Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Mosteiro da Visitação de Santa Maria

Código
LxConv057

Outras designações
Mosteiro da Visitação de Santa Maria de Lisboa; Convento da Visitação de Santa Maria; Convento das Religiosas da Visitação de Santa Maria; Convento de Nossa Senhora da Visitação de Santa Maria de Belém; Mosteiro da Visitação; Convento das Salésias; Convento das Freiras Salésias

Morada actual
Rua Alexandre de Sá Pinto, 26

Sumário
A fundação do Mosteiro da Visitação de Santa Maria (ou das Salésias) nasceu da intenção do Padre oratoriano Theodoro de Almeida que, no decorrer do seu exílio em França, foi confessor extraordinário do Convento da Visitação de Annecy. Regressado a Portugal em 1778 empreendeu diligências para a fundação do primeiro mosteiro de visitandinas no país, o que ocorre, por decreto régio, em Janeiro de 1782. Instala-se na zona do "Altinho", próximo da Rua da Junqueira, em terrenos comprados ao morgado do conde da Ega e cedidos pela rainha D. Maria I, sendo inicialmente ocupado por cinco religiosas vindas de referido mosteiro francês. As obras de conversão das casas e da ermida pré-existentes iniciaram-se em Junho de 1783, simultaneamente à construção de uma nova igreja adossada ao edifício do convento, aberta ao culto apenas em 1846. Em 1887, exactamente uma década antes da sua extinção, mosteiro, igreja e cerca foram cedidos à Associação de Beneficência São Francisco de Salles. Em 1905 o edifício foi ocupado pelo Refúgio e Casas de Trabalho (pertencente à Provedoria Central da Assistência de Lisboa), que em 1926 é renomeado Asilo Dom Nuno Álvares Pereira (actual Centro de Educação e Desenvolvimento de D. Nuno Álvares Pereira, da Casa Pia, mantendo-se desde então no local). A cerca mantém-se intacta e em alguns locais murada, tendo nela sido instalado o Estádio das Salésias (construído em 1928 e demolido em 1956) e a Escola Industrial Marquês de Pombal (1963).

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem da Visitação de Santa Maria

Género
Feminino

Fundador
Padre Teodoro de Almeida - Encomenda

Data de fundação
1782-01-30

Data de construção
1783-06

Data de extinção
1897-06-23

Autoria
Domingos da Silva - Arquitecto, ANTT, História da Fundação do Mosteiro da Visitação em Lisboa, no ano de 1784.

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Convento
Pátio: 5
Igreja
Cerca de recreio e produção

Tipologia de uso
Inicial - Religioso\Mosteiro ou Convento
Atual - Civil\Equipamento\Educativo

Caracterização actual
Situação
Convento - Existente
Igreja - Existente
Cerca - Parcialmente urbanizada

Propriedade
Estado

Ocupação
Ocupado(a) - Casa Pia de Lisboa

Acesso
Privado\Condicionado

Descrição
Enquadramento histórico
A fundação do Mosteiro da Visitação de Santa Maria deveu-se ao empenho do padre oratoriano Theodoro de Almeida (1722-1804), que em 1769 foi forçado a exilar-se em França devido à perseguição a que havia sido submetido pelo Marquês de Pombal, por razões não clarificadas. Segundo a sua interpretação providencialista, de forma inesperada, veio a residir em Annecy entre os anos de 1769 a 1777, estabelecendo contactos com a casa-mãe das visitandinas, em cujo mosteiro foi confessor extraordinário. Encontrando condições para regressar a Portugal em 1778, Theodoro de Almeida logo empreendeu diligências para a fundação de um mosteiro de religiosas da Ordem da Visitação de Santa Maria no sítio da Junqueira, tratando de reunir múltiplos e influentes apoios para a sua causa.

Através de uma Representação do padre oratoriano Pedro de Carvalho, feita em nome de pessoas devotas próximas da rainha, viria a conseguir que a fundação do cenóbio fosse homologada através de alvará régio de Janeiro de 1782, autorizando-o a fazer a aceitação de bens, fundos, terrenos e edifícios necessários para a edificação da nova casa religiosa. A admissão desta ordem justificava-se na educação de meninas nobres, criando também em habitação separada, um hospício para albergar senhoras da aristocracia sem recursos.

Para o efeito foram compradas, com auxílio monetário da Rainha, um conjunto de casas e uma ermida que se encontravam penhoradas, erguidas por Diogo Parreiras na zona do «Altinho». As obras da conversão destes edifícios em espaço conventual principiaram em Junho de 1783, pouco depois da cedência dos terrenos, estando já em condições mínimas de utilização em Janeiro do ano seguinte, altura em que as cinco religiosas vindas de França ocuparam o mosteiro. Para o novo edificio fez copiar o Pe. Almeida a planta que vem no Costumeiro: porem vendo que ella nao faz menção de quanto separado para as Meninas pensionarias, e que nao se poderia acomodar ao terreno sem grande incomodo, o Sr Arcebispo Confessor encomendou ao Arquitecto D.os da Silva, que trabalhara nas Obras do Paço, que ajudasse os Pes. Carvalho e Almeida neste empenho, o que elle fez formando primeira, e segunda, e terceira planta debaixo da Inspecção do Pe. Almeida, que pelas Cartas de Baiona e Annely e pelo Costumeiro e pelo que elle tinha presenciado em Baiona, procurava todos os Cómodos possíveis (ANTT, História da Fundação do Mosteiro da Visitação em Lisboa, no ano de 1784), construindo-se aposentos separados para religiosas e meninas, incluindo refeitórios à parte, espaço que inicialmente era "huma pequena caza, destinada ao pequeno numero de Religiozas, que haveria no princípio e sem púlpito" (ANTT, Idem). Existem registos da continuação das obras do convento até 1796, sendo de considerar que as mesmas se tenham prolongado e concluído já no decorrer de oitocentos.

