Da cidade sacra à cidade laica. A extinção das ordens religiosas e as dinâmicas de transformação urbana na Lisboa do século XIX

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Designação
Hospício do Seminário de Varatojo (II)

Código
LxConv123

Morada actual
Praça das Flores, 46-48A; Rua Professor Branco Rodrigues, S/N

Sumário
A total destruição, pelo terramoto de 1755, do edifício onde se encontrava Hospício dos Missionários do Varatojo, obrigou que os religiosos se instalassem num local relativamente próximo, numas casas que haviam sido dos padres da Companhia de Jesus, à Cotovia, para o efeito dadas por D. José I pouco depois do terramoto. Terão, presumivelmente, aí se mantido até à extinção das ordens religiosas.

Caracterização actual


Situação
Hospício - Existente

Descrição


Enquadramento histórico
Sentindo necessidade de possuirem uma casa onde permanecer aquando das suas deslocações a Lisboa, em 1685 os missionários franciscanos da Província da Terceira Ordem do Convento do Varatojo (fundado na localidade do mesmo nome sita próxima de Torres Vedras) recebem de D. Pedro II autorização para fundar um hospício na cidade. Por mercê do rei, instalam-se numas casas sitas na Rua do Tesouro (próximo da Cordoaria Nova e do Palácio dos Bragança - LxConv104) as quais, totalmente destruídas pelo terramoto de 1755, se vêem na contingência de abandonar. Cinco anos depois e para o efeito, "ElRey D. Joseph I lhe fez mercê para Hospicio de dous quartos das casas que forão dos Padres da Companhia na rua da Conceição à Cotovia". Terão, presumivelmente, abandonado o edifício em 1834, aquando da extinção das ordens religiosas. Aí morou António Feliciano de Castilho entre 1842 e 1843.

Cronologia


1685 Os missionários franciscanos da Província da Ordem Terceira recebem de D. Pedro II autorização para fundar um hospício em Lisboa (onde não tinham convento) e umas casas para o efeito, localizadas à Cordoaria Nova, próximo do Palácio do Duque de Bragança.
1755-11-01 O terramoto destrói o edifício do hospício por completo.
1760 O novo hospício dos missionários franciscanos passa a situar-se à Cotovia, em casas que haviam pertencido aos jesuítas, récem-expulsos do reino.
1834-05-30 Decreto de extinção das casas religiosas masculinas das ordens regulares e nacionalização dos seus bens.

Fontes e Bibliografia


Cartografia

[Enquadramento urbano | Hospício do Seminário de Varatojo (II), 1834].

[Enquadramento urbano | Hospício do Seminário de Varatojo (II), 2015].

Monografia

ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa. 2ª Edição. Lisboa: Vega, livro V, 1992, p.60.

CASTILHO, Júlio de - Lisboa Antiga. O Bairro Alto. 3ª - dirigida, revista e anotada por Gustavo de Matos Sequeira Edição. Lisboa: Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, volume V, 1966, p. 71.

CASTRO, João Bautista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Oficina Patriarcal de Francisco Luis Ameno, tomo terceiro, parte V, 1763, p.382.

CONCEYÇÃO, Fr. Apollinario da - Claustro Franciscano, Erecto no Dominio da Coroa Portuguesa e estabelecido sobre dezeseis venerabilissimas columnas. Expoem-se sua origem, e estado presente. Lisboa Occidental: Na Offic. de Antonio Isidoro da Fonseca, 1740, p. 117/118.

Material Fotográfico


Hospício do Seminário de Varatojo (II) | Carta topográfica da cidade de Lisboa preparada em 1807.


Inventariantes


Tiago Borges Lourenço - 2015-08-28


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Câmara Municipal de Lisboa
 Data: 2022-08-14