Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Mosteiro de Santa Maria de Chelas

Código
LxConv032

Outras designações
Mosteiro de Nossa Senhora de Chelas; Convento de São Félix de Chelas; Convento de São Félix; Convento de São Félix e Santo Adrião de Chelas; Convento de Santa Maria de Chelas; Mosteiro de Chelas; Convento de Chelas

Morada actual
Largo de Chelas

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem dos Pregadores
Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

Género
Feminino

Data de extinção
1878-06-13

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa\Monástico-conventual

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Mosteiro
Claustro
Igreja
Cerca de recreio e produção

Caracterização actual
Situação
Convento - Existente
Igreja - Existente
Cerca - Parcialmente urbanizada

Descrição
Inventário de extinção
ANTT, Ministério das Finanças, Convento de São Félix de Chelas de Lisboa, Cx. 1996 a 1999, http://digitarq.arquivos.pt/details?id=4224429

Com mais de 3700 fólios, o inventário de extinção do Convento de São Félix de Chelas (Mosteiro de Santa Maria de Chelas) é um dos cinco maiores de entre os das casas religiosas em Lisboa.

Ainda assim, os dados relativos ao edifício e seus bens diretos ocupam uma percentagem reduzida destes fólios, uma vez que a maioria reporta aos processos relativos aos foros e pertencentes ao mosteiro - freguesia/concelho: Apelação (f. 0473-0484), Camarate (f. 0487-0484), Campo Grande (f. 0501-0582), Charneca (f. 0585-0596), Fanhões (f. 0599-0641), São João da Talha (f. 0645-0656, 0703-714 e 3505-3537), São João Baptista do Lumiar (f. 0659-0684), São Jorge [extramuros (f. 0687-0700)], Loures (f. 0717-0800), Lumiar (f. 0803-0814), Vialonga (f. 0817-0828, 1069-1144 e 1157-1290), Olivais (l. 0831-0940, 0957-0982, 2943-2972, 3159-3188 e 3209-3235), Beato (f. 0945-0954, 0985-1068, 1147-1156, 2870-2901 e 3653-3668), Coruche (f. 2406-2460), Santarém (f. 2688-2724), Cartaxo (f. 2746-2789), Sintra (f. 2794-2802, 2921-2942, 3445-3485), Óbidos (f. 2836-2845), Barreiro (f. 2846-2869), Belém (acerca do Casal dos Mochos ou Morgado da Serra, em Benfica - f. 2975-3039), Lourinhã (f. 3041-3065), Torres Vedras (f. 3067-3110, 3337-3363), Chamusca (f. 3112-3157, 3317-3335), Cascais (f. 3287-3312), Montijo (f. 3365-3419), Arruda dos Vinhos (f. 3423-3443, 3633-3650 e 3677-3695), Alenquer (f. 3489-3404), Vila Franca de Xira (f. 3553-3569), Azambuja (f. 3571-3594), Mafra (f. 3597-3629), Golegã (f. 3671-3674) ou de diversas localidades (f. 1294-1313, 1398, 1644-1676, 1702-1703, 2462-2564 e 2905-2918).

Ao longo do processo há algumas avaliações de foros respeitantes a propriedades urbanas na cidade de Lisboa: casas na Rua Nova da Piedade 9-13, propriedade de casas na Travessa de São Vicente 3-5 e 5-9 (antiga Travessa das Bruxas, fevereiro de 1875 - f. 3237-3285), Rua da Amendoeira, 3-7 (Julho de 1891 - f. 3541-3552), quinta denominada A Maruja no sitio da Fonte do Louro da freguesia dos Olivaes (que confronta[va] ao Sul com a estrada de Chellas à Fonte do Louro, ao Norte com a do Arneiro, e se compõe de: Casas terreas, terra, oliveiras, horta, arvores de fructo, parreiras, pastagem, officinas de lavoura - julho de 1900 - f. 2566-2590 e 2622-2650), edifício sito na Rua Direita dos Anjo, 5 (setembro de 1900 - f. 1804-1839), prédio da Rua de Santo André, 59-61 (maio de 1903 - f. 2804-2833), predio urbano, situado na Rua da Gallé, freguesia de S. João da Praça (maio de 1904 - f. 2652-2685), Rua da Guia, 33-37 (maio de 1904 - f. 2726-2743) e Quinta do Vale Formoso (novembro de 1909 - f. 2594-2620).

