantendo-se particularmente baixo o número de religiosos, desde cedo se percebendo que a manutenção do cenóbio masculino poderia estar em risco ao fim de poucas décadas.

Consolidada em Lisboa, a comunidade prosperava, muito devido ao facto de as freiras serem "hábeis e engenhosas em arranjar dinheiro; costumavam mandar as caixas das esmolas com a imagem de Santa Brígida para os navios que destinavam à Índia e ao Brasil; quando sobrevinham tempestades, os marinheiros e os mercadores contribuíam com liberalidade. Tinham a pensão de Sua Majestade Católica, que as mantinha sem luxos; recebiam benfeitorias dos amigos e ganhavam alguma coisa em fazer doces" (MACAULAY, 1950, p. 237).

No entanto, a 17 de Agosto de 1651 dá-se um forte revés, com a completa destruição do edifício por um grande incêndio que nele deflagra. Tendo conseguido salvar os principais tesouros, a comunidade viu-se na contingência de se refugiar de novo no Convento da Esperança. "Deu-lhe[s] a Madre Abbadeça [da Esperança] a sua casa, para que servisse de refeitorio às Madres Inglezas; & mandou que se despejasse a enfermaria, que ficava lá para a parte do Convento, que se havia queimado, para nella se accommodarem, por ser a melhor officina daquelle Mosteiro. E a Sacristia interior (por ficar mais perto do Coro) & locutorio, derao à Madre Brizida [de Santo António, Abadessa de Santa Brígida], em que assistia com a Madre Sor Ignes de dia e de noite" (SANTA MARIA, 1701, pp. 224-225).

As religiosas mantiveram-se no cenóbio vizinho durante sete meses, altura em que transitaram para uma casas próximas, sua habitação até ao regresso ao convento a 6 de Outubro de 1655, quatro anos e quatro dias depois do início da colocação da primeira pedra do edifício. As descrições apontam para que se tenha tratado de uma construção completamente nova, não sendo no entanto percetível se houve lugar ao aproveitamento de elementos construtivos do antigo edifício. Aquando do reingresso da comunidade, as obras da construção da igreja ainda não se haviam iniciado, tendo a casa do capítulo provisoriamente utilizada como tal, aí sendo sepultada Madre Brígida de Santo António, falecida pouco antes da entrada no novo edifício. O novo templo constrói-se por via da doação de dez mil cruzados e vinte mil réis anuais por Rui Correa Lucas e sua mulher, Milícia da Silveira. Estruturalmente pronto em 1672, o templo estaria no entanto despido de qualquer ornato, tendo-se utilizado o dinheiro dos dotes das religiosas para adquirir os retábulos e restante decoração. O espaço da igreja seria muito próximo do que chega aos nossos dias, com quatro capelas, duas de cada lado. Possuiria um tecto de abóbada de ladrilho, capela-mor com um tecto pintado de "brutesco ao moderno" e dois coros, o superior com três aberturas, sendo a central de maiores dimensões (História dos Mosteiros..., II, 1972, pp. 391-411)

Em 1695 ou 1696 (AUGIER, 1840, p. 10*; GUILDAY, 1914, p. 61), com a morte do último religioso do convento, extinguiu-se a comunidade masculina, e o cenóbio passou a ser exclusivamente feminino daí em diante. Nos anos imediatamente subsequentes, as freiras viram-se na contingência de recorrer a dois padres irlandeses para sua assistência religiosa.

Devido ao seu baixo número (e à possível pouca relevância na vida conventual) são raras as menções na época aos religiosos de Santa Brígida. Ao invés, ao longo dos séculos abundam os relatos, maioritariamente de ingleses que as visitam, que descrevem as religiosas como boas conversadoras e muito amáveis para os visitantes. "Whoever can speak English, no matter whether Catholic or Protestant, has a kind of right to visit them at any time of the day; and all their visitor are used by them with such an endearing kindness, that their parlatory is in a manner never empty from morning till night. The poor things are liberal to every body of chocolate, cakes, and sweet-meats, and will take much pains with their needles or otherwise to enlarge the number of those visitors, and allure them to frequent calls. Nuns in all countries are soft and obliging speakers; but there are certainly the softest and most obliging that ever fell in my way" (BARETTI, 1770, p. 193)

De entre os seus principais visitantes destacavam-se os marinheiros ingleses, que sabiam ter no convento quem falava a sua língua, uma raridade em Lisboa. A sua devoção à comunidade é tão forte que um grupo de marinheiros protestantes custeou a execução de uma grande custódia para o convento ao constatar que a original era de dimensões muito inferiores às da maioria dos demais cenóbios lisboetas (MACAULAY, 1950, p. 238). Com o decorrer do tempo, o número de visitantes tornou-se de tal modo abundante que, em 1735 aquando de um longo período em que a marinha inglesa esteve fundeada ao largo de Lisboa, a abadessa restringiu o número de visitas à comunidade.

Com o Terramoto de 1 de Novembro de 1755 o edifício sofre graves danos, ainda que provavelmente menos ruinosos do que os provocados pelo incêndio de 1651. O abalo provocou a destruição total ou parcial dos seus principais aposentos, embora não tenha havido mortes a registar em virtude de as freiras se terem conseguido abrigar na cerca, conforme se percebe na carta que a irmã Catarina Witham envia à sua mãe a 27 de Janeiro de 1756: "Estávamos em diferentes pontos do convento, umas no refeitório, outras nas celas, umas aqui, outras acolá. [...] Começou como um rolar de carruagens e os objectos que estavam à minha frente principiaram a dançar em cima da mesa. Olhei à minha volta e vi as paredes a abanaram e a caírem. Levantei-me e desatei a fugir [...] e corri para o coro, pensando estar ali em segurança. Não se podia, porém, lá entrar: tudo caia à nossa volta, e a cal e o pó eram tão densos que não se via nada. Encontrei algumas das boas irmãs que gritavam e fugiam para o jardim. Perguntei onde estavam as outras e disseram-me que estavam lá. [...] Ficámos debaixo de uma pereira, cobertas com um tapete, durante oito dias.[...] depois os bons dos padres arranjaram-nos outro pequeno pouso com varas e coberto com colchões [...] Mandámos fazer uma casa de madeira no jardim, onde os dois bons padres e quase metade de nós vivem e estão. [...] Das trinta e cinco celas que temos não há uma só em que possamos ficar sem a consertarem. A porta da igreja nuca mais se abriu desde aí, nem lá se disse missa. Toda a igreja está cheia de destroços, assim como o coro e o refeitório; a cozinha foi destruída por completo. Temos, por isso, de nos arranjar como pudermos até que Deus Todo Poderoso nos mande auxílio, pois ouvi dizer que nós não podemos contar com nenhum" (Idem, pp. 260-261).

Rapidamente a notícia do terramoto se espalhou pela Europa, provocando um profundo choque que, aliado aos diversos apelos desesperados das freiras, se reflectiu num elevado número de dádivas inglesas que tornaram possível a rápida reconstrução do edifício, cujas obras se encontravam praticamente prontas em 1760 (BARETTI, 1770 p. 192), permitindo às religiosas habitarem num edifício com melhores condições.

A partida inicial de Inglaterra havido sido feita com a premissa de um regresso rápido. Desde então, as freiras inglesas foram continuamente acalentando o desejo de regressar à sua pátria, nunca o tendo feito devido à enorme estima que a maioria da população lisboeta tinha por elas e, principalmente, por motivos financeiros, visto se ter mantido ao longo dos anos a pensão régia instituída pouco depois de terem chegado à cidade. No entanto, com a passagem dos anos (e, em consonância com a realidade portuguesa, particularmente a partir do início da segunda metade de setecentos), o número de religiosas era cada vez mais diminuto: 32 freiras e 3 padres (e um leigo) em 1622 (ROBINSON); 33 freiras (e sete conversas) e 4 padres (e um leigo) em 1651; 28 freiras e 3 padres em 1672/3 (MACAULAY, 1950); em 1705 não chegavam a 30 (História dos Mosteiros, II, 1972, p. 401); em 1760 eram menos de 20 (BARETTI, 1770); e em 1797 Robert Southey não aponta o número exato mas refere que já se haviam passado vários anos desde a chegada da última noviça (SOUTHEY, 1797, p. 500).

A comunidade não padeceu com as duas primeiras invasões francesas de 1807 e 1808, mas, devido ao temor provocado pela péssima reputação dos invasores (provavelmente sustentada em relatos vindos de outros conventos portugueses...), no decorrer da terceira invasão (em 1809) a abadessa decidiu partir para Inglaterra, mandando embarcar as demais religiosas, o arquivo, as relíquias e os tesouros do convento. Já prestes a embarcar, algumas das irmãs (quatro irmãs do coro e duas leigas) tomam a decisão de ficar em Lisboa. A abadessa e nove irmãs seguem para Inglaterra, "onde por muito tempo lutaram com a pobreza e com dividas durante uns 30 anos, até morrer a última freira em 1837. Por esta ocasião já haviam vendido as suas valiosas relíquias e tesouros, e os registos tinham-se dispersado" (MACAULAY, 1950, p. 240).