Volumetricamente, o edifício mantém as suas principais características iniciais, com quatro alas dispostas em torno de um pátio central. Aquando da fundação do conjunto monástico, lançou-se a primeira pedra para a construção da igreja, num terreno a poente do edifício do convento e com este confinando. A falta de verbas obrigou a que a sua construção se desenvolvesse lentamente, encontrando-se em 1845 parada já há vários anos (PEREIRA, 1927, p. 326), o que obrigou a que as celebrações religiosas ocorressem numa pequena capela, então existente, ao centro do corpo nascente (o chamado «convento velho» por corresponder às casas pré-fundação), concordando provavelmente com a ermida original.

Este espaço é descrito por Gonzaga Pereira como sendo tão pequena que talvez com 50 pessoas esteja cheia [tendo] huma só capella, onde estava o Santissimo e o santo Patriarcha da sua Ordem (Idem, pp. 325-326). Em Maio de 1845, as religiosas lançaram uma campanha de angariação de fundos cujos bons resultados possibilitaram a retoma das obras poucas semanas depois (ANTT, História da Fundação do Mosteiro da Visitação em Lisboa, no ano de 1784). Apesar de ter sido aberta ao culto logo no ano seguinte (a 13 de Agosto, aquando da Procissão do Santíssimo Sacramento), existem registos de pequenas obras ocorridas ao longo da década seguinte (ANTT, Lista das Benfeitorias que Concorrem para o Acabamento da Igreja e do que se Despendeu), concretizando-se num edifício marcante na sua integração do tecido urbano envolvente evidenciando-se através do seu remate por elevado zimbório em forma octogonal.

Com a extinção das ordens religiosas e a respectiva venda dos seus bens imóveis decretada em 1834, o mosteiro esteve em risco, tendo todavia conseguido manter-se atendendo à sua função escolar e assistencial. A continuidade da casa monástica durante a segunda metade do séc. XIX deveu-se em grande parte, à acção do político e empresário agrícola José Maria dos Santos, que conseguiu junto do Governo que as duas Câmaras (de Deputados e dos Pares do Reino) decretassem a cedência do cenóbio e seus anexos às religiosas, sob o nome de São Francisco de Sales, destinando-se então exclusivamente à educação de meninas pobres.

O colégio e mosteiro das visitandinas foi extinto a 23 de Junho de 1897 por morte da última religiosa residente, vindo a Fazenda Nacional a tomar a sua posse em 3 de Julho de 1897. Nele se instalou, em 1905, a instituição «Refúgio e Casas de Trabalho». A existência de uma ampla cerca cujo perímetro se mantinha inalterado, originou pouco depois a ideia da construção neste local da nova Cadeia Civil de Lisboa com o intuito de substituir a antiga cadeia do Limoeiro. Abandonado este projecto, a instituição é reestruturada, dando origem ao Asilo de Nuno Álvares (1926) que manteve a vocação assistencial a rapazes desfavorecidos, funcionando também como escola. Presentemente designado Centro de Educação e Desenvolvimento de D. Nuno Álvares Pereira, está sob a administração da Casa Pia de Lisboa.

Evolução urbana
A edificação do Mosteiro a Visitação de Santa Maria principiou em 1783 na zona do «Altinho» (actual freguesia de Belém), lugar de permeio entre a Rua da Junqueira e o troço poente que veio a ser designado no séc. XIX por «Nova Rua da Junqueira». A construção desta casa religiosa constituiu um importante factor de consolidação urbana do bairro da Junqueira, encontrando-se em linha de continuidade com a instalação, em 1758, do Convento da Boa Hora do lado nascente da antiga Travessa da Abegoaria (actual Travessa da Boa Hora). Teve uma primeira fase de instalação através da compra de uma propriedade com casas e uma ermida que integrava dois jardins. Esta propriedade pertencia ao morgado do conde da Ega, que acabaria por cede-lo às visitandinas, tendo por limites a sul, a esquina da Enfermaria dos criados de El-Rei (actual Beco da Enfermaria), até ao princípio das casas novas, que viriam a ser demolidas para a abertura da futura Rua da Visitação. Com a doação de terrenos pertencentes à rainha D. Maria I, contíguos àquela propriedade, ficaram reunidas as condições para a construção do novo mosteiro e da nova igreja, permitindo simultaneamente um significativo ganho de área conventual a norte, compreendendo terrenos de cultivo que se integraram na sua propriedade. A cerca do mosteiro dispunha ainda de dois anexos, ambos dentro da clausura: um destinava-se a pensionato ou colégio para as educandas fidalgas, e outro a hospício de senhoras da aristocracia sem recursos.

Uma nova rua é aberta logo em 1784, correndo paralela ao Mosteiro das Salésias, pelo lado poente (ganhando o topónimo inicial de Rua das Freiras Salésias). Este arruamento teve um importante papel na urbanização daquele lugar, trazendo a inerente valorização das propriedades com as respectivas casas aforadas pelo convento. Paralelamente, o novo arruamento possibilitou uma ligação mais directa e rápida entre os bairros da Junqueira e da Ajuda.

Após a extinção do convento a cerca permaneceu intacta até 1926, data da cedência, ao C.F. «Os Belenenses», de um terreno na parte norte para a construção de um novo estádio de futebol (Estádio das Salésias, renomeado Estádio José Manuel Soares "Pepe" no decorrer na década de 1930), primeiro campo relvado em Portugal e principal do país até à inauguração do Estádio do Jamor em 1944. Em 1956 o clube muda de instalações (para um terreno no Restelo na cerca do antigo Mosteiro de Santa Maria de Belém), altura em que o antigo estádio é demolido, mantendo-se actualmente no local um improvisado campo de futebol pelado (de dimensões inferior à do original). Na década de 1950, o terreno compreendido entre o edifício do convento e o estádio é cedido para a instalação da Escola Industrial Marquês de Pombal que transita das suas instalações em Alcântara em 1963. Actualmente a cerca continua perfeitamente delimitada, estando ainda murada no seu limite a norte.

Em 1916 a Rua das Freiras Salésias muda de designação para Rua das Casas de Trabalho e em 1963 para Rua Alexandre de Sá Pinto, após aceitação, por parte da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, de um ofício nesse sentido emitido pela Escola Industrial Marquês de Pombal (Alexandre Sá Pinto legou parte da sua fortuna a alguns estabelecimentos de ensino; em semelhante contexto, também tem o seu nome o largo defronte da Escola Industrial D. Henrique, no Porto).

