Ficha de Casa Religiosa
    
Designação
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré

Código
LxConv065

Outras designações
Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo; Mosteiro das Bernardas; Convento das Bernardas; Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa

Morada actual
Rua da Esperança, 148

Sumário
Localizado no antigo Bairro do Mocambo (actual Madragoa), o Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré (ou das Bernardas) teve a sua génese em 1654 no Recolhimento de Santa Madalena, em cujas casas se instalaram as religiosas. Fechada a clausura a 6 de Janeiro de 1655, as obras do edifício arrastaram-se durante todo o século XVII, estando concluídas apenas em 1708. Tendo sofrido profundos danos com o Terramoto de 1755 (ainda que sem mortes a registar), as religiosas foram instaladas no ano seguinte numa quinta ao Campo Pequeno e em 1769 em Setúbal, em propriedades que D. José lhes comprou para o efeito. Reconstruído o mosteiro (seguindo, em traços gerais, os preceitos do original), foi reocupado de 1786 até 1850, altura em que as únicas três religiosas pediram para ser instaladas noutros conventos da mesma ordem. Tendo tido diferentes donos particulares durante quase século e meio, na sua igreja se instalou um cinema (1924) e uma oficina (década de 1950), tendo a restante área conventual sido maioritariamente ocupada por ocupação educacional (séc. XIX) e habitacional (desde o início do séc. XX). Depois de décadas a padecer de problemas de salubridade, sobrelotação e conservação, a Câmara Municipal de Lisboa adquire o imóvel em 1998, onde é instalado o Museu da Marioneta, mantendo-se simultaneamente a função habitacional.

Caracterização geral
Ordem religiosa
Ordem de Cister

Género
Feminino

Fundador
Frei Vivardo de Vasconcelos

Data de fundação
1654-11-02

Data de extinção
1909-04-16

Autoria
João Antunes - Arquitecto, Atribuição, Arquitecto do edifício - 2ª metade do século XVIII.
Giacommo Azzolini - Arquitecto, Atribuição, Arquitecto da reconstrução no pós-terramoto de 1755.
António Pereira Ravasco - Pintor, Contrato, Quatro painéis para a capela-mor, pós 1696.
Pedro Alexandrino de Carvalho - Pintor, Atribuição, Pintura do tecto da igreja - 2ª metade do século XVIII.

Tipologia arquitetónica
Arquitetura religiosa\Monástico-conventual

Componentes da Casa Religiosa - 1834
Convento
Claustro
Igreja

Tipologia de uso
Atual - Civil\Equipamento
Atual - Civil\Habitação
Atual - Civil\Hotelaria

Caracterização actual
Situação
Existente
Existente

Propriedade
Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa

Ocupação
Convento - Ocupado(a) - Museu da Marioneta
Igreja - Ocupado(a) - Museu da Marioneta

Acesso
Museu da Marioneta - Público\Condicionado
Privado\Condicionado

Disposições legais
Imóvel de Interesse Público; Decreto 2/1996; 6 de Março

Descrição
Enquadramento histórico
Em 1653, frei Vivardo de Vasconcelos, abade do Convento de Nossa Senhora do Desterro, único cenóbio cisterciense até então existente em Lisboa, tomou conhecimento de que na freguesia de Santos-o-Velho havia um recolhimento de algumas mulheres devotas que desejavam servir a Deos (História dos Mosteiros..., II, 1972, p. 444), chamado da Magdalena, regido por Maria da Cruz, que tinha vindo de Roma. No dia seguinte, 1 de Setembro, foi-lhe falar e, segundo palavras do próprio, de tal modo me prendeu a conversação daquella creatura, que eu a buscaria em mais dos dias para falarmos de Deos, e eu lhe cobrar tanto respeito e veneração que lhe falava de joelhos, e quando a hia buscar, hia resando canticos e himnos ao Senhor [...] (Cód. Alcobacences, CDXXXIII/307).

A 18 de Janeiro seguinte, frei Vivardo toma conhecimento, por via de um clérigo chamado José Rolão, que D. Diogo Lobo (antigo prior-mor do convento de Palmela, da Ordem Militar de Santiago de Espada, de quem o clérigo havia sido capelão) dezejava muyto fundar hum mosteyro de monjas cistersiences de observancia reformada e que elle mesmo ordenara huns statutos e os deyxara já confirmados pella Sé Apostolica, com licença para fundaçam do mosteyro (História dos Mosteiros, II, 1972 p. 444). Agradado com a notícia de que havia uns estatutos confirmados por Clemente VIII para a fundação de uma casa de recoletas de Cister que não chegou a fazer-se, frei Vivardo foi falar com Maria da Cruz e tendo entendido a vontade que as recolhidas mostraram de serem Religiosas sogeytandose aos statutos e regras que pera a ditta reforma tinha feyto o D.Prior, (Idem) tratou de obter a licença necessária junto de D. João IV. No entanto, e contrariamente à vontade da rainha D. Luísa de Gusmão, tanto o rei como as autoridades eclesiásticas levantaram grandes dificuldades à fundação de mais um mosteiro.