Destacam-se neste particular dois mapas de foros do mosteiro (um dos quais elaborados a 15 de julho de 1881 - f. 3190-3205 e 3697), que permitem ter uma noção global dos mesmos.

O documento mais antigo que faz parte do presente inventário é o Livro de Escrituras do Real Mosteiro de Chellas q' teve principio em 8 de Julho de 1772 e findou em 20 de Dez.bro de 1775. Sendo tabeliães da Casa M.el N. S. de Brito e seu f.º Joaq.m Joze de Brito (f. 0002-0263), que tem um total de 23 escrituras, a maioria referente a em prazamentos, reconhecimentos e vendas de prazos, tendo índice nos fólios 0004-0005.

No contexto do primeiro inventário de extinção do mosteiro é elaborado o mapa dos bens e rendimentos no ano de 1856, dos quais constam o edifício conventual, a cerca, duas hortas e dois olivais contíguos ao mosteiro e 30 padrões de juros reais, um título da dívida e onze inscrições (f. 1334-1335), com uma avaliação total de 43:572$525. Deste documento constam igualmente os nomes dos 223 foreiros (f. 1335-1344) e as relações dos objectos de prata e paramentos do mosteiro respetiva avaliação (f. 1344-1345). Foram igualmente elaborados os mapas de despesa no ano de 1856 (f. 1373-1377 - 19 janeiro 1859), de dívidas ativas e passivas (f. 1381 - 29 janeiro 1859) e do pessoal do mosteiro - num total de 9 religiosas (entre os 45 e os 89 anos), 8 pupilas, 2 recolhidas e 29 empregados d'ambos os sexos no serviço interno e externo da communidade (f. 1390-1391 - 24 janeiro 1859).

A 15 de dezembro de 1858 é assinado o termo de abertura do inventário de bens de raiz, na presença de Silvério Antão Barata Salgueiro (juiz do inventário), Francisco João Brady (escrivão da fazenda suplente do concelho dos Olivais) e Maria Augusta de São José (escrivã do mosteiro). Teve como louvados Emilio Caetano Pinheiro (carpinteiro), Joaquim Eustaquio Pinheiro (pedreiro), Francisco de Paula Pinheiro (pedreiro), Luiz Pedro Gregorio de Oliveira e Francisco Rodrigues da Piedade (ambos lavradores).

O inventário é composto por 4 itens, o primeiro dos quais o edificio do Convento, com suas officinas, que pelos Louvados foi avaliado em dezoito contos de reis, mas que attendendo ao estado de ruina e necessidade de reparos, abatiam deste valor, a quantia de oito contos de reis e por isso reduziram o valor real do mesmo a dez contos de reis.

No edificio do Convento existem differentes propriedades de casas, que estando de baixo da mesma porta de serventia, delle pertencem a differentes casas de fidalgos e particulares, as quaes não se comprehendem no valor do mesmo, e são elas as seguintes: 1ª A Casa que fica por sima da Sacristia do Convento que pertence à Casa do Marquez de Niza, por ter sido mandada fazer por seus antessessores, para terem recolhidas seculares, pessoas de sua familia. 2º A casa que está sobre a Rouparia, no sentro do Convento, pertence a D. Gertrudes Marcellinas de Vilhena, que na mesma ??, a mandou edificar à sua custa, com authorisação do Prelado da Diocese, como ella mesma declarou, a qual authorisação não apresentou. Alem destas duas cazas, existem outras, que pertenciam a particulares, as quaes se acham em completa ruina, e por ser este o seu estado à muitos annos, se ignora a que familias pertenciam (f. 1981).