Em virtude de o exército inglês ter requisitado o edifício para acolher os soldados doentes e feridos, as religiosas que viram-se obrigadas a refugiar-se no Convento do Bom Sucesso (de dominicanas irlandesas), do qual regressaram apenas seis em 1812. Com um diminuto número de religiosas, as décadas seguintes terão sido penosas, ainda que se tenham mantido incólumes no decorrer das alterações sociais na sociedade portuguesa nas décadas de 1820 e 1830 e principalmente do processo de extinção das ordens religiosas, mantendo a posse do seu edifício por serem estrangeiras.

Aproveitando o clima favorável às ordens religiosas que se vivia em Inglaterra, a 27 de Agosto de 1861 as derradeiras freiras cumprem finalmente o seu muito adiado desejo e regressam à pátria, embarcando "rodeadas e abraçadas por uma multidão comovida que quase as não deixava passar, sendo transportadas até ao navio nos escaleres reais, como prova especial de honra" (Idem, p. 241). Como principais tesouros do convento tinham sido levados em 1809, pouco tiveram que transportar. Terminava assim um período de quase 300 anos de presença religiosa inglesa em Portugal.

Pertencendo o Convento de Santa Brígida a uma ordem estrangeira, constituiu-se como excepção à lei da extinção das ordens religiosas, não tendo transitado a sua posse para o Estado Português.

No final do segundo terço de oitocentos, a Companhia de Jesus tinha a sua sede provisoriamente instalada no Convento do Santíssimo Sacramento de Alcântara, ministrando aulas no Colégio de Maria Santíssima Imaculada, fundado em 1858 pelo padre Carlos Rademaker, na Quinta da Torre, em Campolide. Sentindo necessidade de possuir um espaço mais central que tivesse uma igreja onde pudessem celebrar missa, recaiu a escolha no edifício do antigo Convento de Santa Brígida. "Deparou-se-lhe como bastante adequado ao fim que se propunha, o convento das Inglesinhas, nome por que era conhecido em Lisboa, o antigo convento das Agostinhas de Santa Brígida [...]. O enorme casarão, meio arruinado, tinha anexa uma igreja pública, dedicada a Santa Brígida e fechada desde a partida das proprietárias, e por todo o conjunto pedia o Procurador das monjas, o Padre Dr. Pedro Baines, presidente do Colégio de S. Pedro e S. Paulo dos Missionários Ingleses, a quantia de 12.000.000 rs." (NOGUEIRA, 1967, p.33).

Para o efeito foi fundamental a acção de D. Maria da Assunção de Saldanha e Castro, filha dos condes de Penamacor, que disponibilizou a verba para a aquisição do edifício. De partida para um convento em França, pediu ao Padre Fulconis, seu confessor, que lhe indicasse uma obra religiosa a quem deixar grande parte dos seus bens, tendo a escolha recaído na Companhia de Jesus. Devido à então menoridade da benfeitora, foi aceite um contrato verbal e o edifício foi colocado à disposição do Padre Fulconis pelo procurador das freiras, o Padre Pedro Baines, reitor do Colégio de São Pedro e São Paulo, no Bairro Alto.

O contrato só foi celebrado a 3 de Março de 1869 e contemplou a venda, por dois mil e oitocentos réis da "casa numero seis sita na Rua do Quelhas freguesia da Lapa com o quintal e uma casa que fica ao norte, [...] quintal [...], a casa por baixo do refeitorio as casas da roda e visitas, e parlatorio, [...], a casa e corredor que dava entrada para o convento, a Igreja com as suas quatro casas que serviam(?) de sachristia e commungatorio e com os coros(?) debaixo e de sima, a parte do convento que fica superior à casa [...] e a entrada geral que é pelo portão que tem o numero seis, com o seu pátio que dá entrada para a Igreja" (ANTT, Livro de Notas, Livro 328, Cx. 66).

Uma vez em sua posse, os jesuítas procederam a algumas obras no edifício, visando a sua reparação e a separação em duas partes autónomas, tomando para si a área correspondente ao somatório do espaço da igreja do convento (que surge, em fotografias da transição do século, com a fachada lateral totalmente forrada a azulejos industriais brancos, melhoramento provavelmente introduzido pelos padres jesuítas) e das casas que constituiriam originalmente a portaria do templo, ficando igualmente uma pequena cerca junto da confrontação do Caminho Novo, próximo da esquina com a Rua do Quelhas. No decorrer de oitocentos, a Companhia de Jesus procedeu a profundas alterações no espaço a si destinado, concretizadas sobretudo na ampliação de um piso do edifício da igreja (no qual foi construído um enorme salão) e na construção de uma grande torre adossada à cabeceira do templo (com cerca de 25/30 metros de altura), a qual marcou a paisagem urbana da zona até ter sido demolida no início do século XXI. Não surgindo marcada no levantamento topográfico camarário de 1871, existe já em fotografias da transição de oitocentos para novecentos do Arquivo Fotográfico de Lisboa. Apesar de não ter sido possível apurar a datação, contexto e objectivo da sua construção, tendo em consideração os estudos científicos levados a cabo pelos jesuítas, nomeadamente no que a observações astronómicas diz respeito (tendo para o efeito construído uma torre circular no Colégio de Campolide, nos últimos anos de oitocentos), é de admitir que pudesse ser essa a finalidade da torre.

Cerca de 1864/1865, ainda antes de tomarem posse do espaço conventual, o padre Francisco Xavier Fulconis, que presidia à Missão Portuguesa da Companhia de Jesus, solicitou à Madre Geral das Irmãs de Santa Doroteia o envio de religiosas para Lisboa para abrirem um colégio feminino católico, tendo-se prontificado a encontrar instalações adequadas. Após a ida para o Quelhas, os jesuítas informaram as irmãs doroteias que possuíam um espaço ideal para a sua instalação, tendo em vista a cedência do restante edifício e respectiva cerca.

Chegadas a Lisboa a 16 de Junho de 1866, vindas de Génova, as primeiras irmãs doroteias - Madre Giuseppina Bozano, Madre Luisa Guefi e Soror Maria Puliti - ficaram provisoriamente instaladas em casa do Marquês do Lavradio e do Marquês de Abrantes, devido à falta de condições de habitabilidade que o seu edifício, ainda em obras, apresentava. A 7 de Julho seguinte, as religiosas entraram no edifício onde fundaram o "Colégio Jesus Maria José" (também conhecido como o "Colégio do Quelhas"), que numa primeira fase pouco adesão teve, contando com apenas uma dezena de alunas nos primeiros quatro anos. Esse período foi particularmente duro para as irmãs doroteias e para o projecto de criação de um colégio. A falta de alunas internas agravou as parcas condições financeiras das irmãs, o que aliado às perseguições de que eram alvo e que as obrigaram a ocultar a sua identidade religiosa, provocou naturais constrangimentos ao desenvolvimento da casa educacional. "Não havendo capela em casa, pela falta de recursos que obstava a que se contratasse um capelão, as Irmãs assistiam à missa e outros actos de culto, do coro da igreja de Santa Brígida e, para comungarem desciam a rua, o que provocava comentários da vizinhança que, na ignorância da verdadeira identidade das estranhas moradoras do convento das Inglesinhas, as incluía em categorias que oscilavam entre senhoras arruinadas e Jesuítas disfarçados, passando pelo vexame de suspeitas que retardavam o progresso do incipiente colégio. Os rapazes da rua insultavam-nas, e à sua passagem para a igreja contavam-nas em voz alta, notando logo o aparecimento de alguma que tivesse vindo aumentar a comunidade. Na perseguição de que foram vítimas, não houve apenas palavras; os recreios foram perturbados com as pedras lançadas da rua para amedrontar as alunas, e um dia, uma bala penetrando no coro da igreja, caiu aos pés da Superiora; uma outra foi disparada [...], na noite de 30 para 31 de Dezembro de 1874 contra o dormitório das alunas, onde também, providencialmente não originou estragos. A Superior viu-se obrigada a reclamar perante as autoridades" (NOGUEIRA, 1967, p. 49).