A 2 de Novembro de 1654, Vivardo decidiu ir ao Paço fazer mais uma tentativa junto do rei. Perante a irredutibilidade do monarca, ameaçou-o com um castigo divino, o que terá deixado o rei perturbado. Já após a saída do religioso, e graças à intervenção da rainha, o monarca despacharia favoravelmente a fundação da recoleta. No sábado seguinte foi frei Vivardo à audiência pública falar com o rei que lhe disse Domingo quando me falaste, logo se me virou o coração, e logo determinei de vos despachar, mas não volo quis dizer. [...] duas vezes fuy para dizer não, e não foi que se me atravessou no coração, que nunca o pude pronunciar. E mais quero vos contar hum milagre que Deos fez em mim. Eu tinha hum braço com hum formigueiro, e quasi esquecido, e com grande temor de ficar aleijado, e no ponto em que assinei este despacho fiquei são como nunca tivera nada (BNP, Reservados, Cód. Alcobacences, CDXXXIII/307).

Vencida também a oposição das autoridades eclesiásticas, frei Vivardo tratou de eleger as fundadoras para o novo convento que foram escolhidas no mosteiro de São Bento, de Évora: D. Antónia Moniz (que mudou o nome para Soror Antónia do Espírito Santo, e ocupou, durante doze anos o cargo de abadessa), D. Francisca de Vasconcelos (que se veio a chamar Soror Francisca das Chagas), e D. Maria de Almeida (que passou a Maria do Sacramento).

Na festa da Epifania, de 6 de Janeiro de 1655, fechou-se a clausura do convento, que foi dedicado à Virgem Nossa Senhora da Nazaré. A data de 1651 e a frase Esta obra he de Deos inscritas na base do cruzeiro de pedra que encima o portal da Travessa do Convento das Bernardas parecem indiciar a fundação do recolhimento primitivo.

Para o efeito foi necessário comprar as casas onde viviam as recolhidas, pelo valor de cinco mil cruzados provenientes das esmolas dos fiéis, uma vez que o convento não tinha padroeiro nem rendas próprias.

Entre 1664 e 1699 as madres assinaram diversas petições de modo a que lhes fosse cedida uma travessa (com cento e quinze palmos de comprimento e vinte de largura) que ligava a actual Rua do Castelo Picão à Travessa das Freiras Bernardas, para que, desse modo, pudessem concluir as obras do convento, visto possuírem já edifícios nos quarteirões contíguos. Tendo sido o pedido concedido, no início de setecentos, deu-se continuidade à obra.

Em 1696, as religiosas celebram com António Pereira Ravasco um contrato no valor de 120.000rs. para a execução de quatro painéis com passos da vida de São Bernardo para a capela-mor da igreja da autoria de João Antunes (SERRÃO, 2001).

No ano de 1706 o mosteiro contava com 47 monjas e 8 conversas, e crescia o número das que requeriam o estatuto. Graças aos dotes das religiosas foi possível continuar as obras do convento. O conjunto terá ficado concluído por volta de 1708, estando já concluída aquando da execução do Panorama de Lisboa em azulejo (c. 1700).

Como convento de clausura, a vida da comunidade religiosa processava-se toda dentro dos limites do edifício, que, dado não possuir cerca, dependia totalmente do exterior para adquirir os bens necessários à sua alimentação e manutenção (exceptuando o abastecimento de água, que era feito graças à existência de duas cisternas no claustro). A vida que se professa neste convento nam deyxa de ser aspera, porque os alimentos sam sempre os da Quaresma, sem se dispensar em comer carne, de que só usam as enfermas que no tempo da doença sam trattadas com toda charidade, e as que tem saude jejuam oyto meses no anno. Andam descalças com alparcatas abertas. Nam se permitte o uso de roupa de linho. O tempo das Matinas he as duas horas depoys da meya noyte, sem dispensaçam. Alem da reza d'officio divino, que he muyto larga, ha mays duas horas de oraçam mental, todos os dias em communidade, fora outros exercicios spirituaes. A pobreza se observa com grande perfeyçam, porque na cella nam ha mays que uma barra com humas taboas de pao, e em cima hum enxergam de palha, mantas d'estamenha, huma cruz de pao sancto, huma pia de agua benta de barro vidrado, hum escabelo de madeyra tosca, alguns livros spirituaes e huns instrumentos de penitência, e este he todo o movel da cella. O vestido he hum habito de burel branco e hum escapulario preto, com uma cogula de estamenha branca por cima. O toucado he de panno de linho caseyro, assim a toalha como o veo. Nam se permitte communicação pera fora, mays que com pay, mãy, irmãos e parentes muy chegados, e estando sempre com escuta. A mortificaçãm da vontade propria he muy frequente, porque tudo he regulado pella Prellada, da qual ha dependencia ainda nas couzas mínimas (História dos Mosteiros..., II, 1972, p. 446). Os enterramentos das religiosas eram feitos sob as arcadas do claustro.