Constam ainda três outros itens, relativos a cinco propriedades: uma cerca contigua ao mesmo Convento, que se compoem de Horta, Pomar d'espinho, algumas arovres de caroço e pevide, tendo em pequeno ponto, avaliada a sua renda em quarente mil reis captivos de decima, a qual é cultivada por conta das Senhoras Religiosas, e pelos Louvados foi avaliada em oito centos mil reis

Duas Hortas uma chamada a Badana, e outra a do Chiqinto(?), contiguas e pertenças do mesmo Convento, das quaes é Rendeiro Jozé Antonio, do Logar de Chellas e pelos Louvados foi avaliada a sua renda, em sento e vinte mil reis, captivos de decima, e no valor de dois contos e quatro centos mil reis

Nº 4 Dois Olivaes em roda do mesmo Convento, chamados um o da Cruz, ao poente do mesmo, e o outro do Covão ao norte do mesmo, aquelle é contiguo ás Hortas e parte com a Fazenda de Francisco da Silva Pinto, e Quinta do Doutor Jozé Manoel da Veiga; e este é contiguo com a Cerca e parte com a estrada publica que vai de Chellas á Fonte do Louro; os quaes ambos foram avaliados na renda annual de trinta mil reis, captivos de decima, e no valor de seis centos mil reis (f. 1981-1982).

O termo de conclusão do inventário foi assinado a 17 de dezembro de 1858 (f. 1983). Tem junto uma declaração que refere que o edificio do Convento tem a capacidade para nelle residirem, não só setenta e duas Religiosas Professas, como era de sua instituição, mas sim para receber, e nelle residirem aproximadamente dusentas Religiosas Professas, e o pessoal necessario para o Serviço d'estas e do Conventos, sem que para isso seja necessario fazerem-se grandes despesas (f. 1983).

A 18 de dezembro foi assinado o termo de abertura do inventario dos titulos de Credito Publico e das Escripturas de emprestimos feitos com fundos do mosteiro (f. 1986), compreendendo 33 itens com um valor total de 51:673$840 (f. 1987-1996). O seu termo de encerramento data de 27 de dezembro seguinte (f. 1996-1997).

A 28 de dezembro seguinte é assinado o termo de abertura do inventário dos foros, na presença dos três intervenientes dos anteriores (f. 1850). Compreende foros nos concelhos dos Olivais (99 itens - f. 1851-1894), Oeiras (1 item - f. 1895), Belém (8 itens - f. 1895-1897), Sintra (9 itens - f. 1899-1902), Mafra (4 itens - f. 1903-1904), Cascais (1 item - f. 1905), Óbidos (1 item - f. 1905), Belas (2 itens - f. 1906), Vila Franca de Xira (4 itens - f. 1907-1908), Alenquer (3 itens - f. 1909-1910), Torres Vedras (9 itens - f. 1910-1914), Santarém (23 itens - f. 1915-1925), Chamusca (1 item - f. 1924-1925), Arruda (28 itens - f. 1926-1937), Coruche (1 itens - f. 1938), Alcochete (1 item - f. 1938), Montijo (2 itens - f. 1939), Barreiro (10 itens - f. 1940-1943), Seixal (1 item - f. 1944), Almada (5 itens - f. 1944-1946), Sesimbra (1 item - f. 1946), Setúbal (1 item - f. 1947), Santiago do Cacém (1 item - f. 1947), Palmela (5 itens - f. 1948). A 29 de Janeiro de 1859 é assinado o termo de encerramento (f. 1950-1951).

A 24 de janeiro de 1859 é elaborado o termo de abertura do inventario das alfaias e mais objectos preciosos, moveis, livros, impressos e manuscriptos e dinheiros, na presença de Silvério Antão Barata Salgueiro, Francisco João Brady e Maria Augusta de São José, tendo tido como louvados Jozé Antonio da Costa e Antonio de Campos e Silva.

Divide-se em objectos de prata existentes na Igreja e Sacristia (22 itens, avaliados em 502$300 - f. 1958-1963), alfaias e paramentos (5 itens, avaliados em 346$000 - f. 1964-1965), livros (12 itens não avaliados - f. 1966-1967) e móveis (apenas com a nota de que só na casa denominada de Prelada, existem umas seis cadeiras, duas pequenas bancas, uma outra maior, um pequeno armario de páo santo, e alguns pequenos quadros, mas em máo estado todos estes objectos, e por isso não foram avaliados, bem como porque o seu produto, muito pouco excederia à despesa necessaria para serem avaliados - f. 1968). O termo de encerramento é assinado a 29 de janeiro seguinte (f. 1968), data que marca a conclusão do primeiro inventário geral de bens do mosteiro (f. 1370).