O actual terreno da Casa Pia corresponde sensivelmente ao espaço do convento, do pomar, da habitação do caseiro e abegoaria. Desde o início do século XX existiu um aproveitamento do espaço do antigo pomar para nele ser instalado um conjunto de pequenas edificações para salas de aulas, ainda hoje existentes.

Caracterização arquitectónica
O Mosteiro de Nossa Senhora da Visitação encontra-se no alinhamento do lado poente da Rua Alexandre de Sá Pinto, tendo tido duas fases no seu programa construtivo. A instalação das freiras salésias foi feita numas casas localizadas na zona do Altinho, adquiridas para o efeito pelo representante padre Pedro de Carvalho. A existência de uma ermida sob o orago de Nossa Senhora das Dores junto destas terá sido um factor decisivo para a aquisição, que ascendeu a cinquenta mil cruzados.

Com a cedência por parte da rainha D. Maria I de uma ampla propriedade contígua ao primeiro núcleo de casas, ficaram reunidas as condições para a construção do novo mosteiro e igreja, processo lento que se estenderia por toda a primeira metade do séc. XIX.

O edifício principal é composto por quatro alas rectangulares, enquadrando um pátio central. A sua fachada principal está virada a sul desenvolvendo o seu corpo longitudinal ao longo do amplo pátio de entrada para o mosteiro e confina perpendicularmente com um segundo volume de planta rectângular, cujo alçado principal está virado a poente. Em 1860 este volume é descrito como "um assento de cazas arruinadas situadas do lado do Nascente da já referida lameda, que se compõe de plano baixo e alto com agoas furtadas, havendo no plano inferior uma ermida, e no fundo um quintal ajardinado com dois lagos, alegretes, assentos e um bocado de terra para semiar. O dito assento de cazas servis antigamente de Convento, e por isso é chamado o Convento velho, mas actualmente serve para varias accommodações" (ANTT, Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Visitação de Santa Maria de Lisboa, Cx. 1973, http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4224417f. 0729). Não obstante as múltiplas alterações de que foi objecto, sobretudo na compartimentação da sua planta, destaca-se no alçado principal um corpo central saliente em flanqueado por pilastras rectilíneas do solo ao topo. Fazendo uma leitura comparativa deste corpo central com o desenho de Gonzaga Pereira existente na obra Monumentos Sacros de Lisboa (PEREIRA, 1927, p. 324), é possível verificar que a actual fenestração se identifica com a anterior disposição da antiga ermida de Nossa Senhora das Dores, confirmando a sua integração e disposição sensivelmente central neste volume. No referido desenho percebe-se igualmente a existência de uma notória diferença, estilística e volumétrica, entre os corpos dos dois principais volumes. No entanto, em fotografias do primeiro quartel de novecentos é possível perceber que este volume havia já sido reformulado com um acrescento de uma platibanda por via à concretização de uma uniformização com o restante edificado, numa campanha de obras que não contemplou a manutenção da capela, ainda que se perceba no entanto a sua marcação na actual fachada do edifício.

A entrada no mosteiro é feita através de um vestíbulo dividido com arcada central apresentando na sua decoração parietal painéis azulejares (séc. XIX) e bancos corridos. Este espaço dá acesso ao antigo corredor dos locutórios e a um outro vestíbulo, através do qual se acede à escadaria composta por dois lanços e intervalada por patamar intermédio. Na ala nascente do piso térreo localizavam-se a cozinha e os dois refeitórios (para pensionatas e para religiosas), num espaço reformulado em meados do século XX, mantendo no entanto a mesma função. A ala norte encontrava-se parcialmente ocupada pelo coro e antecoro, o primeiro com ligação com um dos braços do transepto, detrás de cuja grade assistiam as religiosas às celebrações religiosas. Em 1963 é elaborado um projecto para o espaço, à época funcionando como salão de festas, cuja memória descritiva o descreve como "uma dependência cujo pé direito abrange os dois pisos do edifício e é circundada por uma galeria de madeira assente sobre pilares e aros também do mesmo material [...] [nela se encontrando] instalados grandes armários [tendo] servi[do] de rouparia" (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN.DSARH-005/125-4374-08, SIPA.TXT.05222900) sendo, à época, apenas uma zona de passagem entre o corredor e a rouparia, funcionando no antigo ante-coro. A ala sul era originalmente ocupada por cinco locutórios e pela casa da roda. Superiormente as dependências organizam-se em torno do pátio central, ligando-se através de corredores. Era, originalmente, composto por celas das religiosas, camaratas da pensionatas, sala de aulas, enfermaria e diversos aposentos, de entre os quais três capelas.

Diversos foram os projectos de alteração realizados no decorrer do século XX, a maioria dos quais executados na tentativa de adaptar o espaço conventual aos seus novos usos [nomeadamente no alargamento dos vãos de portas, alterações no espaço da cozinha (1934-1936, 1959-1960), adaptação de espaços conventuais a refeitório (1949) ou construção de um terraço encostado à fachada nascente] ou de intervenções em áreas e elementos arruinados ou muito danificados [fachada principal (1933), enfermaria e coberturas (diversas intervenções ao longo do século)].

Uma das principais alterações ocorridas no decorrer do século XX prende-se com a construção de uma cobertura no pátio central em data compreendida entre 1909 (visto ser inexistente no levantamento cartográfico de Silva Pinto dessa data) e 1933 (ano em que é elaborado um projecto de substituição da cobertura de zinco existente - IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN:DSARH/005-125-4392/06, SIPA.TXT.05230013). Em carta datada de 30 de Novembro de 1949, o Provedor da Casa Pia considera como urgente o «levantamento da cobertura [...] (actual refeitório) e adaptação a refeitório da actual padaria (construiu-se uma padaria nova na Secção de D. Maria Pia) e de uma parte da mesma ala do edifício [...] [uma vez que considera] urgente que a parte livre interior do plano do edifício volte às funções primitivas [...] [visto] a grande cobertura [construída] para a sua adaptação a refeitório prejudica[r] altamente não só as condições higiénicas do edifício, dificultando a saída de fumos, cheiros, vapores, etc. como ainda o torna sombrio.» (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN:DSARH/005-125-4344/13, SIPA.TXT.05201351). Nesse mesmo ano é elaborado um projecto contemplando a retirada da estrutura, que ainda é possível ver no levantamento topográfico de 1950.