A 6 de Maio seguinte é aberta a escola gratuita para crianças do sexo feminino de baixos recursos, contando já com meia centena de alunas em Setembro de 1868. Ao longo dos anos seguintes o colégio foi começando a granjear alguma fama na cidade, o que se concretizou num aumento de educandas e consequente necessidade de realizar obras de alteração e ampliação no edifício, que o transformaram profundamente. De acordo com a informação do volume de obra 21590 procedeu-se à construção de um dormitório para educandas internas (1870), à instalação do noviciado numa zona independente e à alteração dos vãos do edifício para vãos de peito e sacada (1871). Como algumas destas obras ficaram por terminar, houve a necessidade de proceder a uma nova campanha, de maior vulto, orçada em quatro contos. Para o efeito, as doroteias tiveram que fazer um peditório porta a porta, conseguido juntar 800.000rs. (mais 300.000rs de um empréstimo e os quase 3.000.000rs resultantes dos dotes e legítimas de Irmãs). "Levantara-se um andar no extremo mais ocidental do edifício, "que ficava próximo do coro dos Padres, com a frente voltada para o jardim contíguo à portari"; fizeram-se dois dormitórios de tamanho desigual e dois quartos na parte reservada às educandas; no mesmo lugar das antigas, porém mais amplas e altas, situavam-se as três salas de visitas, agora com as paredes e tectos de estuque; uma larga e elegante escadaria, dando ao maciço conjunto uma nota de agilidade e leveza, conduzia da portaria aos dormitórios. Em diversos pontos da casa, outros consertos se fizeram de menor importância, mas na parte ocupada pela comunidade ainda continuou a ver-se o céu através dos tectos e das telhas" (Idem, p.71).

Em 1875 procede-se à construção da capela (para a qual, entre outras pessoas, contribuíram a Madre Paula Fransinetti - 500.000rs - e D. Adelaide, viúva de D. Miguel - 50.000rs). Três anos depois as doroteias solicitam a reparação do segundo pavimento e a autorização para a construção de mais um andar na ala norte do claustro para dormitório e em 1883 entra um pedido de autorização à Câmara Municipal de Lisboa (AML, Obra 21590) para a construção de mais um piso, no seguimento da ampliação de 1878. Procede-se igualmente à construção de um novo edifício de dois pisos com entrada pelo nº 8 da Rua do Quelhas, para nele se instalarem a nova portaria e o salão de festas: "D. Giusefina Trojani, Director do Collegio Jesus Maria Jose, deseja edificar no terreno junto a dependência do mesmo collegio na Rua do Quelhas nº 8; um rez-de-chaminé, salão para distribuição de prémios, e terraço; e não podendo levar a efeito essa construcção sem a autorização da [...] Camara Municipal de Lisboa, vem por esta forma solicitar de V. Ilma(?) a aprovação do projecto junto e a respectiva licença; declarando que de bom grande, e se a [...] Câmara assim determinada, levará essa construcção ao alinhamento vindo da rua dos Navegantes, dos prédios anteriormente construídos, afigurando-se-lhe esse alinhamento de indiscutível embelezamento para a rua do Quelhas, porque d'esta forma só ficará desviada uma propriedade [...] e junta ao Caminho Novo, contudo apresenta o seu projecto pelo alinhamento existente, acatando porem como lhe cumpre qualquer resolução da [...] Camara Municipal a tal respeito" (AML, Obra nº 21590, Processo 5420/1ª REP/PG1988, f. 1-1v.).

Em 1889 é pedida autorização à CML para a construção de um dormitório e no ano seguinte inicia-se uma grande campanha de obras, concretizando-se no fecho das galerias do claustro (com aproveitamento do espaço para instalação do refeitório no piso térreo e de aulas no 2º piso) e em obras na capela [das quais consta um conjunto de cerca de duas dezenas de quadros, pintados por Manuel António Moura, pai de uma aluna, cujo trabalho servia de pagamento da mensalidade da educanda (ANTT, Arquivo das Congregação, Livro 1253)], cujo pé direito é subido para a obtenção de mais espaço. Em 1892 são fechadas as 2 portas que permitiam o acesso das irmãs ao coro da Igreja das Brígidas. Em 1900 entra na CML um pedido para construção "na cerca do [...] collegio com entrada pelo muro que limita a mesma cerca pela Rua nº 1 do Bairro Brandão [de] uma caza" (AML, Obra 21590, Processo 5280/1ª REP/PG/1900, f. 1-2) para nela se instalar a enfermaria, numa localização bastante afastada do colégio por via a isolar as alunas e irmãs com varíola, tuberculose e outras doenças contagiosas.

Em 1904 iniciam-se as obras da nova capela: começada a construir a 11 de Abril de 1904 e concluída e inaugurada a 24 de Dezembro de 1907, tem projecto do Mestre de Obras António Gaspar (pai da Madre doroteia Carlota Gaspar), que para o efeito comprou peças de talha dourada provenientes da antiga capela de São Joaquim da casa do Condes de Penamacor, na Rua de São Joaquim, em Alcântara. "Como lhe parecessem muito aptas para a capela a construir, expôs o seu projecto à Madre Provincial que o aceitou. Compradas por um preço módico, verificou-se, depois de livres das camadas de pó que as cobriam, que o seu revestimento de oiro francês estava bem conservado. O conjunto compunha-se de um altar de frontal e dois laterais de urna, balaústre, púlpito, duas portas [...], retábulo em baixo relevo representando o Coração de Jesus, um trono de cinco degraus, e duas figuras simbolizando a Fé e a Esperança. [...]. Uma [...] circunstância valorizava aquelas relíquias: o terem pertencido à capela de D. Maria da Assunção de Saldanha e Castro, a quem se devia o colégio do Quelhas, e com ele, a possibilidade material da primeira fundação da Província Portuguesa" (NOGUEIRA, 1967, pp. 326-327).

No mesmo ano inicia-se a construção de um dormitório sobre o que ficava junto do salão: «as referidas obras, constam da ampliação da egreja, que passa a ter o piso no primeiro pavimento; estabelecendo-se no actual piso da egreja (rez do chão) uma aula. Ao extremo norte da egreja, junto ao muro que limita a propriedade dos terrenos pertencentes ao Posto de Desifecção, é levantada uma nova construcção , destinando-se o primeiro pavimento a dependência da nova aula, e o segundo a sacristia. No corpo, com frente para o jardim, é construído um novo andar destinado a dormitorio, para vinte alumnas, tendo dezoito metros de comprimento, seis metros e setenta centímetros de largura e três metros e noventa centímetros de altura, o que prefaz 470,34m3; este dormitorio terá janellas sobre o antigo claustro. N'uma das janellas do salão, que deitam sobre o jardim, será construída uma sacáda de ferro, afim dos visitantes das alumnas poderem ir directamente para a quinta. E, finalmente, de outras pequenas modificações; tudo conforme se acha indicado no projecto. A natureza do terreno, é, superiormente, argilosa e, mais profundamente, alvenaria. Os materiaes a empregar, como ferro, tijolo, areia, pedra, cimento, etc, etc, serão de primeira qualidade e escrupulosamente escolhidos" (AML, Obra 21590, Processo 2154/1ª REP/PG/1904, f. 2-2v.).

Em 1906, na derradeira obra feita pelas irmãs doroteias, procede-se à construção de um novo bloco para instalar "uma copa, um refeitório, uma marquise, [bem como] uma escada para comunicar o edifício antigo com o dito refeitório" (Idem, Proc. 2020/1ª REP/1906, f. 2). Segundo a memória descritiva "as obras que se pretendem realizar, e que serão feitas em harmonia com o regulamento de salubridade de edificações urbanas e como determinam as posturas municipaes, tanto no que diz respeito a materiaes, como na forma e dimensões que o projecto indica, constam: da construcção de uma copa e de um refeitório, para as alumnas do Collegio, sendo este construído com columnas e vigas de ferro e abobadilhas de tijolo, formando terraço na parte superior. Da construção de uma marquise, e bem assim de uma escada para comunicar o edificio antigo com o refeitorio; esta escada que fica, em parte, subterrânea, receberá luz e ar pela marquise e por uma claraboia junta ao antigo edificio, tudo conforme se acha indicado no projecto" (Idem, f. 2).

Através da análise da documentação do volume de obra do edifício percebe-se que um dos mais interessantes aspectos destas campanhas de obras reside na preocupação pelas questões relacionadas com a salubridade do edifício, não só no respeitante às áreas e ventilação dos dormitórios, mas essencialmente na construção, no extremo da cerca, de um edifício independente para a enfermaria, de modo a que as alunas ou irmãs com doenças contagiosas ficassem fisicamente separadas do colégio.

Após as diversas campanhas de obras, o edifício estava dividido em aula externa (totalmente separada da zona das educandas), noviciado, salas de aulas para as educandas, dormitórios, refeitório, cozinha e capela.