O mosteiro foi quase completamente destruído pelo Terramoto de 1755, não havendo, contudo, mortes a registar. Segundo frei João Raposo seriam quase três quartos depois das nove horas da manhã [quando as monjas] sentiram o estrondoso tremor [...]. As paredes caiam para fora. Saindo com muito custo sobre todas as ruinas para a rua acharam derribado o muro da cerca do conde de Vila Nova, que lhes ficava defronte do mosteiro, por onde entraram e donde estiveram cinco dias e quatro noites sem abrigo e com muita aflição. No quinto dia, por ordem de sua magestade, o sr. D. José o primeiro, foram para a cerca das religiosas da Esperança, onde estiveram seis meses e vinte dias debaixo de uma lona (SANTOS; FERREIRA, 1996).

O monarca comprou-lhes uma quinta (Quinta dos Louros) no Campo Pequeno por 20$ cruzados para onde foram em 25 de Maio de 1756. Nas folhas de rendimentos e despesas do convento, no triénio de Maio de 1756 a Abril de 1759, verifica-se a despesa na quinta que se comprou no sítio do Campo pequeno que consta de pomar, terras e casa p(ar)a acommodação das Religiosas oyto contos de reis. Despendeose na forma que se deu às d(it)as casas p(ar)a servirem de Most(ei)ro, asseio da Capella, e com hu(m) tanque que se fez de novo, e mais preparos p(ar)a a ditta acommodação Religiosa doys contos quatro centos e nove mil reis». Entre as diversas despesas feitas nesse período destaca-se ainda as da construção de «nove moradas de cazas que se fizerão no Mocambo na rua direita de Santos e na rua da palha e com outra morada de casas nobres que ficão principiadas na d(it)a rua direita de Santos» no valor de «sette contos quinhentos noventa e quatro mil quinhentos oytenta e doys r(eis) (ANTT, Mosteiro de Alcobaça, Folhas de rendimento e despesa... Maço 3, nº 143). A construção das casas na rua de Santos levou a um litígio com o Conde de Vila Nova, cujo palácio lhes ficava fronteiro, e que lhes moveu um embargo.

Em Carta de 19 de Setembro de 1769, D. José fez doacção perpetua e irrevogável à comunidade das Religiosas (...) do Collegio [de S. Francisco Xavier] com sua cêrca que tinha sido dos Padres da Companhia de Jezus (ANTT, Inventário de extinção..., Cx. 1995, f. 0229). Um decreto do abade geral D. Frei Manuel de Mendonça, obrigou à sua transferência para o referido Colégio, que ficava em Setúbal, e de que as freiras tomaram posse em 14 de Outubro desse ano. Nova Carta Régia, datada de 1776, faz doação de mais um terreno, também em Setúbal, onde podiam edificar. São, portanto de doação régia os prazos da vila sadina, não se conhecendo, porém, as origens dos prazos ou foros em Lisboa, sendo provável que proviessem de doações de fiéis.

O regresso das religiosas ao convento do Mocambo aconteceu em 1786. Em termos espaciais o edifício primitivo pouco diferiria da actual construção. A topografia do terreno, desde sempre, obrigou à construção de dois pisos abobadados que, à semelhança de um criptopórtico, permitia vencer a acentuada diferença de cotas.

Nesse período, o rendimento do convento consistia em padrões, aluguer de cazas e alguns foros em Setuval, Sintra, e Corte de Lisboa, de algumas ordinarias que lhe dão por esmola na mesma corte, e em Alcobaça, e de tenças vitalicias; o que tudo virá a constituir o total de dois contos, quatro centos, trinta, e cinco mil reis, poco mais, ou menos [havendo a descontar 145 mil réis, por morte de três religiosas, e 470 mil réis de despesas com ordenados] satisfacção de hum legado, tres creados, quatro creadas, lavandeiras, e mais gastos ordinários (BNP, Reservados, COD.1493-96, p.27 e 27 vº).