O alçado principal da igreja, de desenho neoclássico, é verticalmente seccionado por pilastras ritmadoras toscanas de cantaria em três panos, enfatizando o pano central através de um maior largura entre as pilastras, e consequentemente, destacando os vãos centrais com maior dimensão que os laterais. A igreja desenvolve-se em dois andares rasgados por janelas emolduradas, ostentando um pórtico simples de verga recta encimada por moldura lisa ladeada por mísulas, sendo rematada por frontão curvilíneo. A fachada é delimitada por cunhais de cantaria definidos por pilastras, sobrepondo-se-lhes parcialmente as pilastras laterais. No pano central, destaca-se o janelão rematado por frontão triangular e cujo tímpano se inscreve um estuque relevado alusivo à Ordem de São Francisco de Sales. No lado poente, apresenta uma torre sineira adossada ao alçado principal, construção inexistente na diversa cartografia da segunda metade de oitocentos (FOLQUE, 1856/1858, Plantas 54 e 61) e inícios de novecentos (PINTO, 1904/1911, Planta 5C), surgindo já numa fotografia de Benoliel em 1915, cuja principal característica é o seu coroamento integralmente revestido a azulejo. A igreja detém uma volumetria escalonada com cobertura de telhados de duas águas na nave e transepto, e três na cabeceira. No cruzeiro sobressai a cobertura piramidal sobre um pronunciado tambor octogonal integrando oito janelas iluminantes, constituindo a zona de luz mais interessante do interior da igreja. O espaço interior recebe ainda luz por duas janelas nos alçados laterais, e sobre a entrada, três janelas do coro alto, sustentado por três arcos, que se repetem na parte superior, com guarda em balaustrada. A planta desenvolve-se em forma crucial, de nave única, apresentando grande contenção ornamental em termos decorativos, tal como acontece no mobiliário e objectos de culto. O programa decorativo de maior interesse encontra-se nas abóbadas da nave central e transversal da cúpula, pintadas a têmpera, em trompe l'oeil imitando curiosos relevos em estuque de festonadas de meados do séc. XIX.

Em carta da DGEMN datada de 20 de Dezembro de 1949, é referido que a igreja se encontrava "num estado de abandono e conservação deploráveis, pois há muitos anos já que não se tem feito aí quaisquer obras, e tem servido tanto de ginásio como de recreio coberto [servindo ainda,] durante as obras de reconstrução da cozinha, que fôra destruída num incêndio [ocorrido a 7 de Janeiro de 1945] [...] de zona de passagem para a cozinha provisória instalada próximo da Igreja pela Direcção da Casa Pia" (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN: DSARH-005/125-1504/03, SIPA.TXT.03480538), aludindo igualmente à existência de uma despensa localizada sob o coro que inviabilizava o acesso ao espaço por via da porta principal. Ainda em Dezembro de 1949 é elaborado um projecto e respectivo orçamento para a execução de obras de beneficiação na igreja, com o propósito final de abrir o espaço ao culto, incidindo principalmente na "limpeza dos tetos, pintura a têmpera das paredes com reparação dos rebocos e estuques, substituição de uma parte do piso de betonilha, pintura a óleo de madeiras e ferros, construção das portas e caixilhos que faltam e colocação de vidraças" (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN: DSARH-005/125-1504/03, SIPA.TXT.03480532). O projecto pressupunha igualmente a transferência de um altar de uma igreja intervencionada pela DGEMN (no caso um dos altares da Igreja de Armamar), o que não se verificou. Nesse sentido, o valor originalmente alocado à transferência foi usado para a construção de um novo altar em 1950. Em carta da Secretaria da Direcção da DGEMN, datada de 25 de Março de 1955, é referido que lhe havia sido comunicado que o 2altar em referencia, embora servindo, sob licença do Patriarcado, para ministrar o culto aos internados, não reúne as condições necessárias para a abertura da Igreja ao público, primeiro porque é indispensável dotá-lo com um sacrário e segundo porque, devido á sua modéstia, carece da elevação e dignidade indispensável [...] [considerando-se] que só um altar inteiramente novo poderá vir a satisfazer convenientemente ao fim em vista." (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN: DSARH-005/125-1504/03, SIPA.TXT.03480558). O projecto deste novo altar é elaborado em Agosto seguinte, resultando no que actualmente se encontra no templo.

O mosteiro possuía igualmente casa de caseiros e abegoaria, construções voltadas à Rua Alexandre de Sá Pinto, em ruína em 1973 (IHRU/SIPA, IPA.00002533, DGEMN: DSARH-005/125-1504/03, SIPA.TXT.03480798) e demolidas em 1997/1998 (CML, Processo de Obra nº 13305), para em seu lugar ser construído um novo edifício.

Inventário de extinção
ANTT, Ministério das Finanças, Convento da Visitação de Santa Maria de Lisboa, Cx. 1973, http://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4224417

O primeiro inventário de bens do mosteiro é elaborado a 7 de Março de 1860, contando com a presença de João Santos da Matta (prior da freguesia de Santos-o-Velho), de Madre Carlota Joaquina Viale (Superiora do convento) e de Joaquim António Gonsalez (escrivão). A 24 de Março seguinte foram nomeados José Joaquim de Almeida e Guilherme António da Costa Freire "para avaliarem o Convento, a Cerca, e as mais propriedades que a comunidade possue" (f. 0716), António Caetano da Silva ("desenhador agregado as Aulas de pintura da Academia das Bellas Artes de Lisboa"- f. 0721) para avaliar os quadros existentes na igreja e no convento e António de Oliveira Campos e António Ozorio Campos Silva para avaliarem os objectos preciosos e as alfaias da igreja.

O inventário é composto por cinco itens, o título primeiro (do qual consta uma breve "notícia histórica sobre a fundação do convento") respeitante à "descripção e avaliação da igreja, convento, cêrca e mais edifícios anexos" (f. 0727-0734). A igreja é avaliada em 3.000$000, o convento (cuja descrição alude a "um jardim composto de diversas placas de buxo e lago de cantaria com repuxo") em 3.500$000, a cerca em 480$000 e as "casas arruinadas", actualmente correspondentes ao volume nascente (denominadas "convento velho") em 600$000 (f. 0727-0730).