As perseguições religiosas encetadas em 1901 atingiram profundamente os jesuítas e as doroteias, através de constantes sindicâncias, inflamados artigos em jornais e ataques às suas instalações. No entanto, e ao contrário de outros estabelecimentos da ordem, o Colégio Jesus Maria José passou incólume a ataques, não só devido ao forte apoio e reconhecimento que granjeava junto da sociedade lisboeta, como à protecção providenciada pelos seus altos muros e pela presença de um posto de polícia nas imediações. Ainda assim, nele se viveu um forte clima de instabilidade durante o epicentro dos protestos, nos meses de Março e Abril desse ano.

Não obstante este período de turbulência social, a instituição conhece na primeira década de novecentos o seu período áureo, concretizado no aumento do número de alunas, tanto no colégio (45 alunas em 1893; 80 em 1905) como na escola gratuita (74 alunas em 1899; 170 em 1906), o que se traduziu numa notória melhoria das suas condições económicas. Esta forte adesão parece maioritariamente justificado pela adoção de um "conjunto de sábias medidas [...] pela Madre Provincial [...]: 1- na escolha e acurada formação profissional do professorado [(«A formação do professorado mereceu [...] particular desvelo: Desde o princípio do corrente ano (1900), veio dar lições à mestra de desenho [...], o Malhoa, insigne artista em Desenho e Pintura [...] Rey Colaço [...] foi o professor de piano de Sor Maria Luísa Galt que ia receber as lições a casa do grande Mestre, em razão de ele não ensinar em casas particular. [...] Todos os Mestres eram membros da Academia das Belas Artes. Deu isso muito nome ao colégio porque logo correu em Lisboa que as Irmãs do Quelhas eram leccionadas pelos primeiros professores do Reino" - NOGUEIRA, 1967, p. 323)]; 2- na organização dos estudos; 3- no melhor aproveitamento do edifício, com obras atinentes e instalações mais adequadas e com a introdução de alguns «modernismos»" (Idem, p. 322).

No entanto, os acontecimentos de Outubro de 1910 precipitaram o encerramento do colégio. Assinado a 3 desse mês e publicado no Diário do Governo nº 221 do dia seguinte, um decreto dissolve a comunidade jesuíta instalada no edifício do Quelhas. No dia 5, aquando da Implantação da República, o Quelhas tornou-se num dos principais focos de conflito, com milícias armadas disparando continuamente contra o edifício jesuíta: "O Quelhas, um grande conjunto de edifícios agrupados à volta de uma igreja e cercados por um alto muro, apresentava um espectáculo extraordinário quando finalmente lá chegámos. Havia soldados de cavalaria e infantaria por todo o lado; havia metralhadoras; havia mesmo peças de artilharia. E toda esta força militar estava desencadeada, num tiroteio desenfreado, contra o colégio que, a julgar pelo silêncio reinante do outro lado do muro, estava completamente abandonado. Mas isso não importava. As bombas fustigavam a torre, as metralhadoras disparavam sem parar, balas das espingardas silvavam entre as árvores. Cheguei ao colégio quando estava a nascer o dia. O portão estava aberto e a multidão movia-se para todos os lados. O saque estava em curso, com grande frenesi.[...]

O Quelhas era uma comunidade importante e inteiramente autónoma, com as suas oficinas e tipografias, e mesmo a sua adega, e daqui saiam grandes cargas. Encontrei famílias inteiras, homens, mulheres e crianças, saindo com todo o género de artigos que se possa imaginar - caixas de ferramentas, utensílios de cozinha, quadros, e até móveis. As primeiras tropas entradas tinham, notoriamente, encontrado bebidas alcoólicas: muitos dos soldados e guardas nacionais estavam bêbedos.

Na igreja testemunhei cenas que faziam lembrar episódios da Revolução Francesa. Soldados bêbedos, envergando vestes litúrgicas, estavam no altar, parodiando a celebração da missa. Na sacristia estavam homens e mulheres que rasgavam belos paramentos. Quando me viram gritaram: «Tudo isto pertence ao povo! Escolha o que quiser!»" (Centenário da República, 2008).

As irmãs doroteias mantiveram-se no seu edifício até à noite do dia 7 para 8, altura em que foram levadas para o Arsenal da Marinha para interrogatório, onde são obrigadas a substituir a indumentária religiosa por uma secular. Terminados os interrogatórios, as religiosas estrangeiras são obrigadas a regressar aos países de origem, encerrando-se assim o Colégio Jesus Maria José, ao Quelhas, que no decorrer dos seus 44 anos de funcionamento recebeu um total de cerca de 800 alunas internas, às quais se somam as cerca de dois milhares que frequentaram a escola gratuita (NOGUEIRA, 1967, p. 418).

Com a publicação do decreto de 8 de Outubro de 1910 e consequente expulsão dos jesuítas e das irmãs doroteias, os (até então) seus edifícios do Quelhas não ficaram desocupados durante muito tempo. Logo a 29 de Dezembro foi inaugurado o Museu da Revolução, "numa das dependências do suprimido Colegio do Quelhas, em um annexo há pouco construído e que consta de pavimento térreo e primeiro andar, com entrada pela rua Miguel Lupi" (Occidente, nº 1153, 10 Janeiro 1911), a antiga enfermaria. Organizado pela associação Vintém Preventivo, constava de um pequeno espaço museológico com um espólio composto por objetos dispersos alusivos à causa republicana portuguesa, dividido em cinco áreas expositivas (sala da Marinha, sala do Exército, sala dos Documentos, sala do Povo e sala do Buiça e Costa). Entre as principais atracções, contavam-se jornais do dia da revolução e seguintes, a bandeira do regimento de infantaria 16 hasteada na Praça Marquês de Pombal e o gabão e a carabina Winchester modelo 1907 que Manuel Buiça utilizou para assassinar o Rei D. Carlos e o príncipe-herdeiro D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908 (Idem, p. 418).

Menos de três anos depois, a 21 de Outubro de 1913, o museu é destruído no contexto da tentativa do golpe monárquico encabeçado por João de Azevedo Coutinho, conhecido como a "primeira outubrada".

Após ser decretada a impossibilidade de manutenção da função religiosa das antigas posses jesuítas pela lei de separação do Estado das igrejas (de 20 de Abril de 1911), os espaços até então por estes ocupados no Quelhas foram transformados num improvisado depósito de diversas coleções de documentos e objetos provenientes das várias casas das congregações religiosas existentes no país à data da proclamação da República. Esta iniciativa deveu-se a Manuel Borges Grainha (vogal da Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas) que, apercebendo-se do manancial de informação que constituía a documentação jesuíta existente no Quelhas, começa a gizar com Afonso Costa a ideia de reunir diversos elementos provenientes das recém-extintas congregações religiosas (VILLARES, 2003, pp. 64-72). Ponto de partida, o edifício do antigo Convento das Inglesinhas foi o local escolhido para acolher aquele que se constituiria, a partir de 1917, como espólio do Arquivo das Congregações.

A 10 de Janeiro de 1911 (Diário do Governo nº 199/1911, Série I, p. 3623), uma parte não especificada do edifício foi concedida à Instituição Vintém Preventivo, numa cedência que seria anulada por via de um decreto de 29 de Novembro de 1912. Ainda que o diploma não apresente outra justificação para o sucedido que não o mero facto de se basear «numa proposta do Ministério da Justiça, tendo em atenção o parecer da Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas» (Diário do Governo nº 284/1912, Série I, p. 4299), tal decisão prendeu-se com o facto de no mesmo dia se ter procedido ao arrendamento do espaço em questão para a instalação do curso secundário e superior do comércio. Segundo o auto de arrendamento, este seria anual, iniciando-se a 1 de Dezembro seguinte, devendo a renda ser paga mensalmente ao Ministério da Justiça, que por sua vez teria que «entregar à Comissão de Administração dos Bens do Estado do primeiro bairro de Lisboa, a quantia de quinhentos mil reis annuaes, tambem mensalmente, para pagamento da renda do extincto Paço de São Vicente onde, por conta do Ministério do Fomento, [passariam a] fica[r] instaladas as dependencias do «Vintem Preventivo»" (ANTT, Arquivo das Congregações, mç. 29, mct. 4).

A par do IST, da Escola Médica Veterinária e do Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Comércio (ISC) é uma das escolas técnicas superiores a ser criadas pela reforma da instrução pública implementada pelos governos republicanos por via do decreto de 23 de Maio de 1911. Tributário da Aula do Comércio criada em 1759 e do IICL, inicia o seu funcionamento apenas no ano letivo 1913-1914, sendo «então uma escola com um pouco mais de uma centena de estudantes e cerca de duas dezenas de docentes» (VALÉRIO, 2011, p. 37). Ocupadas as instalações do organismo antecessor do ISC, a necessidade de encontrar uma localização alternativa fica acautelada em novembro de 1912 com o arrendamento do espaço anteriormente ocupado pelo Colégio Jesus Maria José, conforme atrás referido.