Maria Augusta de São José, última religiosa professa, morre às 15 horas do dia 13 de junho de 1878, tendo-se iniciado pouco depois os procedimentos habituais de inventariação e avaliação dos bens da casa religiosa (f. 1598-1600 e f. 1616).

Logo no mês seguinte, a Junta da Paróquia da freguesia de São Pedro de Barcarena, concelho de Oeiras, solicita a cedência dos sinos do mosteiro (f. 1588-1592, 1602).

A 27 de julho é assinado o termo de abertura do inventário dos objetos do culto, e autos de avaliação de diversos domínios diretos (f. 0269), na presença de Antonio Augusto Villaça (administrador do concelho dos Olivais), padre Francisco Gomes Queiroz (nomeado pelo Cardeal Patriarca para assistir ao inventário dos bens do convento - f. 0289-0290), de Manoel José Nunes dos Reis (escrivão da Fazenda de Lisboa) e das antigas pupilas do mosteiro.

Este inventário descreve e avalia os objetos de prata (num total de 127 itens, avaliados em 1:541$438 - f. 0295-0329), paramentos, alfaias e imagens (num total de 229 itens avaliados em 2:519$050 - f. 0331-0388) e quadros (num total de 78 itens avaliados em 984$500 - f. 0389-0409). A 18 de novembro do mesmo ano é-lhe anexado o inventário dos objectos de uso profano (num total de 143 itens avaliados em 601$450 - f. 0410-0445).

A 18 de setembro é elaborada a relação nominal dos individuos do sexo feminino existentes no Convento , num total de 13 pessoas (6 pupilas e 7 criadas) - f. 1470

A 21 de outubro, Antonio Augusto Villaça reune-se com os louvados Eduardo Marcianno Vieira, Valentim Joze Correa e Joze Maria Nepomoceno para que se procedesse à avaliação dos prédios urbanos do antigo convento (f. 2190-2191). Assim, foi examina[do] o extincto convento de Chellas, sito no logar do mesmo nome, freguesia de São Bartholomeu do Beato, concelho dos Olivaes, o qual convento consta de urbano e rustico e confronta pelo norte com a estrada que vai para a Fonte do Loureo, sul com a estrada de Chellas e calçada de Picheleira, nascente com a estrada que vai para os Olivaes e Quinta do Airoles(?), poente com a quinta dos Machados. A parte urbana consta da egreja, coros, sachristias e varias officinas annexas, hospicio dos capelães, convento velho com trez pavimentos, dito moderno com quatro pavimentos e lojas. A parte rustica consta de trez chãos sendo dois para uso d'horta com barracas e abegoarias; trez póços, alem d'outro - todos d'agua potavel, dois tanques, trez almacegas, pomar de espinho e caroço, oliveiras, parreiras, allegretes e restos de jardins. O que tudo sendo bem visto e examinado, avaliaram [...] que, - excluindo todos os objectos de valor historico e artistico - em dezoito contos de reis (f. 2193-2194).