"Título segundo: descripção e avaliação das propriedades rusticas e urbanas que a Communidade possue" (f. 0735-0754).

"Título terceiro: descripção e avaliação dos prazos" (f. 0755-0782).

"Título quarto: descripção dos títulos de credito publico, e das escrituras de empréstimos feitos com fundos do Convento" (f. 0783-0792).

"Título quinto: descripção e avaliação dos objectos preciosos, das alfaias da Igreja, e dos quadros" (f. 0795-0829), fazendo-se descrição dos quadros existentes ainda na igreja, encontrando-se à época capela-mor uma Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel (de António Manuel da Fonseca); no altar do lado direito uma Anunciação de Nossa Senhora (da autoria de Mazucii); no altar do lado esquerdo, um Sagrado Coração de Jesus; na Capela do Sacramento um Cristo Consagrando o Pão (da autoria de Joaquim Rafael); na sacristia uma Nossa Senhora da Piedade com o Senhor Morto (da autoria de Guarchini).

O termo de encerramento do inventário é de 30 de Junho de 1860, data em que se encontravam ainda no convento 10 conventuais e 36 seculares.

Em 1861 são elaborados diversos autos de avaliação de terrenos, um prédio urbano e diversas casas pertencentes ao convento (f. 0465-0489).

Em 1865 é elaborada a avaliação dos números 29 e 30 da Rua das Freiras Salésias (f. 0645-0651).

A 3 de Janeiro de 1890 é redigido o termo de abertura de um inventário respeitante aos bens imóveis do convento, num total de 21 itens.

A 28 de Dezembro de 1892 é redigido um auto de avaliação de bens imóveis do convento (prédios urbanos e terrenos rurais), num total de 19 itens.

Após a morte da última religiosa, a 23 de Junho de 1897, a Fazenda Pública toma posse dos bens do mosteiro, com excepção da igreja, cerca e edifício que foram entregues à Associação de São Francisco de Salles para educação de Meninas Pobres, nos termos da lei de 13 de Julho de 1887.

O termo de abertura da primeira parte do inventário ocorre a 5 de Junho de 1897, encontrando-se presentes Francisco de Paula de Mendonça Pessanha (administrado do quarto bairro), Henrique Joaquim d'Abranches Bizarro (encarregado, pelo Conselheiro Delegado do Tesouro do Distrito, da elaboração do inventário dos bens) e Henrique Joaquim d'Abranches Bizarro (escrivão). Para a avaliação das diversas tipologias de bens são nomeados, a 27 de Julho, Silvério António Marques (santeiro), Francisco José Tavares (avaliador oficial de ourivesaria), Luiz Carlos Rebello Trindade (inspector das bibliotecas públicas) e Manuel Victor Rodrigues (arquitecto e professor de desenho histórico). A 12 de Agosto, é ordenada a entrega ao inspector das Bibliotecas e Arquivos de todos os livros e documentos e ao inspector da Academia Real de Belas Artes de todo o mobiliário, "inclusive os de culto [] e os de valor artístico, a fim de serem recolhidos, por depósito, no Museu Nacional de Bellas Artes e Archeologia" (f. 0030).

É composto por:

- Inventário dos títulos de crédito (f. 0017-0022 - total da avaliação: 442$485).

- Inventário das imagens (f. 0043-0050 - total da avaliação: 510$700).

. Imagens da Igreja: Santa Joana Francisca de Chantal (madeira pintada); São Francisco de Salles (com báculo, madeira dourada); Santo Cristo (de madeira em cruz de pau santo); Nossa Senhora de Lourdes (de massa, pintada de branco e dourada); Santo António (de madeira pintada - provavelmente a mesma que deu a Infanta D. Maria Anna em 1784 aquando da fundação do Convento); Santa Bárbara (de madeira estofada); Santo Cristo (de marfim em cruz de pau santo); Coração de Jesus (em massa estofada); São José com Menino (madeira estofada e pintada); Nossa Senhora da Conceição (de madeira estofada e pintada); Santo Cristo (de madeira com cruz e peanha de pau santo); Santo Cristo (de madeira em cruz envernizada de preto, com resplendor de metal dourado).

. Imagens do mosteiro: Santo Cristo (de madeira em cruz de madeira do Brasil); Menino Jesus dos Atribulados (em madeira); Senhor da Cana Verde (de madeira pintada); São Benício de roca); Santa Teresa (de madeira estofada e dourada); Santa Maria Madalena de Pazzi (madeira estofada e dourada); Senhora das Neves (madeira estofada e pintada dentro de uma maquineta de madeira pintada e com frisos dourados); Santo Cristo (deitado dentro de uma maquineta entalhada e dourada a ouro fino); São Marçal (de madeira pintada e dourada com mitra e báculo); Nossa Senhora da Piedade (barro dentro de uma maquineta pintada e dourada); Coração de Jesus (de massa); Santa Margarida de Cortona (madeira pintada); São Francisco Xavier (madeira pintada); Santa Rita (barro).

- Inventário dos ornamentos (f. 0051-0063 - total da avaliação: 478$200).

- Inventário dos ornamentos - madeiras (f. 0065-0071 - total da avaliação: 456$500).

- Inventário dos móveis (f. 0072-0096 - total da avaliação: 792$200), de entre os quais um órgão de casquinha pintada com remates dourados, um fogão de ferro, com três metros de comprimento, para cozinha (o mesmo que é descrito em "História da Fundação do Mosteiro da Visitação em Lisboa, no ano de 1784" como tendo sido oferta de D. Maria I em 1789), ambos avaliados em 80$000 cada e um oratório sobre cómoda de pau-santo com três gavetas com ferragem antiga (avaliados em 70$000).

- Inventário de ouro, prata e pedras (30 de Julho de 1897, f. 0101-0108 - total parcial da avaliação: 854$100), de entre os quais uma custódia de prata dourada, lavrada em alto-relevo, guarnecida com três anjos e tendo cravejados diversos brilhantes e topázios com o peso aproximado de três mil quatrocentos e setenta gramas (cujo ornato foi oferecido "por uma senhora" em 1784, aquando da fundação do convento - avaliada em 580$000).