Chegado ao quarto ano de funcionamento e de modo a melhorar e aumentar as suas instalações, foram cedidas ao ICE, a título precário, o antigo espaço jesuíta (Decreto 3444-A, de 8 de Outubro de 1917). Apesar de se constituir como a solução lógica e menos onerosa para a dotação de melhores condições, tal decisão causa alguma estranheza tendo em conta que poucos dias antes, a 28 de Setembro, havia sido criado o Arquivo das Congregações (respondendo à necessidade de, "sem demora, organizar, classificar, catalogar e instalar convenientemente estas colecções, para instrução geral do povo e estudo de eruditos e futuros historiadores, evitando-se assim a perda e dispersão de milhares de documentos importantes, facto lamentável já ocorrido em 1759, por ocasião da expulsão dos jesuítas, e em 1834, quando foram extintas as ordens religiosas" (Decreto nº 3410, de 28 de Setembro de 1917, Diário de Governo nº 168/1917, I Série, p. 4299) que, segundo o artigo 4º do decreto nº 3410, deveria ficar "instalado na casa congregacionista no Quelhas, até que seja possível destinar edificio mais vasto para a sua instalação" (Idem, p. 4299). A sua posição ficou, no entanto, salvaguardada pela ressalva de que a cedência do edifício ao ISC era feita «sem prejuízo da instalação do arquivo das congregações religiosas existentes naquele prédio» (Decreto nº 3444-A, de 8 de Outubro de 1917, Diário de Governo nº 173/1917, 3º Suplemento, Série I), ou seja, o estabelecimento de ensino não poderia tomar dele posse efectiva sem que fossem encontradas novas instalações para o Arquivo/Museu nem proceder a quaisquer obras de alteração no edifício. Paralelamente, esta cedência ficou dependente do desfecho do processo movido pelo Governo Inglês no Tribunal Arbitral de Haia (exigia a posse do edifício), resolvido a favor do governo português apenas em setembro de 1920 (VILLARES, 2003, p. 61).

Em 1921 o Arquivo das Congregações mantinha-se instalado ao Quelhas, conforme dá disso conta o seu director, Manuel Borges Grainha, numa carta enviada e publicada pelo "Mundo" de 9 de agosto de 1921, na qual refere que, resolvida a questão de Haia, procurava tomar as diligências necessárias para abrir ao público, assim que possível, o Museu das Congregações. Inaugurado a 4 de Outubro de 1924, teve no entanto uma efémera duração, tendo para isso decisivamente contribuído a morte do seu director, ocorrida exactamente sete meses depois.

A 19 de Fevereiro de 1927 é estabelecido o pagamento "à Comissão Jurisdicional dos Bens Culturais a importância de 33.000$, em que foram avaliados os terrenos pela mesma ùltimamente cedidos ao Instituto Superior do Comércio de Lisboa para construção dos laboratórios do mesmo estabelecimento de ensino" (Decreto nº 13206, de 19 de Fevereiro de 1927, Diário do Governo nº 42/1927, Série I, p. 278). Uma vez em posse da totalidade do antigo convento, em 1932 foram iniciadas as obras de construção de um novo edifício, na antiga cerca pequena (dos jesuítas) para instalação do Museu Comercial. Concluído três anos depois, o edifício nunca serviu o seu propósito inicial, nele se tendo instalado a Emissora Nacional de Radiodifusão (EN), aí permanecendo durante mais de sessenta anos. Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o edifício do Quelhas da EN (sob o nome de código Tóquio) é ocupado pelo Movimento das Forças Armadas, tendo sido um dos pontos estratégicos da revolução.

Por se encontrar no eixo do Palácio de São Bento, o arranjo do antigo Convento das Inglesinhas estava também contemplado no Projecto de Protecção do Palácio da Assembleia Nacional. Justificava-o não só o aspecto estético, mas principalmente os graves problemas de conservação que o edifício apresentava após mais de três décadas de contínuo funcionamento como escola superior, sem ter sofrido qualquer campanha de obras: na memória descritiva Luís Cristino da Silva tece fortes críticas ao edifício, considerando que o "velho casarão [...] [possui] numerosos corpos secundários de variadíssimas dimensões e traçados, [...] posteriormente adossados ao edifício, quási ao acaso, o que lhe agravou inda mais o seu aspecto desordenado e feio, sobre do lado Norte e Nascente, em que essa desordem se torna verdadeiramente caótica. Interiormente a sua disposição não é melhor, visto que apresenta uma distribuição muito confusa constituída por um amontado de dependências acanhadas e sombrias" (FCG, Espólio Cristino da Silva, Projecto de ampliação do edifício do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Memória Descritiva de 7 Dezembro 1947). Expõe igualmente o péssimo estado de conservação do edifício, referindo as infiltrações, humidade, estuques caídos e graves deficiências na instalação elétrica que, naturalmente constrangiam o normal funcionamento de uma instituição que à época contava com cerca de 750 alunos.

Nesse contexto, em 1946, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais encomenda ao arquiteto Luís Cristino da Silva um projeto para a remodelação do edifício, resultando na apresentação de um ambicioso e monumental programa. "Esta transformação permitiria dar ao local o necessário equilibrio, rematando-o com um grande edifício de arquitectura monumental, atingindo o desenvolvimento de 110 metros de extensão. [...] A localização desta nova ala subordinar-se-ia rigorosamente ao rebatimento simetrico da actual fachada posterior do edificio, a fim de se obter o referido equilibrio. Um amplo e elevado corpo central disposto normalmente ao eixo longitudinal ligaria as duas alas obliquas da nova fachada, formando um conjunto arquitectónico de grande unidade. [...] O acesso de peões e de veículos a esta nova fachada, passaria a fazer-se por uma ampla escadaria disposta no eixo longitudinal da composição e por um arruamento desenvolvendo-se em lacete, terminando num vasto terraço situado junto do peristilo da entrada" (Idem, Memória Descritiva de 7 Junho 1946).

Com cinco pisos em cada ala e sete no corpo central, este monumental edifício nunca foi concretizado, truncando assim o entendimento da implantação do Jardim das Francesinhas, concebido como um espaço de transição entre os edifícios. Obrigado a manter-se nas exíguas e antigas instalações do Quelhas, e não obstante ter procedido a diversas campanhas de obras no edifício (com particular destaque para as décadas de 1960 e 1970), o ISCEF viu-se na contingência de passar alguns serviços para outros edifícios, também localizados no Bairro da Lapa (Rua de Buenos Aires e Rua Miguel Lupi), assim se mantendo durante o meio século seguinte.

No início da década de 1990, por via de uma permuta efetuada com o edifício da Rua de Buenos Aires, o já designado ISEG passou a ter em sua posse parte da cerca do antigo convento das Francesinhas correspondente à instalação do antigo Posto de Desinfecção Marítimo e do Posto da Polícia. Podendo finalmente expandir as suas instalações, a partir do início da mesma década foi desenvolvido um plano de estruturação para os terrenos da cerca dos antigos conventos de Santa Brígida e do Crucifixo, da autoria do arquiteto Gonçalo Byrne. Até ao final do século foram construídos três novos edifícios (Francesinhas I - 1995; Biblioteca Francisco Pereira de Moura - 1998; Francesinhas II - 2000). E em 1997 o Instituto Superior de Economia e Gestão adquiriu à Radiodifusão Portuguesa (antiga Emissora Nacional) o edifício que esta ocupava. Após obras de adaptação, as novas instalações entraram em funcionamento em 1999.

Em 2001-2002 iniciaram-se as obras na parte da antiga igreja do convento, que resultaram na demolição da torre e na adaptação do templo a espaço de conferências. Estas novas dependências, que modificaram profundamente o antigo espaço jesuíta, foram inauguradas aquando da abertura solene do ano lectivo 2005/2006, a 7 de Novembro de 2005.

Evolução urbana
O Convento de Santa Brígida localizava-se no antigo Bairro do Mocambo (actual Madragoa), confrontando a norte com a cerca do Convento do Santo Crucifixo, a nascente com o Caminho Novo (que confrontava com a zona superior da cerca do Convento de Nossa Senhora da Esperança) e a poente com a Quinta do Quelhas.

Num cômputo geral, os principais arruamentos (catuais Rua do Quelhas e Rua das Francesinhas) que envolvem o edifício encontravam-se já marcados na planta da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, datada de cerca de 1598.

O convento instala-se inicialmente em casas privadas, crescendo a partir delas. Não é claro que tipo de casas seriam nem qual a sua implantação na malha urbana, mas atendendo que as descrições apontam para que a dona da casa ter cedido apenas parte da casa para a comunidade (na altura mais de uma dúzia de pessoas), depreende-se que o edifício fosse de grandes dimensões, provavelmente um espaço apalaçado ou uma pequena quinta com significativas dimensões.