No edifício conventual, para além do arrendamento comercial dos espaços abertos à Rua da Esperança, destaca-se, no triénio de 1813-1816, a existência de uma despesa referente a obras num armazém, de forma a adaptá-lo a habitação para arrendamento a inquilinos: D(espendeu-se) em obbra das cazas novas por baixo da Feitoria, q(ue), quase nada rendendo, desde q(ue) se fez o Most(ei)ro athe o prezente, por estar m(ui)to tempo sem ter alugador, por ser hu(m) armazem sem acomodação algu(m)a, nelle se fizerão acomodacoes p(ar)a hum, dois, tres, ou quatro moradores, com suas quatro cozinhas, e mais acomodacoes precizas, podendo alugarse tudo a hum só inclino, ou mais, por ter portas interiores de comunicação, p(ar)a o que foi nec(essári)o abrir hu(m)a porta nova, e larga p(ar)a o armazem, e outra, logo junto desta, para a escada das cazas q(ue) ficam sobre o m(es)mo armazém, abrir cinco janellas e hu(m)a porta p(ar)a a Calçada de Castello Picão, oito portas nas paredes interiores, e fazer janelas de sacada com suas grades de ferro, as duas q(ue) havia de peitos; o q(u)e foi tudo precizo p(ar)a dar lus ás cazas, e boas serventias aos inclinos, tendose também aproveitado o grande xaguão q(u)e servia de cloaca, no qual se fes hua morada de quatro andares, e tudo se acha arrend(ad)o pella p(rimei)ra ves, a quatro moradores pella quantia de quarenta moedas e meia, sendo a maior p(ar)te em metal, não obstante terem sido arrend(ad)as fora do tempo em q(u)e costuma haver mais pertendentes (ANTT, Mosteiro de Alcobaça, Folhas de rendimento e despesa..., Maço 3, nº 143).

A extinção das ordens religiosas do sexo masculino, em 30 de Maio de 1834, impunha a imediata incorporação de todos os bens daquelas ordens na Fazenda Nacional. Esta medida não implicou, no entanto, o encerramento dos conventos do sexo feminino, que se manteriam até à morte da última freira. No caso específico do Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo, a desocupação ocorre em 1850 em razão do seu estado de ruína e do decreto de 9 de Agosto de 1833 que, para além de proibir novas admissões à profissão de freira, determinava que os conventos, mosteiros, casas seculares e hospícios com menos de 12 religiosas seriam extintos e as suas propriedades incorporadas nos bens nacionais (à época permaneciam apenas três religiosas no edifício: D. Carolina Augusta de Castro e Silva, D. Anacleta Justa do Carmo Semedo e D. Maria Matilde dos Anjos).

Enviadas numa primeira fase para o vizinho Convento das Trinas do Mocambo, aí permanecem pouco tempo, pedindo para ser incorporadas no Real Mosteiro de S. Dionísio de Odivelas, ou de S. Dinis, da mesma ordem, com a condição expressa de administrarem as suas rendas, e de se não confundirem os bens da sua casa com os do mesmo Real Mosteiro, excepto D. Maria Matilde dos Anjos que obteve licença para ser incorporada no Convento de São Bernardo de Portalegre (ANTT, Inventário de extinção..., Cx. 1995, fl. 209).

Em 1859 é elaborado um inventário dos bens do convento, pelo que, no dia 30 de Setembro desse ano, o desembargador da Relação Eclesiástica, cónego João de Deus Antunes Pinto, e o oficial da Repartição da Fazenda, Joaquim António Gonçalves, se reuniram no Real Mosteiro de S. Dionizio de Odivelas, e às grades (...) compareceu da parte de dentro (...) D. Carolina Augusta de Castro e Silva (MIRANDA, 1999). Filha legítima de Romão José da Silva e de Francisca Maria dos Santos, professa desde 1831 com 16 anos, viria a falecer em 16 de Abril de 1909, com 93 anos de idade.

O edifício foi comprado pelo professor Joaquim Lopes Carreira de Melo que nele fundou o Colégio de Nossa Senhora da Conceição. Um anúncio publicado no Jornal do Comércio publicita a transferência, no final de Dezembro de 1855, do Colégio, que desde o anno de 1848 tem estado no palácio da Calçada da Estrella, nº8, [...] para o bello e grande edifício que foi mosteiro das religiosas da Nazareth do Mocambo. [...] Ali, todos os alumnos ficarão separados; até aos 10 annos n'um dormitorio de camaratas, e dos 10 annos para cima, cada um ficará no seu quarto particular; mas ainda assim separados n'outros dormitorios com escadas independentes, e pelas seguintes divisões por idades de 10 a 12 annos, de 12 a 14, de 14 a 16, e de 16 para cima (Jornal do Comércio, 6 de Dezembro de 1855). O dístico deste estabelecimento de ensino, onde foram alunos o dramaturgo D. João da Câmara e o célebre médico Dr. Sousa Martins, sobrepõe ainda o portal da fachada.

Segundo Júlio de Castilho, em 1893 aí funciona o Colégio Académico Lisbonense de Frederico Vilar. Houve ainda um colégio do professor Ferreira e o Liceu Politécnico de Luís Rodrigues.

No início de Novecentos, desaparecidos os estabelecimentos de ensino, o edifício foi adquirido por um novo proprietário que o converteu em habitação de numerosas famílias de fracos recursos económicos, mantendo-se no piso térreo um conjunto de estabelecimentos comerciais (tabernas e carvoarias).