- Inventário dos livros (9 de Agosto de 1897, f. 0109-0198 - total da avaliação: 224$600).

- Inventário dos quadros (f. 0199-0228 - total da avaliação: 8.976$100).

. 47 quadros a óleo sobre tela, de entre os quais Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel (António Manuel da Fonseca, avaliado em 600$000); A ceia do Senhor (cópia, 450$000); Anunciação de Nossa Senhora (400$000); Sagrado Coração de Jesus (provavelmente a pintura sobre o tema oferecida pela Princesa do Brasil em 1784 aquando da fundação do Convento -150$000), Santa Catarina (90$000)*; o Baptismo de Cristo (60$000); A fuga de Loth (2.000$000)*; Nossa Senhora da Piedade (2.000$000), a Congregação de São João de Deus (800$000)*; a Degolação de São João Baptista (800$000)*; a Visita de Cristo a Santa Marta, óleo em tela (400$000)*; Ecce Homo (180$000); Nossa Senhora das Dores (100$000); O Filho Pródigo, óleo em tela (100$000)*; Assunção de Nossa Senhora (100$000), A Flagelação de Jesus (90$000); São Sebastião (80$000); A Visitação de Nossa Senhora a Santa Marta (60$000); O Senhor da Cana Verde (45$000); Retrato da Fundadora da Ordem em Madrid (oferecido pela Princesa do Brasil em 1784 aquando da fundação do mosteiro - 45$000); o Senhor com a Cruz às Costas (36$000); A Adoração dos Pastores (30$000); Marta e Maria (30$000); O Menino Jesus Contemplando os Martírios (30$000); Nossa Senhora das Necessidades (18$000); A Adoração do Menino (18$000); O Senhor no Horto (18$000); O Senhor Manietado (18$000); Retrato do Fundador da Ordem em Madrid (oferecido pela Princesa do Brasil em 1784 aquando da fundação do mosteiro - 18$000); Retrato do Cardeal Ranuzzi (que o próprio ofertou em 1786 - 13$500); São Francisco de Salles e Santa Joana Francisca (13$500); Nosso Senhor na Cruz (12$000). As obras assinalados com * foram entregues ao Museu Nacional de Bellas Artes e Archeologia;

. 31 gravuras e 50 litografias.

O termo de encerramento da primeira parte do inventário data de 26 de Agosto de 1897 (f. 0229-0230).

A 5 de Outubro de 1897 é elaborado o termo de entrega dos quadros do espólio do convento ao Museu Nacional de Bellas Artes e Archeologia (f. 0235-0240). A 9 de Outubro seguinte é elaborado o termo de entrega, por depósito "ao Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarcha dos objectos concernentes ao Culto Divino do supprimido Convento da Visitação de Sancta Maria" (f. 0243-0246). A 14 de Outubro é elaborado o termo de entrega dos livros do espólio do mosteiro à Biblioteca Nacional de Lisboa (f. 0247-0249).

O termo de abertura da segunda parte do inventário ocorre a 18 de Novembro de 1897, encontrando-se presentes Francisco de Paula de Mendonça Pessanha (administrado do quarto bairro), Henrique Joaquim d'Abranches Bizarro (encarregado, pelo Conselheiro Delegado do Tesouro do Distrito, da elaboração do inventário dos bens), Henrique Joaquim d'Abranches Bizarro (escrivão) e Manuel Victor Rodrigues [arquitecto e professor de desenho histórico, "escolhido para proceder á avaliação do edifício, egreja, cêrca, e dependências" (f. 0353)].

A igreja, avaliada em trinta contos de réis (30.000$000), é descrita como tendo "alem do altar na capella-mór, outro no cruzeito, defronte do commungatório e dois lateraes no Corpo d'ella. Um d'estes é denominado da Senhora de Lourdes, e o outro do Sagrado Coração de Jesus. Ambos fechados, bem como o altar-mór, por têas de madeira pintada de branco. Tem o altar-mór quatro columnas e duas pilastras da ordem cortinthia, entablamento e arco, tudo ornamentado e dourado. É o retábulo encimado por dois Anjos de madeira pintada de branco imitando pedra, tendo no centro um cordeiro prateado. Os capiteis corinthios. Aos lados, nichos com imagens em vulto []. Os capiteis, mísulas e a moldura do quadros sam dourados. O retábulo e as duas pilastras do altar, no Cruzeiro teem ornatos de gêsso: a banqueta é de madeira com talha dourada. Defronte d'este altar é, como fica dito, o commungatório - de desenho egual. Os dois altares do corpo tem retábulos de madeira ornados, cada um, com duas columnas corinthias com os capiteis dourados. As mísulas e banquetas egualmente douradas. O tecto da Egreja é pintado a claro-escuro, a cóla, pelo insigne pintor Me. Bordes. O pavimento de madeira com fachas, ao centro; de lióz preto e branco. O guarda-vento é de casquinha pintada fingindo mógno. Os degráos do throno da capella-mór sam de madeira, ornamentados e dourados" (f. 0354-0356).

A parte "edificada do Convento com seus jardins, horta com pomar, e cemitérios é avaliada em cincoenta contos de réis" (f. 0359). Segundo a sua descrição, "entrando a lameda fica á frente a portaria. Á esquerda d'esta um corredor com locutórios; á direita a porta d'ingresso para a ex-clausula. Compõe-se esta de plano baixo, de pavimento superior, e de um vão de madeiramentos. No primeiro plano há três capellas []. Há n'elle a casa da roda - refeitório - cosinha com meza de pedra, pias de pedra e fôrno - dispensa - casa de profundis - casas de armazenagem - ante-côro e côro. É guarnecido este com uma bancada, de boas madeiras, entalhadas, composta de quinze assentos por banda, e de três na frente, sobre um parquet de madeira []. Tem uma galeria de soalho resguardada por uma grade de ferro fundido. [] O pavimento superior, para o qual se sóbe por uma escada de cantaria, consta de: - casa do lavor - livraria - enfermaria - refeitório e cosinha dos doentes - de varias cellas [] Existem n'elle também tres capellas" (f. 0357-0359). A cerca foi avaliada em 19.664$200.