Não parece existir qualquer alteração urbana no decorrer dos anos em que o edifício funcionou como convento, num espaço delimitado, pouco maior do que o do cenóbio (tinha apenas duas pequenas cercas, uma na confrontação da Rua do Quelhas com a Rua das Francesinhas, no terreno onde na década de 1930 foi construído o edifício da Emissora Nacional de Radiodifusão).

No último terço de oitocentos, já aquando da ocupação pelo Colégio Jesus Maria José, as irmãs doroteias compram uma parcela de terreno para noroeste, no extremo da qual instalam a sua enfermaria em 1900 (corresponde actualmente ao parque de estacionamento do ISEG).

No início de novecentos a envolvente do edifício sofre algumas alterações, nomeadamente com o alargamento do Caminho Novo (então já denominada Rua João das Regras) e principalmente com a abertura, a norte, da Rua Miguel Lupi. Assim, circundado por essas duas ruas e pela do Quelhas, situava-se um enorme quarteirão onde, para além do antigo Convento das Inglesinhas, se encontravam instalados o Posto de Desinfestação Marítima, um pequeno posto da polícia e o Convento do Santo Crucifixo (das Francesinhas). Extinto em 1890, este último, bem como os terrenos adjacentes onde [...] est[ava] instalado o Posto de Desinfecção [...] [, foi cedido ao Instituto Superior Técnico (IST), sendo a respetiva área] destinada para as [suas] novas instalações (Decreto de 14 de Julho de 1911, Diário de Governo nº 163, p. 2981, artº 84º). Apesar da demolição do antigo convento ter sido iniciada em 1911, o IST nunca ocupou o espaço, que seria ocupado em 1935 pela Lisboa Antiga (reconstituição de um bairro antigo para as festas de Lisboa desse ano) e a partir de 1949 pelo Jardim das Francesinhas, construído no âmbito do Projecto de Protecção do Palácio da Assembleia Nacional.

A partir do início de 1990, por permuta, o Instituto Superior de Economia e Gestão adquire o espaço do Posto de Desinfeção Marítima que ocupava desde o início do século XX a área sul da cerca do vizinho Convento de Santo Crucifixo. Até ao final de novecentos, neste terreno são construídos três novos edifícios que, embora não tenham qualquer influência com os arruamentos pré-existentes, permitem uma nova lógica e circulação pedonal dentro do quarteirão, acrescentando uma nova ligação à parte baixo (Rua das Francesinhas) com a alta (Rua Miguel Lupi) por intermédio de uma nova escadaria (o primeiro acesso direto entre essas duas ruas data de 1949, no âmbito da construção do jardim).

A totalidade do espaço conventual (edificado e cerca) encontra-se intacta e em posse do Instituto Superior de Economia e Gestão, não tendo portanto ocorrido qualquer alteração na cerca, no que diz respeito à construção de edificado ou de rasgamento de vias.

Caracterização arquitectónica
A acidentada história do edifício do Convento de Santa Brígida resulta na sua sucessiva (re)construção no decorrer dos séculos XVII e XVIII, a última das quais no pós-Terramoto de 1755.

O cenóbio foi originalmente instalado em parte de uma casa particular de habitação construída em data anterior a 1600. Não obstante não parecer existir qualquer informação sobre esta primitiva construção, os relatos da fundação de outras casas religiosas da época a partir de pré-existências permitem perceber que havia uma rápida adaptação das áreas disponíveis em locais de clausura, com espaços de oração, dormitório e refeitório. No entanto, o relato do sepultamento da primeira abadessa do convento (Isabel Hart, falecida a 25 de Junho de 1609) na Capella mòr da Igreja Velha (CARDOSO, III, p. 821), parece indiciar a existência de um local de orações consolidado desde muito cedo.

Nas ordens religiosas com várias casas era usual que a planta do edifício seguisse preceitos arquitetónicos próprios, o que justifica a proximidade de desenho entre os seus diferentes conventos. No caso das Brígidas, por se desconhecer o projeto original do Mosteiro de São Salvador de Syon, torna-se impossível traçar qualquer paralelo com a casa lisboeta e com a forma como esta evoluiu de habitação particular para um edifício mais completo, de acordo com as necessidades de uma comunidade que desde cedo cresceu em número e tinha a particularidade de necessitar de espaços separados para religiosas e religiosos. É possível que a sua construção tenha sido o mais orgânica possível, tendo em conta as pré-existências arquitectónicas e principalmente as difíceis características de implantação no terreno, a meia encosta. Parece portanto de admitir que a sua implantação original fosse sensivelmente a mesma que a actual, com a entrada principal voltada para a Rua do Quelhas, posto que parece nunca ter existido qualquer construção na cota mais baixa do terreno, junto do Caminho Novo.

O incêndio de 1651 destruiu totalmente o edifício conventual, pelo que existiu a necessidade de proceder à sua construção de raiz e não a uma mera reedificação. Ao invés, os relatos da destruição provocada pelo Terramoto e a rapidez com que se concluíram as obras no edifício parecem apontar para o aproveitamento da estrutura pré-existente, o que, a confirmar-se, significará que a actual estrutura derivará da construção de 1651-1655.

Em virtude das más condições do edifício e principalmente da sua adaptação às novas funções pós-convento, entre 1866 e 1910 operou-se um alargado conjunto de alterações, que se prenderam essencialmente com o acrescento de mais um piso à igreja, a construção de uma torre, a ampliação de um piso no corpo dos antigos dormitórios e a construção de edifícios na cerca do convento (comunicantes ou não com o restante edifício). Apesar de acrescentar significativa área ao edificado, estas obras mantiveram a sua estrutura.

Desde 1910 foram realizadas diversas campanhas de obras, a mais profunda das quais no início da década de 2000 e que resultou na demolição do edifício da portaria, na transformação da igreja em auditório e na demolição de elementos construídos já depois da saída das religiosas inglesas (a torre construída pelos jesuítas, o avançado de ligação entre o antigo refeitório do Colégio Jesus Maria José e o edifício do dormitório e do auditório provisório do ISCEF). Da década de 1930 data o edifício onde durante mais de meio século se instalou a Emissora Nacional de Radiodifusão, que se implantou na cerca pequena.

Apesar das transformações operadas ao longo dos mais de 150 anos após a extinção do convento, a sua estrutura-base encontra-se intacta, constituindo-se num edifício que se desenvolve em torno de um claustro com três pisos (o terceiro construído no século XIX) e cujas faces apresentam três arcadas no piso térreo e cinco no primeiro andar, numa configuração pouco comum. Em seu torno desenvolver-se-iam alguns dos principais aposentos conventuais, cuja marcação já não é perceptível. Voltado à Rua do Quelhas, no lado sul do claustro, implanta-se o templo de nave única que, não obstante manter a marcação dos espaços primitivos, não possui qualquer elemento decorativo. Com a cabeceira voltada para nascente, a igreja limita o convento a sul, confrontando a sua fachada lateral com a Rua do Quelhas. Possuía originalmente três entradas, abrindo-se a principal a um pátio exterior contíguo à antiga portaria (as restantes duas eram franqueadas a partir do interior do edifício, uma das quais providenciando acesso ao coro alto, actual balcão do auditório). Do lado oposto, desenvolve-se o corpo principal do edifício: originalmente de dois pisos, no inferior localizar-se-iam os espaços conventuais de maiores dimensões (caso do refeitório e cozinha) e no superior os dormitórios das religiosas.

Inventário de extinção
ANTT, Ministério das Finanças, Convento de Santa Brígida de Lisboa, Cx. 1947

http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4224401

ANTT, Ministério das Finanças, Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Lisboa, Cx. 2010

http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=4224432

O inventário de extinção do Convento de Santa Brígida possui apenas 11 fólios, nenhum deles directamente referente à comunidade.

No entanto, no inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso (de religiosas irlandesas) são mencionados os processos referentes ao Convento de Santa Brígida (28805 1º e 22453), sendo referido que "naquellas datas [1821 e 1839] foram também inventariados os bens do Convento de Santa Brígida do Mocambo, vulgarmente conhecidas pela designação de - Inglesinhas -" (f. 0219), sendo no mesmo documento referido que a comunidade estava obrigada "a inventário e desamortização" (f. 0220).