Apesar de nenhuma freira habitar o edifício há quase 60 anos, o convento apenas é extinto aquando do falecimento da última freira, D. Carolina Augusta de Castro e Silva, a 16 de abril de 1909, fazendo deste o último dos conventos de Lisboa a ser extinto.

Na igreja do antigo edifício conventual, o empresário Santos Malafaia instalou um cinema inaugurado em Junho de 1924, baptizado de Cine Esperança ainda que fosse conhecido como Cinema Malafaia. A fraca adesão do público levou ao encerramento precoce da sala que, contudo, continuou com actividades ligadas ao espectáculo.

A laicização da igreja só foi definitivamente assumida na década seguinte, com a execução de pinturas murais de gosto art déco, atribuídas ao cenógrafo Mário Costa, que se sobrepuseram às pinturas de falsos marmoreados de uma redecoração oitocentista que, conjuntamente com os lambris de azulejos, ainda estava demasiado agarrada à memória do espaço religioso. As pinturas apresentam uma composição de motivos paisagísticos e vegetalistas muito estilizados e geometrizados, numa paleta de negro e vários tons de cinzento, remetendo para o espectáculo da fotografia animada» que acontecia na pantalha. Estritamente decorativas, as qualidades técnicas e artísticas destas pinturas não serão as melhores, constituindo, no entanto, um raro documento, não sendo conhecida a existência de um único exemplar de decoração mural daquele período com tal dimensão.

A sala serviu ainda para teatro de amadores - onde actuou Hermínia Silva no princípio da sua carreira - e sede de uma filarmónica. A primeira marcha, organizada em 1932, aí teve ensaio, com registo fotográfico para a posteridade.

Nos anos 50, uma tentativa de transformação da igreja em habitação foi impedida pela autarquia, vindo o espaço a dar lugar a um armazém de mobílias usadas e marcenaria. Até ao início das obras de reabilitação do edifício (1999), junto da porta da entrada da igreja existiu o guichet que correspondia à bilheteira do cinema e a cabine de projecção.

Particularmente acentuada, a degradação de todo o espaço conventual levou, em Abril de 1928, ao desabamento parcial da cobertura da ala poente, devido ao mau estado das madeiras. Na sequência, o município intima os proprietários, Carvalho e Dias, Lda., a fazer obras de conservação sob pena de demolição do prédio. Em Abril de 1933, a falta de condições era tanta que, num depoimento da junta de freguesia de Santos-o-Velho ao Diário de Notícias, se alerta para a miséria e porcaria que chega à promiscuidade, que mete medo [...] que se alberga ali no Convento das Bernardas». Diz o presidente que «é preciso acabar com aquilo. É um foco infeccioso. Há lá lepra! Os proprietários compraram aquilo para demolir, mas foi tal a algazarra e os empenhos dos pobres moradores, que, apesar da ordem judicial de despejo, eles não saíram. E, coitados! para onde haviam de ir? Mas até o Governo resolver, ao menos, que se lave, que se areje, que se ilumine aquele pardieiro medieval, que causa arrepios contemplar (Diário de Notícias, 16 de Abril de 1933).

Em Fevereiro do ano seguinte um ofício do Batalhão de Sapadores Bombeiros dá conta da situação, onde se lê: Vivem ali na mais degradante promiscuidade, [...] sem ar e sem luz, cerca de 700 pessoas [por] interiormente se ter feito uma compartimentação que a transformou num verdadeiro labirinto, tornando péssimas as condições de alojamento e horríveis as de segurança. Há escadas que dão acesso ao claustro que nem degraus têm. Nem todos os compartimentos têm chaminé o que leva a fazer lume em qualquer ponto [...] O meio criado pela compartimentação feita além de anti-higiénico é insalubre. As pias estão entupidas e exalam um cheiro pestilencial.

Em Abril de 1934, o edifício é adquirido por Manuel Amaral Marques (mantendo-se na família até 1998). Um ano depois, de acordo com vistoria efectuada, a Inspecção Geral de Saúde de Lisboa considera o imóvel passível de funcionar como habitação se o número de inquilinos fôr reduzido, permitindo melhor acomodação, e realisar as beneficiações indispensáveis. Para a efectivação dessas obras seria necessário a desocupação das habitações, tornando-se porêm impossível remover em conjunto os inquilinos, sem lhes garantir novo domicílio, sendo ainda de opinião que á medida que fôssem vagando, as diversas dependências, não se consentisse o aluguer, sem que se realise uma vistoria para impôr os melhoramentos indispensáveis.

Por ter reconhecido o excessivo número de moradores, nesse mesmo ano, Amaral Marques tomou a iniciativa de o reduzir. No entanto, e alegando falta de capacidade financeira para o efeito, retardou a realização de obras de fundo, apesar das sucessivas intimações.