Esta parte do inventário é acompanhada por uma planta do mosteiro, igreja e cerca (f. 0362).

O termo de encerramento da segunda parte do inventário data de 7 de Fevereiro de 1898 (f. 0366).

Cronologia
1782-01-30 Alvará de D. Maria I, autoizando a fundação em Lisboa do convento das religiosas da Visitação de Santa Maria.
1782-09-08 Cedência, por parte da Rainha, de um terreno, foreiro à Real Fazenda, para a instalação do Convento e onde posteriormente se abriu a Rua das Freiras Salésias.
1783-03-08 Compra a Manuel Diogo Parreiras do terreno onde se viria a construir o convento.
1783-06 Início das obras de conversão do casario existente em convento.
1783-12-16 Chegada a Lisboa de cinco freiras visitandinas do Convento de Annecy (França), que se instalaram provisoriamente no Convento da Encarnação.
1784 Abertura da Rua das Freiras Salésias e construção das primeiras cinco casas.
1784-01-28 Entrada das freiras visitandinas no Convento da Visitação de Santa Maria de Lisboa.
1784-07-26 Abertura do Pensionato.
1785 Obras nos muros da cerca.
1787-11-24 Morte de Madre Teresa Augusta de Bernex, primeira Superiora do Convento.
1789 Residiam no Convento 34 religiosas com hábito (ou dispostas a tomá-lo) e 41 meninas.
1795-11-07 Escritura na qual Joaquim Pedro Quintella, 1º Conde de Farrobo, é nomeado padroeiro do convento por ter contribuído com a quantia de quatro contos e oitocentos mil réis para as obras da capela- mor da igreja, obrigando-se a dar mais quarenta mil réis anuais para despesas da mesma capela.
1823-12-24 Anunciado na "Gazeta de Lisboa" que, em conformidade com as ordens régias, no dia 10 de Janeiro será posta à venda na Real Casa Pia a lotaria das religiosas da Visitação de Santa Maria.
1832-10-20 No âmbito do Aviso de 19 de Setembro, do Ministério dos Negócios da Guerra, relativo aos donativos de lenços e roupas para os hospitais militares, as religiosas Salésias entregam «5 arrateis de fios, e 3 dittos e meio de panno para curativos».
1832-10-27 Nova remessa de donativos enviada para os hospitais militares, constituída por «2 arrateis e 10 onças de panno para curativo, e 4 arrateis e 13 onças de fios».
1834-05-30 É decretada a extinção de todas as casas religiosas masculinas das Ordens regulares e a nacionalização dos seus bens. As comunidades femininas mantêm-se mas ficam impedidas de emitir votos.
1845 As freiras salésias lançam uma subscrição voluntária, em dinheiro ou espécie, por via a constituir a verba em falta para a conclusão da igreja, cuja primeira pedra se lançou aquando da fundação do convento.
1845 | 1851 Obras diversas no corpo e capela-mor da igreja.
1846-08-13 Transferência para a nova igreja de Nossa Senhora da Visitação em acto solene.
1852 Arranjo da cobertura da igreja.
1853 | 1856 Obras no zimbório da igreja, com colocação de janelas, caixilhos e vidraria.
1861 Obras de beneficiação do convento.
1861-04-04 Carta de Lei sancionando o decreto das cortes gerais de 28 de Março de 1861, que estabelece os termos em que deve proceder-se à desamortização dos bens eclesiásticos. O artº 11º refere que "Todos os bens que, no termo d´esta lei, constituírem propriedade ou dotação de algum convento que for supprimido na conformidade dos canones, serão exclusivamente aplicados á manutenção de outros estabelecimentos de piedade ou instrucção e á sustentação do culto e clero". E que uma lei especial regulará esta aplicação.
1862-05-31 Decreto que regula a execução do artigo 11º da Lei de 4 de Abril de 1861. Inclui as instruções "sobre a administração e rendimento dos conventos de religiosas suprimidos".
1889-07-13 Lei de cedência do convento e seus anexos à Associação de Beneficência de São Francisco de Salles.
1897-06-23 Morte da última freira e extinção do convento,
1897-07-03 A Fazenda Nacional toma posse do edifício.
1905 Instalação da instituição "Refugio e Casas de Trabalho" (Provedoria Central da Assistência de Lisboa) no antigo convento.
1909 | 1915 Construção da torre da igreja.
1911-01-15 Decreto de cedência provisória do edifício e antigas dependências á instituição das Casas de Trabalho, sob asuperintendência do Governador Civil de Lisboa.
1912 Proposta de instalação da Nova Cadeia Civil de Lisboa no edifício.
1926 Cedência do Governo Civil de Lisboa da parte norte da cerca do convento ao Clube de Futebol "Os Belenenses" para a construção do seu primeiro estádio.
1926-11-27 Por via do Decreto-Lei nº 12756, o "Refúgio e Casas de Trabalho" passa a denominar-se "Asilo Nun´Alvares".
1928-01-29 Inauguração do Estádio das Salésias (do C.F. "Os Belenenses"), construído na cerca do convento.
1929 | 1935 Realização de diversas obras de adaptação e reparações urgentes no Asilo Nun´Álvares.
1940 Os Serviços de Urbanização e Obras intimam o Asilo Nun´Álvares a fazer obras de beneficiação no edifício.
1949 Adaptação de várias dependências a refeitório.
1951 Instalação de salas de aulas e de um balneário.
1961 Obras de beneficiação da instalação eléctrica.
1963 Conclusão das obras de construção da Escola Industrial Marquês de Pombal, instalada num terreno da antiga cerca do convento.
1963 Projecto de "Reparação do Salão de Festas" (antigo coro), que prevê a divisão do espaço em dois pisos e demolição total das galerias.
1973 Estudo prévio do projecto para remodelação do edifício.
1974 Remodelação da Secção de Nun´Álvares da Casa Pia de Lisboa (anteprojecto da 1ª fase).
1994 Obras de recuperação da Igreja de Nossa Senhora da Visitação.
1998 Demolição da antiga casa do caseiro e abegoaria.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

Planta para o projecto de alterações nos terrenos da Igreja e Convento das Religiosas de Santa Maria de Lisboa à Junqueira. Museu de Lisboa [1853].