A 12 de novembro seguinte é elaborado o termo de abertura do inventário dos foros, censos e pensões, na presença de Antonio Augusto Villaça (administrador do concelho dos Olivais) e de Manuel Jose Nunes dos Reys (escrivão da fazenda nomeado) - f. 2008-2009. Contempla um total de 218 itens (f. 2010-2187), dividido pelos concelhos de Almada (5 - f. 2010-13), Sesimbra (1 - f. 2013-2014), Seixal (1 - f.2014), Óbidos (1 - f. 2015), Sintra (11 - f. 2015-2025), Chamusca (1 - f. 2025-2027), Alenquer (4 - f. 2027-30), Arruda (1 - f. 2030), Torres Vedras (4 - f. 2031-2035), Mafra (1 - f. 2032), Arruda (31- f. 2035-2037 e 2051-2072), Lourinhã (2 - f. 2037-38), Oeiras (1 - f.2038), Vila Franca de Xira (4 - f. 2039-2044), Belém (9 - f. 2044-2051), Moita (6 - f. 2072-2079), Barreiro (3 - f. 2075-2078), Coruche (1 - f. 2079-2080), Montijo (2 - f. 2080), Cascais (1 - f. 2082), Mafra (3 - f. 2083-2086), Setúbal (9 - f. 2086-2089), Santiago do Cacém (1 - f. 2090), Alcochete (1 - f. 2090-2091), Santarém (14 - f. 2091-2092, 2093-2096, 2097-2100, 2101-2104), Salvaterra de Magos (1 - f. 2093), Almeirim (1 - f. 2096-2097), Golegã (1 - f. 2100-2101), Cartaxo (1 - f. 2104-2105), Azambuja (2 - f. 2105-2107), Bairro Oriental de Lisboa (20 - f. 2107-2122), Olivais (77 - f. 2122-2186), Bairro Ocidental de Lisboa (1 - f. 2187). O termo de encerramento é assinado a 20 de janeiro de 1879 (f. 2188-2189).

A 21 de novembro é elaborado o termo de entrega e depósito dos objetos de culto ao padre Francisco Gomes de Queiroz (f. 0447-0448).

Num documento intitulado diversos titulos de credito publico excedentes aos que foram mencionados no inventario do mesmo convento levantado em 1858, consta uma relação dos certificados, inscrições e títulos da Junta do Crédito Público averbados ao Mosteiro de Chelas, elaborada a 5 de dezembro de 1878 (f. 0459-0462).

Entre 1878 e 1879 são discutidas diversas questões sobre o pessoal do mosteiro (f. 1480-1557, 1738-1740), de entre as quais sobre a familia que prestavam serviço no convento, nele residindo, pedindo-se que sejam abonados (f. 1456-1457).

Antigo capelão confessor do mosteiro, após a morte da última religiosa Francisco Gomes Queiroz foi incumbido pelo Cardeal Patriarca de tomar conta de todo o existente no convento, e essa mesma commissãp lhe foi tambem incumbida pelo Administrador do Concelho dos Olivaes [à exceção dos que foram para a Exposição de Arte Ornamental e que não regressaram ao convento e até ao momento em que o edifício passou para as mãos do colégio e o Bispo de Bragança, superior do colégio, assumio toda a responsabilidade tanto da casa como dos objectos n'ella existentes, tendo por isso em seu poder o inventario e mais documentos que auctorizavam a comissão da referida exposição a levar os objectos de que precisava (f. 1744, 1754)]. Nestas condições fez todo o largo trabalho do inventario com o respectivo empregado da Fazenda. Continuou depois encarregado de tomar conta do referido mosteiro e de guardar tudo quanto fôra inventariado. [...] Além d'este serviço manteve o culto na Egreja, dizendo ali missa ao povo, por mais dois annos até 1883, fazendo á sua custa a limpeza do edificio, e correndo com toda a despeza do culto (f. 1748) Tendo cegado, e por isso ficado impossibilidade de prover para si qualquer sustento, pede, no final de 1882, uma pensão (f. 1743-1771).

A 5 de janeiro de 1884 o Ministro da Marinha solicita que todos os títulos de bens e rendimentos assim como a importância dos foros cobrados pela fazenda, sejam entregues com a maior brevidade à administração dos Colegios das Missões Ultramarinos [a quem o mosteiro havia sido concedido provisoriamente a 30 de setembro de 1880 (f. 1354 e 1462)], a fim de este estabelecimento poder satisfazer aos encargos da sua instituição (f. 1348-1349). Diversos assuntos relativos ao colégio [nomeadamente sobre a entrega àquelle estabelecimento dos titulos e dos juros vencidos, resultantes dos fóros reunidos que pertenciam ao extincto convento (f. 1638) ou sobre a cedência do edifício conventual (f. 1558-1589)] encontram-se dispersos ao longo do processo de extinção (f. 1348-1366, 1383-1387, 1394-1397, 1406-1414, 1426-1454, 1474-1477, 1604-1642, 1700 e 1724-1736). Num curioso e muito interessante apontamento, em Novembro de 1888, o escrivão de fazenda do concelho de Loures [...] [afirmou que] não se acha[va naquela data] collegial algum, estando as lojas e o primeiro andar habitadas por diversas pessoas estranhas (f. 1478).