Com o advento da II Guerra Mundial e a crise económica e social então registada, o proprietário vai-se excusando de cumprir o exigido. Todavia, em 1942, em requerimento à câmara, informa ter posto o prédio à venda, não tendo compradores, pelo que requer autorização para demolir o edifício para construir prédios de 4 andares. Por o projecto não parecer viável economicamente, é mantida a intimação para obras que vão ficando apenas nas pequenas reparações.

Na década de 1970, o edifício tinha 250 residentes e 7 estabelecimentos comerciais. Com o intuito de resolver as carências mais prementes (nomeadamente a electrificação dos corredores e o depósito para o lixo) em 1975 é criada uma comissão de moradores. Ainda assim, a degradação do edifício continuou e em 1994 a Direcção Municipal de Reabilitação Urbana cria o Projecto Integrado do Convento das Bernardas, que visa a recuperação do velho edifício conventual para nele instalar equipamentos, mantendo a valência habitação nos pisos superiores. Nesse sentido, o imóvel é adquirido pela autarquia em 1998 dando-se início às obras de recuperação em Dezembro do ano seguinte.

Em Novembro de 2001 instalou-se na igreja e em parte do antigo espaço conventual o Museu da Marioneta.

Cronologia
1651 Data provável da fundação do Recolhimento de Santa Madalena, ao bairro do Mocambo (actual Madragoa).
1653-09-01 Frei Vivardo de Vasconcelos (abade cisterciense do Mosteiro do Desterro) visita Maria da Cruz, regente do Recolhimento de Santa Madalena, e demais recolhidas.
1654-01-18 Frei Vivardo de Vasconcelos toma conhecimento, por via do clérigo José Rolão, que D. Diogo Lobo (antigo prior-mor do convento de Palmela, da Ordem Militar de Santiago de Espada), da existência de estatutos, confirmados por Clemente VIII, para a fundação de um mosteiro de monjas cistercienses da observância reformada.
1654-11-02 Frei Vivardo de Vasconcelos procura interceder junto a D. João IV de modo a obter autorização régia para a conversão do Recolhimento de Santa Madalena em cenóbio cisterciense. Inicialmente irredutível, o monarca acaba por aceitar após intersecção da rainha.
1654-12 Três religiosas do Convento de São Bento de Castris de Évora chegam a Lisboa para ocuparem o mosteiro.
1655-01-06 Fecho da clausura do recém-criado mosteiro cisterciense, dedicado a Nossa Senhora da Nazaré.
1664 Petição das religiosas ao Senado sobre uma petição anterior relativa à compra de uma ilha de casas defronte do mosteiro, para o continuar e fazer a igreja, tendo pedido a travessa que ficava no meio e que ficava defronte da igreja e portaria.
1670-06-10 Nova petição ao Senado insistindo na cedência da travessa por via da continuação das obras do edifício.
1696-07-04 Contrato de António Pereira Ravasco para a execução de quatro painéis para a capela-mor do edifício, com passos da vida de São Bernardo.
1699 Petição das religiosas pedindo de novo licença para tomar a dita travessa.
1706 Viviam no mosteiro quarenta e sete monjas e oito conversas.
1708 Data provável da conclusão das obras do edifício.
1755-11-01 Destruição quase total do edifício, não se contabilizando no entanto qualquer morte.
1755-11-06 As religiosas instalam-se provisoriamente na cerca do vizinho Convento da Esperança.
1756-05-25 As religiosas transitam para a Quinta dos Lombos, ao Campo Pequeno, comprada por D. José para o efeito.
1769-09-19 D. José faz a doação perpétua e irrevogável do Colégio de S. Francisco Xavier de Setúbal e sua cerca (que tinha pertencido à Companhia de Jesus), às religiosas Bernardas.
1769-10-14 Tomada de posse e instalação das religiosas no Colégio.
1776 Carta régia de doação de um terreno em Setúbal.
1786 Regresso das religiosas ao edifício do Mocambo, que em termos espaciais pouco diferiria da antiga construção.
1823-04-20 Segundo decreto régio (surgido em consequência da Carta de Lei de 24 de Outubro de 1822), é «supprimido o Mosteiro de Nossa Senhora da Nazareth das Religiosas Bernardas de Cister denominadas Bernardas [devendo] as moradoras delle agregadas, e incorporadas com todos os seus direitos activos, e passivos à Communidade do Mosteiro de S. Dionizio de Odivelas». Devido à mudança de regime operada pouco depois, esta disposição não se chegou a cumprir.
1832-12-15 No âmbito do Aviso de 19 de Setembro, do Ministério dos Negócios da Guerra, relativo aos donativos de lenços e roupas para os hospitais militares, a abadessa e as religiosas do mosteiro entregam «4 arrateis, e 12 onças de fios, 1 arratel e 8 onças de panno para curativo, e 2 ligaduras».
1833-08-09 Decreto proibindo a manutenção de cenóbios com menos de 12 religiosas.
1834-05-30 Decretada a extinção de todas as casas religiosas masculinas das Ordens regulares e a nacionalização dos seus bens. As comunidades femininas mantêm-se mas ficam impedidas de emitir votos.
1850 As três únicas religiosas do Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré pedem para ser transferidas para outras casas religiosas da mesma ordem. Numa primeira fase instalam-se provisoriamente no vizinho Convento de Nossa Senhora da Soledade (Trinas do Mocambo).
1855-12 O Colégio de Nossa Senhora da Conceição passa a funcionar nas instalações do mosteiro.
1859-09 Inventariação dos bens do mosteiro, nos termos do disposto na Portaria de 21 de Julho de 1857, do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e Justiça.
1861-04-04 Lei sancionando o decreto das cortes gerais de 28 de Março de 1861, que estabelece os termos em que deve proceder-se à desamortização dos bens eclesiásticos. O artº 11º refere que "Todos os bens que, no termo d´esta lei, constituírem propriedade ou dotação de algum convento que for supprimido na conformidade dos canones, serão exclusivamente aplicados á manutenção de outros estabelecimentos de piedade ou instrucção e á sustentação do culto e clero". E que uma lei especial regulará esta aplicação.
1862-05-31 Decreto que regula a execução do artigo 11º da Lei de 4 de Abril de 1861. Inclui as instruções «sobre a administração e rendimento dos conventos de religiosas suprimidos».
1893 Funcionava nas instalações do mosteiro o Colégio Académico Lisbonense.
1909-04-16 Extinção oficial do Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré, por morte de Carolina Augusta de Castro e Silva, de 93 anos, última religiosa professa, que residia em Odivelas, em casa de uma sobrinha.
1924-06 Inauguração do Cinema Esperança, do empresário Santos Malafaia.
1928-04 Desabamento parcial da cobertura da ala poente devido ao mau estado das madeiras.
1934-04 O edifício é adquirido por Manuel Amaral Marques.
1942 Os proprietários colocam o edifício à venda mas não aparece qualquer interessado; o proprietário pede autorização para demolição do imóvel, mas o projecto não é aprovado por não parecer "viável economicamente".
1951-01-01 | 1960-12-31 A igreja é utilizada como armazém de mobílias usadas e marcenaria.
1971-01-01 | 1980-12-31 O edifício tinha 250 residentes e 7 estabelecimentos comerciais.
1994 Elaboração do "Projecto Integrado do Convento das Bernardas" (Direcção Municipal de Reabilitação Urbana).
1996-03-06 Decreto de classificação da Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo como Imóvel de Interesse Público.
1998 O edifício é adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa.
1999-12 Início das obras do "Projecto Integrado do Convento das Bernardas".
2001-11 Instalação do Museu da Marioneta em parte do edifício.