Cronologia
c. 1600 Isabel de Azevedo, nobre portuguesa, oferece parte da própria habitação, cujo edifício lhes deixa em testamento.
1415-02-22 Fundação por Henrique V do Convento de Syon em Isleworth, Londres, tendo dado o Rei 1000 marcos de ouro para a construção do edifício. Sendo um convento duplo era governado pelo confessor geral e uma abadessa com 60 religiosas e 25 religiosos. As primeiras religiosas vieram do Mosteiro de Wastein, na Suécia.
1539 Encerramento do Convento por Henrique VIII de Inglaterra e saída dos religiosos para o convento que a ordem tinha em Dermond, Flandres.
1594-04-08 Partida das freiras de França rumo a Lisboa.
1594-05-20 Chegada a Lisboa de sete padres, dois irmãos leigos, vinte e duas freiras e uma criada francesa, que ficaram instalados no Convento de Nossa Senhora da Piedade da Esperança.
1596 Breve de Clemente VIII que autoriza a criação do novo convento, sob jurisdição do Núncio Apostólico.
1601-01-23 Entrada no convento de Brígida de Santo António, única abadessa portuguesa do convento.
1603-03 Breve de Clemente VIII permitindo que o convento funcionasse em parte da casa que Isabel de Azevedo ofereceu às religiosas.
1622 Residiam no convento 32 freiras, três padres e um leigo, e o confessor era o Padre Josefh Foster.
1651 Residiam no convento 33 freiras (e sete conversas) e 4 padres (e um leigo).
1651-08-17 Um incendio destruiu completamente o convento e a igreja, tendo os religiosos ficado instalados novamente no Convento da Esperança.
1651-10-02 Lançamento da 1º pedra do novo convento.
1655-06-16 Assinatura da escritura do Convento de Nossa Senhora da Conceição, de Marvila, segunda casa da ordem em Lisboa.
1655-06-29 Morte da Abadessa Brígida de Santo António.
1655-10-06 Regresso das religiosas ao novo convento, embora a igreja ainda não estivesse terminada.
1672 Residiam no convento 28 freiras e 3 padres.
1672 Conclusão da construção da igreja.
1705 O número de religiosas não chegava às três dezenas.
1755-11-01 O terramoto provocou graves danos no convento: a igreja ficou cheia de destroços, tendo caído o coro, nenhuma das 35 celas ficou habitável, a cozinha ficou destruída, assim como o refeitório.
1760-09-08 O convento estava recosntruído, principalmente com verbas vindas de Inglaterra. O número de religiosas era ligeiramente superior a vinte.
1797 Robert Southey refere que já haviam passado vários anos desde a chegada da última noviça.
1809 Apesar de a comunidade ter passado incólume às duas primeiras invasões francesas (1807 e 1808), a Abadessa decide partir para Inglaterra em vésperas da terceira invasão, levando consigo o arquivo, as relíquias e o tesouro do convento. Contrárias à partida, quatro freiras e duas leigas decidem ficar em Lisboa.
1809 As quatro irmãs e as duas leigas que ficaram em Lisboa foram para o Convento do Bom Sucesso, tendo o Convento de Santa Brígida sido ocupado pelo exército inglês para hospital.
1812 Regresso das religiosas ao seu convento.
1834-05-30 É decretada a extinção de todas as casas religiosas masculinas das Ordens regulares e a nacionalização dos seus bens. As comunidades femininas mantêm-se mas ficam impedidas de emitir votos.
1837 Morte, em Inglaterra, da última das freiras que haviam partido de Lisboa em 1809.
1861-08-27 Retorno a Inglaterra das ultimas freiras do Convento de Santa Brígida.
1865 Mesmo sem estar efetivada a celebração do contrato de venda, os jesuítas ocupam o edifício, procedendo desde logo a pontuais alterações, sendo a mais importante a divisão do espaço em dois núcleos .
1867-05-06 Chegada a Lisboa das primeiras doroteias vindas de Génova (Madre Giuseppina Bozano, Madre Luisa Guefi e Soror Maria Puliti), para fundar o Colégio Jesus Maria José.
1869-03-03 Celebração do contrato de venda do edifício à Companhia de Jesus.
1869-05-06 Abertura da escola gratuita, que funcionava no mesmo edifício do Colégio
1870 Construção de um dormitório para educandas internas
1871 Instalação do noviciado numa zona independente e alteração dos vãos do edifício para vãos de peito e sacada.
1874 Grande campanha de obras no edifício.
1875 Construção da capela.
1878 Pedido de autorização para reparação do segundo pavimento e para a construção de mais um andar para dormitório na ala norte do claustro.
1883 Obras no noviciado; pedido de autorização à Câmara Municipal de Lisboa para a construção de mais um piso, no seguimento da ampliação de 1878.
1886 Construção de um novo edifício de dois pisos com entrada pelo nº 8 da Rua do Quelhas, para nele se instalarem a nova portaria e o salão de festas.
1889 Pedido de autorização à CML para a construção de um dormitório.
1890 Grande campanha de obras, com fecho das galerias do claustro (aproveitamento do espaço para instalação do refeitório no piso térreo e de aulas no 2º piso) e obras na capela, tendo-se subido o pé direito.
1892 Encerramento das 2 portas que permitiam o acesso das irmãs ao coro da Igreja das Brígidas.
1895 Visita da rainha D. Améla ao Colégio.
1900 Pedido para construção "na cerca do [...] collegio com entrada pelo muro que limita a mesma cerca pela Rua nº 1 do Bairro Brandão [de] uma caza" para nela se instalar a enfermaria.
1904 Construção de um dormitório sobre o que ficava junto do salão
1904-04-11 Início das obras da nova capela.
1906 Construção de um novo bloco, para instalar «uma copa, um refeitório, uma marquise, [bem como] uma escada para comunicar o edifício antigo com o dito refeitório».
1907-12-24 Inauguração da capela.
1910-10-03 Decreto de expulsão dos Jesuítas de Portugal.
1910-10-05 No contexto da Implantação da República, o edifício do Quelhas é um dos principais focos de conflito, com ferozes ataques às instalações dos Jesuitas.
1910-10-08 As irmãs Doroteias são obrigadas a deixar o edifício e, pouco tempo depois, a partir para o estrangeiro
1910-12-29 Inauguração do Museu da Revolução, instalado no edifício da antiga enfermaria do colégio.
1911-01-10 Decreto de cedência, a título precário, à Instituição do Vintém Preventivo, da parte do edifício do extinto convento com acesso pelo nº 6 da Rua do Quelhas.
1911-04-20 Lei da Separação do Estado das Igreja, em cujo artigo 92º é decretada a impossibilidade de manutenção da função religiosa das antigas posses jesuítas.
1912-12-29 Anulação da cedência do espaço ao Vintém Preventivo; auto de arrendamento do edifício do Quelhas para a instalação do curso secundário e superior de comércio.
1913-10-21 No decorrer da tentativa de golpe monárquico conhecido como "primeira outubrada", o Museu da Revolução é destruído.
1917-09-28 Decreto relativo à criação e instalação nas antigas instalações jesuítas do Arquivo das Congregações, cujo espólio se encontrava no edifício desde Junho de 1911.
1917-10-08 Por via do decreto 3444-A as antigas instalações jesuítas são cedidas ao Instituto Superior do Comércio, acautelando-se no entanto a manutenção do Arquivo das Congregações no edifício até serem encontradas novas instalações para a sua colocação.
1920-09 Tribunal de Haia dá razão a Portugal na questão da pretensão de um governo estrangeiro no diferendo sobre a posse do edifício.
1924-10-04 Inauguração, no salão da igreja do antigo convento, do Museu das Congregações.
1927-02-19 Decreto relativo ao pagamento à Comissão Jurisdicional dos Bens Culturais da importância de 33.000$00, valor da avaliação dos terrenos cedidos ao Instituto Superior do Comércio de Lisboa para construção de laboratórios.
1932 Início da construção de um novo edifício na antiga cerca pequena (dos Jesuítas) para instalação do Museu Comercial.
1935-08 Uma vez concluído, o edifício previsto para acolher o Museu Comercial passa para a posse da Emissora Nacional de Radiodifusão.
1946 A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais encomenda ao arquitecto Luís Cristino da Silva um projeto de remodelação a ampliação do edifício do antigo convento, que nunca haveria de ser concretizado.
1960 | 1979 Campanhas de obras no edifício.
1971 | 1972 Transformação do edifício da antiga enfermaria do colégio em cantina.
1974-04-25 O edifício da Emissora Nacional de Radiodifusão (sob o nome de código Tóquio) é ocupado pelo Movimento das Forças Armadas.
1995 Inaguração do edifício Francesinhas I do ISEG.
1997 Saída da Radiodifusão Portuguesa (antiga Emissora Nacional de Radiodifusão) do edifício que ocupavam há mais de 60 anos, tomando o ISEG posse dele
1998 Inauguração da Biblioteca Francisco Pereira de Moura do ISEG.
1999 Após obras de adaptação, começam a funcionar as novas instalações do ISEG no antigo edifício da Emissora Nacional de Radiodifusão.
2000 Inauguração do edifício Francesinhas II do ISEG.
2001 | 2002 Obras na antiga parte dos jesuítas que levaram à demolição da torre oitocentista.
2005-11-07 Inauguração das novas dependências do ISEG, na parte voltada para a Rua do Quelhas.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

SEQUEIRA, Gustavo de Matos - Lisboa antes do Terramoto de 1755. Museu de Lisboa [1955-1959]. 17 tabuleiros, 10.260 x 4060mm, esc. 1: 500.