A 5 de abril de 1884 é elaborada uma relação com a nota do numero dos padrões de juros reaes e outros documentos pertencentes ao mosteiro (f. 1329-1330).

A 27 de outubro de 1894 é elaborado o termo de abertura da primeira parte do inventário dos foros (f. 2204), contemplando os concelhos de Torres Vedras (avaliados em 4:847$996 - f. 2208-2251), Vila Franca de Xira (avaliados em 2:977$302 - f. 2251-2267), Primeiro (avaliados em 764$227 - f. 2267-2275) e Terceiro Bairros de Lisboa (avaliados em 853$862 - f. 2276-2281) e Salvaterra de Magos (avaliação total de 1:172$622 - f. 2284-2296).

A 12 de novembro inicia-se a segunda parte do inventário dos foros (f. 2310), contemplando a avaliação de alguns do foros: concelho de Alcochete (avaliado em 36$800 - f. 2370-2372), Almada (avaliados em 1:844$340 - f. 2372-2375), Almeirim (avaliados em 1:358$764 - f. 2378-2381), Arruda (avaliados em 1:993$430 - f. 2312-2335), Barreiro (avaliado em 29$086 - f. 2375-2377), Sesimbra (avaliados em 269$030 - f. 2336-2340), Sintra (avaliados em 1:694$874 - f. 2341-2353), Moita (avaliados em 2:245$572 - f. 2354-2366), Seixal (avaliados em 1:201$710 - f. 2367-2370), Mafra (avaliados em 510$920 - f. 2382-2392), Primeiro (avaliado em 188$650 - f. 2394-2398 e 2400-2402) e Terceiro Bairros de Lisboa (avaliados em 227$880 - f. 2399-2400).

De Fevereiro de 1895 datam alguns documentos sobre a gratificação dos louvados e encarregados da elaboração dos inventários (f. 1678-1693).

Cronologia
1829-02-08 As religiosas mandam dizer uma missa para dar graças pelas melhoras de D. Miguel. Na véspera o mosteiro foi todo iluminado e lançou-se fogo de artifício.
1834-05-30 É decretada a extinção de todas as casas religiosas masculinas das Ordens regulares e a nacionalização dos seus bens. As comunidades femininas mantêm-se mas ficam impedidas de emitir votos.
1858-12-15 | 1858-12-17 Inventário de bens de raiz do mosteiro. O edifício é avaliado em dez contos de réis (10:000$000) e a cerca em oitocentos mil réis (800$000).
1858-12-18 | 1858-12-27 Inventario dos títulos de crédito público e das escrituras de empréstimos feitos com fundos: 33 itens com um valor total de 51:673$840.
1859-01-24 | 1859-01-29 Inventario das alfaias e mais objetos preciosos, moveis, livros, impressos e manuscritos e dinheiros.
1859-01-29 Termo de encerramento do 1º inventário geral de bens do mosteiro.
1859-09-18 Elaborada relação nominal que indica serem 13 as residentes no Mosteiro de Santa Maria de Chelas: 6 pupilas e 7 criadas.
1861-04-04 Lei sancionando o decreto das cortes gerais de 28 de Março de 1861, que estabelece os termos em que deve proceder-se à desamortização dos bens eclesiásticos. O artº 11º refere que "Todos os bens que, no termo d´esta lei, constituírem propriedade ou dotação de algum convento que for supprimido na conformidade dos canones, serão exclusivamente aplicados á manutenção de outros estabelecimentos de piedade ou instrucção e á sustentação do culto e clero". E que uma lei especial regulará esta aplicação.
1862-05-31 Decreto que regula a execução do artigo 11º da Carta de Lei de 4 de abril de 1861. Inclui as instruções "sobre a administração e rendimento dos conventos de religiosas suprimidos".
1878-06-13 Morre Maria Augusta de São José, a última religiosa professa, e o Mosteiro de Santa Maria de Chelas é extinto.
1881-10-14 Lei pela qual os rendimentos do extinto convento são provisoriamente aplicados à manutenção do colégio, para que este comece a funcionar no próximo ano lectivo.
1882-06-06 Lei que sanciona o decreto das cortes gerais de 17 de maio que autoriza o governo a aplicar definitivamente o extinto Convento de Chelas e a sua dotação para nele ser instalado um colégio filial do de Cernache do Bonjardim.
1883-08-23 Decreto de concessão, a título definitivo, ao Colégio de Sernache de Bomjardim, do edifício do extinto convento e a sua dotação para nele ser fundado um colégio filial das missões ultramarinas.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