Cartografia

[Enquadramento urbano | Convento da Visitação de Santa Maria, 1834].

[Enquadramento urbano | Convento da Visitação de Santa Maria, 2015].

FAVA, Duarte José; - [Carta Topográfica da cidade de Lisboa preparada em 1807]. 3 plantas. 2305-2-16-22.

FOLQUE, Filipe; - [Carta Topográfica de Lisboa e seus arredores, 1856/1858]. 1:1000. 65 plantas; 92 X 62,5cm, Plantas 54 e 61 (Janeiro 1858).

[Levantamento altimétrico da cidade de Lisboa, 1871]. 65 plantas (?).

[Notícia estadística de Lisboa: ou breve notícia das cousas mais notáveis que Lisboa contém e planta da cidade de Lisboa].

PINTO, Júlio António Vieira da Silva; - [Levantamento da planta de Lisboa, 1904/1911]. 1: 1000. 249 plantas; 80 X 50cm, Planta 5C (Abril 1909).

Manuscrito

[Consultas da Comissão Eclesiástica da Reforma]. [Manuscrito]1822-1823. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça, Maço 268, n.º 4, Caixa 214.

História da Fundação do Mosteiro da Visitação em Lisboa, no ano de 1784. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Manuscritos da Livraria, nº 661.

Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Visitação de Santa Maria de Lisboa. [Manuscrito]. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério das Finanças, Convento de Nossa Senhora da Visitação de Santa Maria de Lisboa, Cx. 1973.

Lista das Benfeitorias que Concorrem para o Acabamento da Igreja e do que se Despendeu. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Arquivo das Congregações, liv. 1034.

Receita e Despesa. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Arquivo das Congregações, liv. 843.

Monografia

ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa, livro IX. 2ª Edição. Lisboa: Vega, 1993, p.64.

Arquivo Municipal de Lisboa - Obra nº 13305: Rua Alexandre de Sá Pinto, 26, Casa Pia de Lisboa - Colégio D. Nuno Álvares Pereira. 1 volume.

PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, Guilherme - Portugal. Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Numismático e Artístico, volume VI. Lisboa: João Romano Torres Editor, 1912.

PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1927, pp. 324-327.

Electrónico

Convento de Nossa Senhora da Visitação / Convento das Salésias / Colégio Nuno Álvares. Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana [Consult. 11-11-2014]. SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, IPA.00002533.

Periódico

Alvará de 30 de Janeiro de 1782. Supplemento à Collecção da Legislação Portugueza [...]. Anno de 1763 a 1790. Lisboa: Na Typ. de Luiz Correa da Cunha. 1844, pp. 514-516.

Decreto 12056/1926, de 23 de Novembro. Diário do Govêrno, 1ª Série, nº 271. 4 de Dezembro de 1926.

Decreto de 15 de Janeiro de 1911. Diário do Governo, I Série, número 199. Lisboa: Imprensa Nacional. 26 de Agosto de 1911, p. 3623.

Decreto de 31 de Maio de 1862. Collecção Completa de Legislação Ecclesiastico-civil desde 1832 até ao presente, 1º volume. Porto: Typographia Gutenberg. 1896.

Gazeta de Lisboa, nº 251. Lisboa: Na Impressão Regia, [23 de Outubro de 1832], p. 1217.

Gazeta de Lisboa, nº 257. Lisboa: Na Impressão Regia, [30 de Outubro de 1832], p. 1244.

Lei de 13 de Julho de 1889. Collecção Official de Legislação Portugueza, Anno de 1889. Lisboa: Imprensa Nacional. 1890, p. 324.

Lei de 4 de Abril de 1861. Collecção Official de Legislação Portugueza [...]. Anno de 1861. Lisboa: Imprensa Nacional. 1862, pp. 155-157.

O Comércio da Ajuda, nº 84. [5 de Janeiro de 1935].

Suplemento Literário "Bazar das Letras, das Ciências e das Artes". A Voz, Série 29, nº 17. Lisboa 8 de Fevereiro de 1958.

Material Fotográfico
Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Fachada Sul.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Zimbório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Pátio.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Pátio | Vãos.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Portaria.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Vestíbulo.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Escadaria.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Escadaria.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Portaria superior.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Portaria superior | Porta de acesso às celas.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corredor das celas 2º piso.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corredor das celas 2º piso | Porta.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corredor das celas 2º piso | Antiga cela.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corredor das celas 2º piso | Porta.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corredor das celas 2º piso | Sala.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corpo Sul | 2º piso.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corpo Sul | 2º piso.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corpo Sul | 2º piso.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Corpo Sul | 2º piso | Azulejo de figura avulsa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 2º piso | Sala.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 2º piso | Sala.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este | Lavatório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este | Lavatório | Torneira.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este | Antigo refeitório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este | Antigo refeitório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Este | Antigo refeitório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste | Lavatório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | 1º piso | Corredor Oeste | Lavatório | Torneira.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Capela Mor.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Zimbório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Tecto da nave da igreja.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Transepto | Lado do Evangelho.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Transepto | Lado do Epistola.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Zimbório.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Nave da Igreja.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Tecto do coro alto.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Capitéis.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Capitéis | Pormenor.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Tecto.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Tecto.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Coro alto | Vão de acesso ao convento.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Interior | Igreja | Coro alto | Vão.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Rua Alexandre de Sá Pinto. N43928.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Cerca | Campo das Salésias. N33304.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Cerca | Campo das Salésias. N33305.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Cerca | Campo das Salésias. N33306.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Fachada Sul. FEC000227.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Cerca | Campo das Salésias. N093859.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Cerca | Campo das Salésias. N093858.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Fachada Sul. JBN001544.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Fachada Sul. A76205.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro da Visitação de Santa Maria | Exterior | Perspectiva Sul. N73691.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Inventariantes
Nuno Ludovice - 2013-09-24
Tiago Borges Lourenço - 2014-11-18
Última atualização - 2018-07-31

Imagens: 59