Cartografia

CARVALHO, José Monteiro de; - [Livro das plantas das freguesias de Lisboa]. Códices e documentos de proveniência desconhecida, nº 153, Planta da nova freguezia de N. Sª da Lappa, f. 13 (imagem 0040).

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Santa Brígida, 1834].

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Santa Brígida, 2015].

FAVA, Duarte José; - [Carta Topográfica da cidade de Lisboa preparada em 1807]. 3 plantas. 2305-2-16-22.

FERREIRA, Francisco António; - [Mapa topografico dos Terrenos que medeião entre a Pampulha e a Calçada da Estrella / feito geometricamente pelo Architeto da inspecção da cidade de lisboa Francisco Antonio Ferreira].

FOLQUE, Filipe; - [Carta Topográfica de Lisboa e seus arredores, 1856/1858]. 1:1000. 65 plantas; 92 X 62,5cm, Planta 41 (Agosto 1856).

[Levantamento altimétrico da cidade de Lisboa, 1871]. 65 plantas (?).

[Notícia estadística de Lisboa: ou breve notícia das cousas mais notáveis que Lisboa contém e planta da cidade de Lisboa].

PINTO, Júlio António Vieira da Silva; - [Levantamento da planta de Lisboa, 1904/1911]. 1: 1000. 249 plantas; 80 X 50cm, Planta 9F (Fevereiro 1911).

[Planta da Cidade de Lisboa na margem do rio Tejo: desde o Bairro Alto até Santo Amaro].

Manuscrito

[Consultas da Comissão Eclesiástica da Reforma]. [Manuscrito]1822-1823. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 268, n.º 4, Caixa 214.

Arquivo das Congregações. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Livro 1253.

Arquivo das Congregações. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. mç. 29, mct. 4.

Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Lisboa. [Manuscrito]. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério das Finanças, Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Lisboa, Cx. 2010.

Inventário de extinção do Convento de Santa Brígida de Lisboa. [Manuscrito]. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério das Finanças, Convento de Santa Brígida de Lisboa, Cx. 1947.

Livro de Cordeamentos de 1705-1709. [Manuscrito]Arquivo Municipal de Lisboa, f. 780-790v.

Monografia

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AUGIER, George James - The History and Antiquities of Syon Monastery. Londres: J.B. Nicholas and Son, 1840.

BARETTI, Joseph - A Journey from London to Genoa through England, Portugal, Spain and France, Vol. I. Londres: T. Davies, 1770.

BLUNT, John Henry - The Myroure of oure Ladye. Londres: Early English Text Society, 1873.

CARDOSO, George - Agiologio Lusitano, Tomo III. Lisboa: Officina de António Craesbeeck de Mello, 1666.

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COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica do Famoso Reyno de Portugal [...], Tomo Terceyro. Lisboa: Na Officina Real Deslandesiana, 1712.

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GUILDAY, Peter - The English Catholic Refugees in the Continent, 1558-1795, Vol. I. Londres: Longmans, Green and Co., 1914.

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MACAULAY, Rose - Os Ingleses em Portugal. Porto: Civilização, 1950.

NOGUEIRA, Maria do Céu - História da Província Portuguesa das Irmãs de Santa Doroteia, 1886-1910. Linhó. 1967, 2 volumes.

PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1927, pp. 233-235.

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PORTUGAL, Fernando; MATOS, Alfredo de - Lisboa em 1758: Memórias Paroquiais de Lisboa. Lisboa: Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1974, pp. 244 e 310.

REAL, Miguel - Brígidas. Dicionário Histórico das ordens, institutos religiosos e outras formas de vida consagrada católica em Portugal. Lisboa: Gradiva, 2010, p. 340.

ROBINSON, Thomas - The anatomie of the english nunnery at Lisbon. 1630.

SANTA MARIA, Frei Agostinho de - História da Vida Admirável & das Acções Prodigiosas da Venerável Madre Soror Brizida de S. António, Filha Espiritual Singularissima do Venerável Padre António da Conceicam, Abbadeça do Muyto Religioso Convento de Santa Brizida das Madres Inglesas, do Sítio do Mocambo em Lisboa. Lisboa: Officina de António Pedrozo Galram, 1701.

VALÉRIO, Nuno - ISEG. 100 anos a pensar no futuro. Lisboa: ISEG, 2011.

VILLARES, Artur - As Congregações Religiosas em Portugal (1901-1926). [Lisboa]: Fundação Calouste Gulbenkian. Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2003.

Electrónico

Centenário da República. Vamos fazer História [Consult. 22-01-2015].

Periódico

Decreto de 10 de Janeiro de 1911. Diário do Governo, I Série, número 199. Lisboa: Imprensa Nacional. 26 de Agosto de 1911, p. 3623.

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Decreto de 28 de Setembro de 1917. Diário do Governo, 1ª Série, nº 168. Lisboa: Imprensa Nacional. 28 de Setembro de 1917, p. 4299.

Decreto de 29 de Novembro de 1912. Diário do Governo, 1º Série, nº 284. Lisboa: Imprensa Nacional. 4 de Dezembro de 1912, p. 4299.

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MOURA, Maria Lúcia de Brito - As Doroteias em Portugal (1866-1910): Uma Difícil Implementação. Lusitania Sacra, 2ª Série, 8/9. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa. 1996/1997.

O Occidente, Revista Illustrada de Portugal e do Estrangeiro, Volume XXXIV, 34º ano. Lisboa: Empresa do Occidente, [1911], nº 1153, 10 de Janeiro de 1911, p. 5.

Tiago Borges Lourenço; Hélia Silva - O "Convento das Inglesinhas", dinâmicas de uma (antiga) casa religiosa estrangeira em Portugal. Cadernos do Arquivo Municipal, 2ª Série, nº 3. Janeiro/Junho 2015, pp. 39-77.

Material Fotográfico
Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Perspectiva sul.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG| Galeria de acesso ao Claustro. DPC_20150203_012.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior| ISEG | Fachada norte. DPC_20150203_052.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior| ISEG | Antiga cerca do Convento de Santo Crucifixo. DPC_20150203_072.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior| Fachada da Igreja. DPC_20150203_120.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior| Portal da Igreja. DPC_20150203_119.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Convento do Santo Crucifixo de Lisboa | Exterior | Pintura de João Lewicki, 1853. MNV000417.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | ISEG | Antigo edificio da Emissora Nacional. DPC_20150203_108.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Igreja de Santa Brigida | ISEG | Auditório. DPC_20150203_002.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Igreja de Santa Brigida | ISEG | Auditório. DPC_20150203_033.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Igreja de Santa Brigida | ISEG | Capela-mor | Lado da Epistola. DPC_20150203_006.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida| Interior | Igreja de Santa Brigida | ISEG| Capela-mor | Lado do Evangelho. DPC_20150203_005.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Galeria do Claustro. DPC_20150203_018.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Claustro. DPC_20150203_015.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Claustro. DPC_20150203_032.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Galeria lateral do Claustro. DPC_20150203_032.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corredor. DPC_20150203_022.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corpo dos dormitorios. DPC_20150203_023.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Corpo dos dormitorios. DPC_20150203_025.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Acesso ao piso superior. DPC_20150203_020.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Topo do corpo dos dormitórios. DPC_20150203_026.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corpo poente | 2ºpiso | Sala do Conselho. DPC_20150203_048.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corpo poente | 2ºpiso. DPC_20150203_050.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corpo poente | Biblioteca. DPC_20150203_054.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | ISEG | Corpo Norte | Antigo refeitório. DPC_20150203_110.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Emissora Nacional | Revolução de 25 de Abrril de 1974. A77635.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Instituto Superior de Economia e Gestão | Rua do Quelhas. A67427.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Instituto Superior de Economia e Gestão | Rua do Quelhas. A67416.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Instituto Superior de Economia e Gestão | Corpo poente. A67414.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Instituto Superior de Economia e Gestão | Corpo Norte. A67413.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Emissora nacional | Esquina da Rua do Quelhas com a Rua das Francesinhas. ACU001115.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Perspetiva norte | Emissora Nacional. ACU001113.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Colégio Jesus Maria José | Perspetiva Norte.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Colégio Jesus Maria José | Capela.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Exterior | Colégio Jesus Maria José | Jardim.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Galeria do claustro.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Galeria do claustro.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Capela.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Salão de festas.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Dormitório.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Interior | Colégio Jesus Maria José | Refeitório.
União Postal Universal.

Mosteiro de Santa Brígida | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Brígida | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Brígida | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Brígida | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Inventariantes
Tiago Borges Lourenço - 2015-02-27
Hélia Silva

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