Ex-Convento de Chelas, 1º pavimento. [1927].

Extincto Convento de Chellas : planta do andar terreo. [1889].

PEREIRA, Luís Gonzaga - Valle do Convento de Xellas. Museu de Lisboa [1809].

Cartografia

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Santa Maria de Chelas, 1834].

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Santa Maria de Chelas, 2015].

Manuscrito

[Consultas da Comissão Eclesiástica da Reforma]. [Manuscrito]1822-1823. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 268, n.º 4, Caixa 214.

[Requerimento da Prioresa e mais religiosas do Mosteiro de Chelas]. [Manuscrito]1782-03-03. Arquivo Municipal de Lisboa - Núcleo do Arco do Cego. PT/AMLSB/CMLSB/AGER-E/23/250.

Inventário de extinção do Convento de São Félix de Chelas de Lisboa. [Manuscrito]. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. ANTT, Ministério das Finanças, Convento de São Félix de Chelas de Lisboa, Cx. 1996 a 1999.

Monografia

BRANDÃO, João - Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552. Lisboa: Livros Horizonte, 1990, p. 116.

SANTA MARIA, Frei Agostinho de - Santuario Mariano e Historia das Images Milagrosas de Nossa Senhora E das milagrosamente apparecidas [...], Tomo Primeyro. Lisboa: Officina de Antonio Pedrozo Galram, 1707, pp. 173-175.

SOUSA, Bernardo Vasconcelos e, et al - Ordens Religiosas em Portugal: das Origens a Trento. Guia Histórico. 2ª Edição. Lisboa: Livros Horizonte, 2006, pp. 209-210.

Periódico

Decreto de 16 de Junho de 1910. Diário do Governo, nº 136. Lisboa: Imprensa Nacional. 23 de Junho de 1910, pp. 2163-2166.

Decreto de 23 de Agosto de 1883. Collecção Official de Legislação Portugueza, Anno de 1883. Lisboa: Imprensa Nacional. 1884, p. 252.

Decreto de 31 de Maio de 1862. Collecção Completa de Legislação Ecclesiastico-civil desde 1832 até ao presente, 1º volume. Porto: Typographia Gutenberg. 1896.

Gazeta de Lisboa, nº 41. Lisboa: Na Impressão Régia, [17 de Fevereiro de 1829], p. 168.

Lei de 14 de Outubro de 1881. Collecção Official de Legislação Portugueza, Anno de 1881. Lisboa: Imprensa Nacional. 1882, pp. 332-333.

Lei de 4 de Abril de 1861. Collecção Official de Legislação Portugueza [...]. Anno de 1861. Lisboa: Imprensa Nacional. 1862, pp. 155-157.

Lei de 6 de Junho de 1882. Collecção Official de Legislação Portugueza, Anno de 1882. Lisboa: Imprensa Nacional. 1883, pp. 121-122.

Material Fotográfico
Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Exterior | Entrada. DPC_20130403_054.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Galilé. DPC_20130403_093.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Galeria superior do Claustro. DPC_20130403_059.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Claustro. DPC_20130403_057.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Galeria superior do Claustro. DPC_20130403_077.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Claustro. DPC_20130403_078.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Claustro | Galeria. DPC_20130403_087.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2013.

Mosteiro de Santa Maria de Chelas | Interior | Claustro. B091792.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Inventariantes
Tiago Borges Lourenço (Inventário de extinção) - 2015-11-04
Última atualização - 2019-03-04

Imagens: 8