Fontes e Bibliografia
Material gráfico

SEQUEIRA, Gustavo de Matos - Lisboa antes do Terramoto de 1755. Museu de Lisboa [1955-1959]. 17 tabuleiros, 10.260 x 4060mm, esc. 1: 500.

Cartografia

CARVALHO, José Monteiro de; - [Livro das plantas das freguesias de Lisboa]. Códices e documentos de proveniência desconhecida, nº 153, Freguezia de Santos, f. 10 (imagem 0034).

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa, 1834].

[Enquadramento urbano | Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa, 2015].

FERREIRA, Francisco António; - [Mapa topografico dos Terrenos que medeião entre a Pampulha e a Calçada da Estrella / feito geometricamente pelo Architeto da inspecção da cidade de lisboa Francisco Antonio Ferreira].

FOLQUE, Filipe; - [Carta Topográfica de Lisboa e seus arredores, 1856/1858]. 1:1000. 65 plantas; 92 X 62,5cm, Planta 49 (Março 1856).

FREITAS, José Valentim de; - [Plantas de Lisboa anterior ao Terramoto - estudos parciais e planta]. 18 plantas, Planta 7.

[Levantamento altimétrico da cidade de Lisboa, 1871]. 65 plantas (?).

[Notícia estadística de Lisboa: ou breve notícia das cousas mais notáveis que Lisboa contém e planta da cidade de Lisboa].

PINTO, Júlio António Vieira da Silva; - [Levantamento da planta de Lisboa, 1904/1911]. 1: 1000. 249 plantas; 80 X 50cm, Planta 9E (Agosto 1909).

[Planta da Ribeira da Cidade de Lisboa athe Santos]. MC.DES.0014.

Manuscrito

Chancelaria Régia, Livro 1º de consultas e decretos de D. Pedro II. [Manuscrito]Arquivo Municipal de Lisboa.

Inventário de extinção do Convento de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ministério das Finanças, Convento de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo, Cx. 1995.

Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça - Folhas de rendimento e despesa de vários mosteiros da Ordem de S. Bernardo dependentes de AlcobaçaFolha do rendimento e despesa do Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo de Lisboa. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3ª Incorporação, Maço 3, nº 143.

Receita e Despesa. [Manuscrito]Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Arquivo das Congregações, liv. 843.

Monografia

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António Miranda - Análise histórica e arqueológica. Plano de Urbanização do Núcleo Histórico da Madragoa. Lisboa: CML-DMRU/GLMSP [policopiado], 1996, pp. 163-164.

António Miranda - A última freira do Convento das Bernardas: apontamentos para uma bibliografia. II Colóquio Temático Estudos de Lisboa -. Lisboa: Comissão de Estudos Olisiponenses da Associação dos Arqueólogos Portugueses, 5 e 6 de Novembro 1999.

ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa, livro VII. 2ª edição Edição. Lisboa: Vega, 1993, pp. 21-22.

BAPTISTA, João Maria - Chorographia Moderna do Reino de Portugal, Volume 4. Typographia da Academia Real das Ciências, 1876.

História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Tomo II. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1972, pp. 443-449.

MARTINS, Ana - As Arquitecturas de Cister em Portugal. A Actualidade das suas Reabilitações e a sua Inserção no Terreno.: Tese de Doutoramento em Reabilitação Arquitectónica e Urbana. Departamento de História, Teoria Y Composición Arquitetónicas, Universidade de Sevilha, 2011.

Obra nº 5914: Travessa do Convento das Bernardas 8-12; Calçada de Castelo Picão, 3-3B; Rua da Esperança, 144-154. 5 volumes.

OLIVEIRA, Eduardo Freire de - Elementos para a história do município de Lisboa, 1ª parte, Tomo VI. Lisboa: Typographia Universal, 1893.

PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, Guilherme - Portugal. Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Numismático e Artístico, volume I. Lisboa: João Romano Torres Editor, 1904, pp. 297-298.

PEREIRA, Luís Gonzaga - Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1927, pp. 229-232.

PORTUGAL, Fernando; MATOS, Alfredo de - Lisboa em 1758: Memórias Paroquiais de Lisboa. Lisboa: Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1974, pp. 310 e 321.

RIBEIRO, Felix M. - Os mais antigos cinemas de Lisboa: 1896-1939. Lisboa: Cinemateca Nacional, 1978, p. 184.

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Decreto nº 2/96. Diário da República, 1º Série-B, nº 56. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. 6 de Março de 1996, p. 450.

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Gazeta de Lisboa, nº 299. Lisboa: Na Impressão Regia, [18 de Dezembro de 1832], pp. 1451-1452.

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LEROUX, Gérard - A Abadia de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo. O Dia. 14 de Abril de 1985.

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SANTOS, Maria Teresa Pires dos - O Convento de Nossa Senhora da Nazaré: Bernardas Descalças. Olisipo, II Série, nº 2. Lisboa 1996, pp. 121-126.

Material Fotográfico
Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada sul. DPC_20141203_078.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada sul | Portal. DPC_20141203_081.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada sul | Portal. DPC_20141203_079.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Cunhal nascente/sul. DPC_20141203_082.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada nascente. DPC_20141203_085.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada norte. DPC_20141203_097.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada poente. DPC_20141203_096.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Travessa do Convento das Bernardas | Cruzeiro. DPC_20141203_099.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada nascente | Portas. DPC_20141203_093.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada nascente | Pormenor. DPC_20141203_094.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Claustro | Perspectiva geral. DPC_20141203_030.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Claustro | Perspectiva geral. DPC_20141203_051.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Claustro | Varanda. DPC_20141203_052.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Claustro | Varanda | Pormenor. DPC_20141203_054.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Claustro | Galeria. DPC_20141203_056.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escada principal. DPC_20141203_069.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escada principal. DPC_20141203_067.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escada principal. DPC_20141203_065.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Igreja. DPC_20141203_073.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Igreja | Capela-mor. DPC_20150129_008.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Igreja | Capela-mor. DPC_20150129_009.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa | Interior | Igreja | Capela-mor. DPC_20150129_015.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré de Lisboa | Interior | Igreja | Capela-mor. DPC_20150129_016.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Igreja | Nave da igreja. DPC_20150129_019.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Igreja | Nave da igreja. DPC_20150129_022.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2015.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_011.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_012.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_013.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_015.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_018.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_019.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_021.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_038.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_040.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Escadaria. DPC_20141203_057.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior. DPC_20141203_002.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior. DPC_20141203_003.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Antiga cozinha. DPC_20141203_100.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Interior | Antiga cozinha. DPC_20141203_102.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2014.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada sul. FER008069.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Exterior | Fachada sul. A69268.
© CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Mosteiro de Nossa Senhora da Nazaré | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor.
© CML | DMC | DPC | José Vicente 2012.

Inventariantes
António Miranda
Tiago Borges Lourenço - 2015-02-10
Última actualização - 2018-08-01

Imagens: 48